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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O SENHOR PRIMEIRO!!!





Quando se pensa que já tudo foi visto , ouvido e sentido na pele, há sempre mais um Coelho que salta da cartola e… pimba! Toma lá com mais uma, que é democrático!
Na década de 90 e princípios do Sec. XXI, Portugal abria-se à imigração por forma a combater a profunda regressão demográfica e a conseguir mão de obra barata para os projectos, alguns megalómanos , que se iniciaram com a época do betão do actual PR.
Chegados à segunda década do Século assisti boquiaberta ao apelo á Emigração feita pelo nosso PM.
De inicio ainda pensei tratar-se dos resquícios da malfadada gripe que me prostrou durante semanas. Uma coisa assim forte deixa por vezes sequelas e dá origem até a alucinações!!

Pensei que seria o caso e preparava-me já para me dirigir às urgências novamente , aproveitando enquanto ainda é possível, contando o meu estado alucinatório, convencidíssima de que deveria ser uma estirpe nova da gripe dos coelhos, a tal moléstia que os deixa com os olhitos piscos.
Afinal não!!
Era mesmo verdade!! O nosso Primeiro Ministro, de forma muito diplomática mas nem por isso menos clara, dizia que quem não está bem que se mude. Emigre! Faça-se à vida, que aqui não tem futuro!
Isto é que é uma mensagem de Natal!!!
Um Primeiro Ministro que assume que não é capaz de assegurar um futuro para Portugal, que dá como alternativa , ao que parece única, pois que não lhe ouvi mais nenhuma, sair do País , pegar nas malas e bater com a porta, é um PM que já perdeu as esperanças na Pátria que devia governar!
Caro Dr. Passos Coelho, por quem é , o Sr. na frente. Faça o favor!!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ACABOU A REPÚBLICA!






Sempre me custou a crer que o trabalho sob pressão fosse mais eficaz e produtivo do que aquele que se faz por vontade, estímulo, brio e nalguns casos abençoados, por gozo.
Isto mesmo sabendo que eu só trabalho bem sob pressão. Mas é outro tipo de pressão! Pressão interna, de timings, não pressão de chicote e ameaça.
Aliás com dois jovens adultos em casa, há muito que aprendi que a educação musculada dá resultado zero ou mesmo negativo.

Este arrazoado todo para falar do corte dos feriados.
Isto já parece um governo de alta costura muito à semelhança da Fátima Lopes ( que eu adoro mas que aqui me dá um jeitão como exemplo) : é cortes e mais cortes. Um dia destes ficamos todos com as pudendas à mostra e vai ser lindo, vai!

Sobre os feriados religiosos não me vou pronunciar, porque, embora católica, atendendo a que o estado é supostamente laico ainda vai que não vai.
Agora tenham paciência, retirar o 1º de Dezembro e o 5 de Outubro?!!!

O primeiro, muito embora seja um marco na nossa História e como tal tivesse a sua importância, pois que representa não um mas dois momentos : a Restauração da Independência e o reconhecimento papal do reino, ainda… pronto, é como o outro , dou de barato não, mas fecho os olhos.
Mas o 5 de Outubro, desculpem lá não engulo!
A Proclamação da República é o marco histórico que significou a igualdade entre os homens, o direito de cada um poder tomar as rédeas do seu destino ou mesmo do destino do seu país, se para tal os seus pares o indicassem. Significou o poder de participação universal na política, passando esta a ser o que os Gregos designavam, e bem, “ a coisa pública”, possibilitando a escolha através do voto, dos governantes.
A República significa a conquista da liberdade e da igualdade. Foi a República que nos permitiu chegar, bem ou mal, até aqui. Foi a República, caro Dr. Pedro Passos Coelho, que lhe deu a hipótese de poder fazer tábua rasa dum marco histórico, que nem o sr. nem ninguém, pode apagar.
E a propósito: alguém me sabe dizer ( ignorância pura minha, sem dúvida!) porque é que o 10 de Junho é o Dia de Portugal? Que marco simboliza?

A tirar alguns feriados , para supostamente aumentar a produtividade, porque não acabou com a terça feira de Carnaval, por exemplo? Ah não é feriado? É apenas tolerância de ponto! Pois… mas que diferença existe entre os rios correrem para o mar ou a foz de cada rio ser no oceano? Chamemos-lhe tolerância ou feriado. O certo é que o País pára! Então acabe-se com a tolerância e pronto.
Ou será que o Carnaval, por ser o dia da palhaçada assumida, deve manter-se para que alguns se revejam e o tomem como o seu dia?
E já agora poupem-me! Fazer a comemoração do 1º de Dezembro ou do 5 de Outubro no Domingo seguinte é dum ridículo e dum maior desrespeito do que nada fazer . Porque as datas, os momentos , não se repetem! Têm um tempo e uma razão. Tempo e razão que estes senhores desconhecem porque a História pouco ou nada lhes importa na sua visão tecnocrata da sociedade e do Mundo. Mas um país que negue a sua História é um país que não tem futuro.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

PRÁ RUA!

Hoje tive um sonho! Não foi bem um sonho do tipo Martin Luther King . Pensando bem foi mais um pesadelo.
Sonhei que estava a viver na América Latina, muito embora o tempo frio, húmido e ventoso, fosse mais o nosso. Por alguma razão o país chamava-se Portugal. Mas juro que estava na América Latina!!
A sensação de opressão, de desilusão, de impotência, de desespero duns perante o fausto impressionante de meia dúzia amparados por um governo musculado, além de me ter dado calafrios não me deixou dúvidas: estava a viver numa ditadura da América Latina.

Foi quando acordei e saí á rua que me dei conta que, se calhar aquela teoria de que o nosso cérebro processa a informação do quotidiano enquanto dormimos, não é um mito urbano mas sim uma chocante realidade.
No trajecto de casa para o trabalho vi: seis pequenas lojas de comércio tradicional fechadas, duas delas já centenárias; uma bicha enorme que, sem nenhum exagero dava já a volta na esquina, a aguardar que se abrisse a porta duma instituição de caridade. Nem todos os que ali se encontravam se pareciam com os “ velhos pobres” que num número substancialmente mais reduzido, já me habituara desde há anos, a ver por ali. Rostos fechados em quase todos com quem me cruzei , passos arrastados de quase desistência.
O café, onde desde que me lembro sempre fora necessário lutar por um lugar ao balcão para a bica matinal, tinha praticamente todas as mesas vazias.
Em véspera de greve geral e pela primeira vez em muitos anos, senti um enorme apelo das ruas. Mesmo que um dia de salário seja retirado, mesmo que tal represente mais um furo no cinto que nos sufoca, nos tira o ar e a vontade de viver neste País que já foi jardim e hoje tem o aspecto dum campo de urtigas abandonado, mesmo assim, a mobilização parece-me enorme!
O manifesto encabeçado pelo Dr. Mário Soares ( mal eu sabia quando postei ontem que hoje de novo lhe fazia a devida vénia!) é duma acutilante chamada a esta mobilização. Pouco importa que tal seja negado pelos subscritores,. Entende-se a necessidade da negação, como se entende a obrigatoriedade de gritar por sobre os telhados que esta política ultra liberal não é saída para outro lado que não o despenhadeiro nacional.
Não se pode governar contra o povo ! Não se pode agrilhoá-lo, matá-lo á fome, desmotivá-lo , humilhá-lo, impunemente. É dos livros de História!!
Como diz o manifesto , não podemos aplaudir a democracia das ruas onde floresce a Primavera Árabe e depois recear as nossas próprias praças e ruas , deixando-as ao abandono para um imenso Inverno.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ASSUMIDAMENTE INDIGNADO?

Podemos ter dele imensas opiniões. Podemos gostar ou não da sua forma de ser e de estar. Numa coisa creio estarmos todos em consonância: Mário Soares, do alto dos seus 86 anos (!!) continua a ter o mesmo olhar límpido e o mesmo espírito crítico, que lhe deram o epíteto de “ animal político”.
Independentemente dos erros que lhe possam ser apontados ( e quem poderá com mão certeira , atirar a primeira pedra? No nosso espectro político , nacional e internacional, ninguém!), ficará para a História do País como a figura mais importante do Pós 25 de Abril, tendo estado como protagonista ou co-protagonista em todos os grandes momentos desta nossa história recente.
Com uma lucidez que só encontra par nos antípodas da política, na pessoa do Prof. Adriano Moreira, o Dr. Mário Soares prepara-se para lançar mais um livro que, faz questão de frisar, não é um livro de memórias mas sim uma autobiografia.
Da leitura da sinopse de “ Um Político Assume-se”, que será editado pela Temas&Debates, do Círculo de Leitores e apresentado no próximo dia 30, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, prevê-se que o livro venha a ser a pedrada no pantanal em que se tornou esta Europa em geral e o País em particular.
Mário Soares alerta para o facto da democracia se encontrar em perigo e com ela todas as conquistas do Pós 25 de Abril no que respeita ao trabalho, á Saúde, à Educação, à Justiça…
É o que acontece quando partidos de direita tomam o poder.
Não há volta a dar, uma vez que é um princípio básico e ideológico: o ultra liberalismo prevalece e os mercados tornam-se os protagonistas sociais em detrimento da pessoa.
Mais grave ainda é que esta vaga liberal assola e tem vindo a tomar conta de toda a Europa. Não são auspiciosos os próximos tempos.
E quando se decide fazer tábua rasa dum dos marcos mais importantes da nossa História , no seguimento da História Universal – a Implantação da República – que veio estabelecer os princípios da Liberdade , Igualdade e Fraternidade, então está tudo dito!
Um governo que não entende a importância simbólica duma tal data, achando que em prol da austeridade, da produtividade, pode retirar-lhe a importância de feriado, é um governo que, não valoriza o individuo comum, que viu mercê dessa conquista, assegurados os seus direitos como ser humano, que não entende que graças a esse acontecimento é possível a existência de partidos políticos e de eleições livres, não quer saber da História para nada. Um governo assim não tem nem dá futuro a este País.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

MORTE DE UMA CRISE. ANUNCIADA




Uf , estou muito mais aliviada.

Adivinham-se noites de sono tranquilo e reparador depois destes meses em que a crise me aparecia em sonhos, umas vezes como uma caricatura da morte de foice em punho qual velho comunista , com a cara da srª Merckel, outras com situações de bidons ville nas imediações da Place de La Concorde, com o Sarkozy empoleirado no Obelisco e de chicote na mão….
Mas agora não! A crise vai acabar e já para o ano!

Álvaro ( aquele que ao que parece é assim uma espécie de Ministro da Economia) dixit. Fantástico, pá!!!
Pena que se calhar só eu é que vou acreditar!

É que ninguém informou o suposto Ministro de que outros antes dele já fizeram o mesmo anúncio de morte da crise, com os resultados que se viram. Para uns o pior já tinha passado, para outros era o princípio do fim. Convenhamos que este último é assim como aquela máxima do futebol : prognósticos só no final do jogo. Sim, porque o princípio pode ser looooooooooongo!!!
Mas eu agora não tenho dúvidas! Aliás está completamente explicado o silêncio do suposto Ministro. É que o Álvaro, pá, estava a fazer cálculos! A gente esquece-se que ele é um académico e um académico faz cálculos, projecções, testa hipóteses e só depois EUREKA!!! Se sai com a solução.
E ei-la! A crise, decididamente acaba no próximo ano!
Só não disse como!
Esperemos que o nosso Álvaro não seja um adepto da religião Maia. É que nesse caso o fim está explicado, pá!!!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PRECISA-SE MAQUINISTA

… com forte identidade europeia.






Pretende-se:


Pessoa que tenha sentido de orientação apurado e claro, para que possa definir um rumo mesmo na ausência de GPS.
Terá que ser alguém com grande espírito de sacrifício e de dever, tenacidade e firmeza , aliada a um enorme sentido humanista e de solidariedade.
Uma vez que a máquina arrasta vinte sete carruagens de diversos portes e qualidades, são de prever anomalias diversas, pelo que a pessoa a seleccionar deverá ter vastos conhecimentos de mecânica social e económica de maneira a poder encetar e levar a cabo as reparações necessárias perante as avarias que ocorram.
Impõe-se um limite de velocidade constante e único, por forma a não perder qualquer das carruagens ao longo do percurso.

Dá-se:
- Título de estadista, com direito a ficar na História como “ Salvador da Europa”
- Dores de cabeça constantes recompensadas com a constante certeza de Serviço à Humanidade.
- Vinte e sete governos dos quais vinte e quatro poderão ser completamente destituídos e substituídos sendo que os restantes quatro poderão pura e simplesmente desaparecer.
- Casa em local alto , aprazível com vista para o mar , as montanhas e os lagos.
- Transporte próprio à prova de bala.
- E o nosso eterno reconhecimento.

Aceitam-se candidaturas de todos os sexos.
Não serão admitidos animais domésticos, ferozes ou outras alimárias.


O Povo Europeu.

domingo, 6 de novembro de 2011

O ELEITORADO PODE ESPERAR.








Se há um lado pedagógico e educativo desta crise é, por um lado levar a um reestruturação da vida da sociedade em geral e de cada um de nós em particular e por outro tomarmos contacto directo com realidades económicas e políticas até ao momento desconhecidas ou pelo menos relegadas para um plano muitíssimo secundário.
Dívidas soberanas, agências de ratting, vantagens e desvantagens do Euro, análise da Europa como ideal político e social, são temas que entraram na discussão quotidiana de cada um.
A semana ficou marcada pela discussão do Orçamento de Estado , talvez o mais polémico e o mais difícil de digerir dos últimos anos. A digestão é tão mais difícil porquanto todo ele se desenvolve em torno das palavras austeridade e cortes, essenciais sem dúvida para enfrentar o momento presente e o futuro próximo, mas sem uma única, real, plausível e “ que se veja” medida de crescimento económico sustentado.
A esta situação não é estranha a escolha infeliz do Ministro da Economia, um tal de Álvaro, que ao que se sabe nunca esteve ligado ao mundo empresarial sendo tão somente um académico numa universidade de segunda linha no Canadá.
Não tenho a presunção de entender as escolhas ministeriais e muito menos quando são feitas pelo Dr. Pedro Passos Coelho. Mas parece-me da mais elementar lógica que não basta reduzir a despesa, para fazer crescer o país. Aliás todas as medidas que se adivinham, qualquer miúdo com um 12º ano feito já com as novas tecnologias, sabe que ao fomentarem a descida do poder de compra individual mais não fazem que deprimir a economia interna. Era pois fundamental ter um Ministro da Economia que não fosse um “ porreiraço” que gosta que o tratem sem salamaleques, mas um homem conhecedor, não só do País e da Europa como do mundo empresarial na sua generalidade e do potencial concreto das empresas portuguesas, quer a nível do mercado interno, quer em relação às exportações .
Continuo a afirmar que o nosso mercado preferencial não é a Europa mas sim a África de língua Portuguesa. Esta é também o trunfo que deveríamos esgrimir perante o bloco Merkozy ( adorei e adoptei a palavra pelo que ela tem de gráfico!). Somos, por todas as razões históricas, culturais, linguísticas , os interlocutores por excelência da EU com a África que será, ou melhor já está a ser, o futuro , o continente das economias emergentes, das grandes oportunidades, das potências em embrião.
Mas a discussão em torno do Orçamento de Estado levantou uma outra polémica que se centrou em torno do sentido de voto do PS .
Depois de um dos membros do Secretariado ter dito , sem ainda não se conhecerem sequer os contornos do Orçamento, que o Partido Socialista deveria votar contra, por uma “ questão de coerência(?)” , surgem agora as críticas sobre a abstenção já definida pelo Secretário Geral, tentando ver nela um nim, pouco seguro e débil.
Para que não haja dúvidas: sou de facto apoiante do António José Seguro. Mas prezo-me por pensar pela minha cabeça e não me abasteço no “ pronto –a pensar” de alguns. Acho até que tem vindo a cometer erros que talvez lhe venham a ser cobrados caros demais. Mas não neste caso.Quando muito poderá ter perdido alguma capacidade de negociação ao ter anunciado a sua decisão em abster-se. Nada mais.
É que uma das coisas que os velhos barões dos diferentes partidos ainda não entenderam é que a política, o mundo e as pessoas, mudaram! Já não se faz oposição apenas através de “ forças de bloqueio” como alguém um dia intitulou a atitude dum certo PR. Mal esse alguém imaginava ( ou talvez o soubesse bem demais!) que anos mais tarde seria ele a força de bloqueio. Mas adiante.
O PS que se quer num novo ciclo e com uma nova forma de estar na política não poderia dar aos mercados um sinal de oposição e de apoio claro à contestação que irá, estou certa, para as ruas. Foi isto que AJS quis dizer quando afirmou que não seria o baluarte duma praça Sintagma portuguesa. Ele sabe, como homem honesto, sério e com sentido de Estado, que primeiro é preciso salvar o País e só depois se irá preocupar em conquistar o eleitorado. É uma jogada de alto risco que pode levá-lo a ser afastado da hipótese de ser Primeiro Ministro . Mas conhecendo o seu percurso, o seu programa e a tenacidade e sentido de dever que o norteiam creio que neste momento essa é a sua menor preocupação.
Agora trata-se de salvar Portugal. É esse o desidério de António José Seguro. Deveria ser esse também o do PS. Porque as pessoas têm memória e sabem reconhecer a diferença quando ela é evidente.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A EUROPA A VER-SE GREGA!!!!








Aceitam-se apostas: é ou não o princípio do fim da União Europeia?
Este braço de ferro entre a Grécia e todos os restantes parceiros à primeira vista parece um suicídio colectivo por parte dos Gregos. Mas será?
Apetece perguntar: que mais querem afinal? A resposta não é imediata , nem simplista e muito menos politicamente correcta.
Talvez esta seja a grande revolução, o grande tsunami de que a Europa em especial e o restante Mundo no geral, precisava para reequacionar que tipo de sociedade e de estruturas pretendemos .
A União Europeia começou pelo telhado - União Económica. E dentro desta pelo catavento - a moeda única. Única é como quem diz. A Grã Bretanha, senhora dum mercado muito especial, a comunidade das suas antigas colónias, não esteve para aí virada e agora , embora pertença à União esta-se em bom português , nas tintas para esta trapalhada de dívidas externas, bancos alemães e franceses, bancarrota e etc.
É caso para perguntar: que limites tem afinal a União Europeia? Está bem de ver que os mais europeistas vão dizer que há várias uniões europeias. Mas eu como europeísta convicta embora desiludida, creio que essa é a resposta fácil, aquela que se dá para sacudir a água do capote.
Não PODE haver várias Uniões!!! Não pode haver uma União Económica e uma União Europeia em simultâneo. Tem que existir uma fronteira fisica que delimite este território! Tem que haver uma política externa comum e uma política de defesa una. Só depois se deveria ter avançado para o mercado único!
Substituir-se os cidadãos por consumidores é reduzirem-se as pessoas a números, a coisas, a estatísticas. Esquecem-se que estas coisas, estes números têm alma, vontade e revoltam-se quando se sentem afrontados na sua dignidade.
O que tem isto a ver com o referendo na Grécia?
Tudo! É preciso que a Europa saiba que quem manda são as pessoas, a vontade das pessoas e não os mercados. Se é um suicídio? pode ser. Mas será que toda a UE não está já moribunda? Estou até em crer que já morreu e se esqueceram de a avisar!!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

SÃO OS LOUCOS DE LISBOA






Passando os olhos pelas notícias dos jornais de hoje, evitando a inevitável crise para a qual já não há pachorra nem, pelos vistos solução, deparei-me com um relato que me arrepiou.
Uma chinesa violada, agredida, manietada, esteve horas numa estrada, onde vários carros passaram sem lhe prestarem auxilio. Ao que consta também da notícia, o mesmo tinha acontecido uma semana antes, a uma criança de dois anos, que foi atropelada duas vezes, como um gato ou um cão, um bicho, sem que ninguém parasse para se abeirar e auxiliar.
Diz ainda o artigo que esta situação de profundo individualismo, está a preocupar as autoridades chinesas.

Lembrei –me da primeira vez que vi um sem abrigo. Foi há cerca de trinta anos em Paris. Não consigo esquecer o horror, a piedade, por aquele ser humano igual a todos os que passavam ao lado ( literalmente contornando-o ) e eu ali olhando sem saber o que fazer. Porque eu queria fazer qualquer coisa, chamar alguém, um polícia uma ambulância… alguém. A minha amiga puxou-me por um braço” C’est un clochard!” e arrastou-me. Rotulado que estava aquele ser atirado à rua já não era humano: era uma coisa , um dejecto, uma sombra. Nem sequer fazia mossa nas consciências. Tão pouco era motivo de qualquer preocupação ou olhar. Era invisível.
Lembro-me perfeitamente que nessa altura pedi a Deus, ao destino, ao futuro, que nunca uma situação daquelas fosse possível no meu país.
Poucos anos mais tarde , já na faculdade, lembro-me duma figura típica que andava ali pelos lados da Duque de Saldanha, sujo , desgrenhado e envolto apenas num cobertor. Era louco, dizia-se, talvez com razão. Nunca o vi estender a mão ou murmurar fosse o que fosse. Mas naqueles anos ainda havia quem lhe desse uma palavra, tomasse a iniciativa duma moeda, de chamar uma ambulância. Ainda éramos humanos.
Mas algures no tempo deixámos de o ser.
Não foi a crise, esta desgraçada que nos ronda há séculos , que nos ferra nos calcanhares de tempos a tempos. Ou melhor, foi. Foi a crise de nos acharmos mais humanos que outros. De nos termos deixado habituar à triste imagem dum corpo envolto em trapos, dormindo em cima de papelão, arrastando os seus poucos pertences em carros enferrujados de supermercado, fugindo á chuva e ao frio num vão de prédio até que alguém incomodado com o cheiro, a visão, o incómodo, o enxote.
Se calhar em vez de estarmos tão preocupados com a crise que nos deixa mais pobres de dinheiro, devêssemos preocupar-nos um pouco mais com a crise dos valores, da solidariedade em que vivemos, que nos deixa cada dia mais pobres de humanismo.

Quanto tempo faltará para termos crianças atropeladas nas bermas das estradas e olharmos para o outro lado fingindo não ver, entretidos que estaremos com as notícias da rádio que hão-de falar,(estou certa!) da crise?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

DE CABO DE ESQUADRA!!!!!!





Pessoalmente tenho uma ideia um pouco diferente do que é um país em crise.

Não é que a causa económica não me faça mossa( e como!!!) . Mas com mais aperto aqui, acerto acolá , medidas mais ou menos justas, a coisa consegue ir ao sítio.
Para mim um país está em crise quando o cidadão comum não se sente protegido, se sente ludibriado e perde a confiança em todo o sistema de justiça, desde a polícia aos tribunais.
Ensinei os meus filhos que, no caso de se perderem, de terem um problema qualquer, num aperto em que se vissem, procurassem o polícia mais próximo e aí estariam seguros. Ensinei-os também a que a justiça podia ser tardia mas que acabava por prevalecer. Os bons seriam ressarcidos e os maus punidos, porque ela, a figura da justiça , estava cega a tudo o que não fosse o apuramento da verdade.
Está bem de ver que falhei completamente na educação dos rapazes!!
Da justiça já há muito que nem é bom falar! Aliás dever-se-ia mudar a figura simbólica para um misto de tartaruga e camaleão. Seria mais adequado. Quando num país se começa a falar ( e a assumir pela observação, que assim é ) de justiça para ricos e justiça para pobres, já não estamos a falar em justiça. Chamemos-lhe o que queiramos . Será tudo isso e até mais. Justiça não é, disso estou certa.
Mas o tema deste meu post é a notícia de hoje, em que se veio a descobrir que os dirigentes da PSP ( Directores Nacionais e adjuntos) mui lesta e inteligentemente, trataram de se auto aumentar por forma a não sentirem na pele ( delicada sem dúvida, pois que alguns deles não devem nunca ter sentido o sol a pique no comando do transito ou estado à chuva num qualquer desastre) o aperto que a todos os funcionários públicos estrangula.
Quando sabemos que a nossa polícia tem que pagar do seu bolso o fardamento , que tem que enfrentar processos e inquéritos quando, no cumprimento do dever, tem o azar de bater com o carro de serviço ou de danificar algum material, não podemos contar com celeridade e grande protecção. Que diabo! São homens e mulheres também!!
Quando ainda por cima têm estes exemplos dos superiores hierárquicos, então aí a sua motivação cai a pique.
O mais engraçado é que a versão oficial é a de que tudo foi feito na mais estrita legalidade. Ora com uma legislação e uma justiça como a nossa que mais parece uma peneira – e larga! – não me admira! Pode ser legal, mas será moral?
Portanto é oficial: Portugal está numa crise profunda!!! De valores, de honestidade, de idealismo, de brio. É o salve-se quem puder! E o mais grave é que são os comandantes ( e os ratos !) os primeiros a abandonarem o navio
Evidentemente que há excepções, mas estas deviam ser a regra e não meros casos pontuais e isolados que se destacam pelo inusitado.
Ou seja inverteram-se os pólos da ética e quando assim é já não há crise: é a hecatombe!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

FOI BONITA A FESTA PÁ !!























O movimento dos Indignados que varreu as principais capitais do Mundo veio mostrar que ainda existe Povo e que quando o povo quer tem a força duma vaga que tudo avassala.
Ordeiramente, sem grandes confusões ou confrontos, os portugueses saíram à rua para dizerem “Basta!”. Basta da hipocrisia política, basta das facturas e dos compromissos que é preciso pagar aos grandes grupos económicos à custa do suor dos que trabalham. Basta de humilhações, de precariedade. Basta de fome!
Porque é disso que se trata: Fome de justiça, fome de ética, fome de esperança, fome de pão.
O meu povo, o nosso povo, saiu à rua e mostrou que é de brandos costumes sim, é pacifico sem dúvida. Mas deixou claro o aviso: Não estiquem a corda ou correm o risco de serem enforcados . Em praça pública!!!

Fotos do meu Porto indignado ( cedidas pela Morgana Castro a quem agradeço )






















sexta-feira, 14 de outubro de 2011

CARNE PRA CANHÃO!!



Façam um favor: não atirem areia para os olhos dos portugueses! Falo por mim que uso lentes de contacto e que só poderei mudar lá para o ano 2020! Mas também creio falar pelos demais, que isto de ter argueiros nos olhos já na Bíblia se diz não ser agradável.
E por falar em Bíblia o nosso Primeiro de facto viu a areia nos olhos do adversário mas não conseguiu ver que tinha uma trave de todo o tamanho nos seus.
Como se insurgia contra o facto de não serem cumpridas as promessas eleitorais! Agora faz mea culpa mas … a impossibilidade de incumprimento é da culpa dos outros. Das duas uma : ou não fez o trabalho de casa no afã que tinha de chegar ao poder, ou a Troika é uma batata que não previu no acordo estas medidas nem despistou todos os buracos reais. Não sei para que raio serviu então!!
A propósito de buracos e como não acredito em coincidências, estou em crer que os meus subsídios vão direitinho para o bailinho da Madeira. Logo eu que só lá fui uma vez e detestei!
Os meus pais nunca lá puseram os pés e vão levar com a facada para pagar os desmandos do sr. Alberto João. E como eles milhares de “ cubanos”.
Sim, porque que outra razão há para este corte brutal a não ser a cratera madeirense? O que mudou de há um mês a esta parte?

Agora são os subsídios , depois os cortes nos salários e um dia acordamos e somos a Grécia em versão lusa.
Com a agravante de não possuirmos muitas ilhas para vender! As Berlengas ninguém as quer. A Madeira nem que a gente desse como prémio adicional o AJJ para fazerem dele o que bem quisessem. Restam-nos os Açores mas que diabo! alguma coisa devemos preservar do império que já fomos, não?
Dizia um conhecido e respeitado sociólogo que Portugal já não existe.
Sob pena de ser ingénua e idealista continuo apensar que enquanto houver um português haverá Portugal. Resta saber se como país ou como região periférica duma Europa que esqueceu os cidadãos e se rendeu aos números.
“ A politica é a guerra por outros meios”.
Portugal está como a Polónia quando invadida por Hitler: avança de cavalaria contra tanques de guerra. Adivinhem quem é a carne para canhão?!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O REI VAI NU!!



A 14 de Julho de 1789 a França assumiu a liderança dos países republicanos, tendo sido o primeiro a derrubar a monarquia, sistema único de governo em todo o Mundo Ocidental.
Está bem de ver que aquela que ficou para a História como a Revolução Francesa, não teve inicio às primeiras horas do dia 14 de Julho e acabou em glória ao cair da noite!
Antecedeu-lhe todo um desgaste do antigo regime, uma crescente contestação e indignação social, que durou décadas até culminar na tomada da Bastilha, reduto simbólico do absolutismo e despotismo monárquico, que aos opositores decapitava para que as suas ideias não extravasassem as suas cabeças.
Nem toda a monarquia foi perversa nem o regime que se lhe seguiu foi um éden .
Toda a mudança é dura, demorada e a ela seguem-se-lhe períodos de maior ou menor confusão, pois que derrubar estruturas acaba por ser mais fácil que colocar outras , operacionais e eficazes em seu lugar.

O mesmo acontece na Madeira.
O poder ali é monárquico na sua faceta absolutista.
Mas porque continuam os madeirenses a votar em Alberto João? Porque é popularucho e demagogo? Sim. Mas também porque praticamente toda a população da ilha depende, directa ou indirectamente, do governo que ele detém há três décadas num regime de “ quem não está comigo está contra mim”.
Porém o povo não é destituído de visão crítica. A prova foi dada ontem nas urnas onde Alberto João Jardim embora tendo ganho, obteve a sua maior derrota.
O que se pode pois ler das eleições da Madeira?
Em primeiro lugar que os dois maiores partidos portugueses foram os grandes derrotados, deixando espaço para os mais pequenos se poderem afirmar.
Leitura imediata: ao ter perdido 8 deputados na Assembleia, o PSD recolhe a insatisfação dos eleitores que tarde acordaram para a situação económica que os obrigará a sacrifícios a que até agora têm sido poupados.
O PS perdendo um deputado, arca ainda com o estigma que lhe foi gravado pelo governo anterior que, muito embora não esteja de maneira alguma isento de culpas, não é o único culpado da grave crise económica em que o país mergulhou.
O Partido Socialista, que lançou a discussão em torno da dívida da Madeira levantando assim o véu sobre um velho tabu, ainda não conseguiu junto dos eleitores afirmar-se como um novo partido, com um projecto sério, que não pode negar o passado mas que se recusa a deixar-se por ele flagelar ad eternum. Também, verdade seja dita e justiça feita, ainda não teve tempo. Como costuma o povo dizer Roma e Pavia não se fizeram num dia ( mas arderam numa noite, não esquecer! É mais fácil destruir que reconstruir!)

A Madeira voltará a ser uma República. O tempo é soberano. O Alberto João gostava de o ser mas não é.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

NOB(RES)EL DAMAS






























Num mundo realmente igualitário a atribuição do Nobel da Paz a três mulheres ex-equo não faria correr tanta tinta em tão pouco tempo.
Mas o facto de serem provenientes de continentes/regiões onde os direitos das mulheres são constantemente atropelados, quando não totalmente inexistentes e serem, para a grande maioria, nomes completamente desconhecidos, merece uma profunda e merecida reflexão.
Quem são de facto estas mulheres que dão ao Ocidente um exemplo de como a equidade de direitos se pode e deve fazer a partir da ideia de diferença: diferença na forma de fazer política; diferença na forma de olhar a sociedade; diferença na forma de estar no Mundo?
Nenhuma delas pegou em armas para fazer vingar as suas ideias e se fazer respeitar. Pelo contrário pegaram no exemplo de Mahatma Gandhi e optaram pela resistência constante, resiliente, pacifica. Não passiva, mas diferente - não beligerante.

Escrevia alguém que se o Mundo fosse governado por mulheres acabariam as guerras, pois que são o fruto das suas entranhas, pedaços de si, que tombam nos campos de batalha. Quiçá não acabariam, mas que seriam bem menos os conflitos, disso não tenho dúvidas.

O que hoje é notícia é a origem destas mulheres e o seu trabalho quase silencioso.
Á excepção de Ellen Johnson Sirleaf que conseguiu num continente onde, efectivamente o esteio da sociedade são as mulheres, mas as chefias dos clãs são masculinas, a proeza de chegar a Presidente da massacrada Libéria, as outras são praticamente desconhecidas.

Leymah Gbowee outra liberiana e a jornalista Tawakul Karman do Iémen conseguem pela via do galardão ser, finalmente ouvidas.

Estas mulheres que lutam pela igualdade de direitos, pela Paz, pela liberdade, devem ser olhadas pelo Ocidente e sobretudo por nós, mulheres ocidentais, como um exemplo.
O feminismo há muito que deixou de ser um movimento contra os homens ( aliás em boa verdade nunca o foi se bem que tivesse sido essa a imagem passada).
Hoje devemos afirmarmo-nos em toda a nossa diferença , pois que é ela que impulsiona o Mundo. Todos diferentes e todos iguais.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011









No próximo dia 8 de Outubro vai ter lugar no Porto uma marcha contra a Violência Doméstica।
Já estou a ver alguns encolher de ombros e a frase fatal: “Para quê? Não adianta!”. Mas estão enganados – adianta sim.
Adianta manifestarmo-nos contra um crime que por ser perpetrado dentro de portas, silencioso, embaraçoso, sobretudo para a vítima, acaba a maior parte das vezes impune e ignorado.
Não podemos de deixar de manifestar a nossa indignação contra os maus tratos que são no fundo a violência dos mais fortes sobre os mais fracos, os indefesos, os dependentes.
A definição de Violência Doméstica segundo a nossa legislação integra todos os crimes de maus tratos físicos, maus tratos psíquicos, ameaças/coacção, difamação/injúrias, subtracção de menor, violação da obrigação de alimentos, violação, abuso sexual, homicídio e outros em meio doméstico.
Destes só uma ínfima parte chegam ao conhecimento da APAV ( Associação Portuguesa de Apoio à Vitima) , que tem feito um trabalho notável, com a consciência clara da sua impotência face ao muro de silêncio que rodeia estes crimes. Não obstante os números que apresenta relativos ao ano de 2010 são assustadores e devem, sobretudo, envergonhar-nos.
Em 2010 chegaram à APAV 13 866 queixas de violência doméstica., das quais 1198 só no Distrito do Porto. Podemos facilmente concluir que esta é apenas a ponta dum enorme iceberg que se mantém submerso porque ocorre longe dos olhares e do conhecimentos públicos.
A maior parte das ofensas nunca chega a ser denunciadas e mesmo quando o são a intervenção é de tal forma cuidadosa e escrupulosa (coisa que o agressor nega às suas vítimas) que quando acontece é por vezes tarde demais.
É sabido que a violência doméstica não é apenas um crime que comete contra as mulheres ou os menores. O número de homens que ultrapassam o estigma da vergonha de serem eles as vítimas desta situação e que apresentam queixa, tem vindo a crescer.
Situações de crise económica e desemprego, despoletam exponencialmente esta tipologia de crime, o que significa que os números de 2011 serão superiores aos do ano anterior já de si assustadores.
Por isso é que uma marcha, uma manifestação, uma consciencialização, um movimento por esta causa, nunca é demais. Por isso é que no dia sete lá estarei, em plena Avenida dos Aliados a marchar pelo respeito pelo outro, contra a indiferença e a hipocrisia que deixa fora de portas os Direitos Humanos, só porque “ a casa de cada um é o seu castelo”. Só que os direitos feudais há muito que acabaram e há causas pelas quais vale a pena levantarmo-nos e indignarmo-nos.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

SAIA UM DIPLOMA PARA O MINISTRO! SEM CHEQUE POR FAVOR!!

Amanhã os melhores alunos do ensino secundário terão uma nova prova de que o esforço não compensa!


A questão de base não é tanto o facto de verem defraudadas as suas expectativas monetárias , se bem que nalguns casos como o relatado hoje no JN por uma dessas alunas, os quinhentos euros que agora lhes são negados, fossem essenciais para a aquisição de material escolar e outro. Não, o que está aqui em causa são dois problemas gravíssimos.

Por um lado a cada dia que passa a credibilidade do Estado como pessoa de bem diminui a olhos vistos. A palavra e o compromisso de nada valem e nem o facto de se apelar ao altruísmo forçado redime esta falta de cumprimento do prometido. Isto já sem falar na tal “ falta de comunicação” que o sr. Ministro da Educação admite ( em hipótese mais ou menos remota, note-se!) ter existido e que levou a que este desvio tenha chegado ao conhecimento dos interessados a dois dias da atribuição do prémio.

Diz o povo que todo o exemplo deve vir de cima. Com exemplos de falta de honestidade, de honra, de compromisso vindos do próprio Estado como querem que o cidadão actue? Que mensagem se está a dar? É a velha máxima do “ depois logo se vê” que é o grande cancro da nossa sociedade e que está na base da crise: ninguém cumpre os compromissos que assume. À imagem e semelhança da pessoa do Estado.



Por outro lado e tão ou mais grave do que este, está a forma como olhamos o mérito dos nossos jovens.

Durante vinte anos fui professora do ensino básico ( 2º e 3º ciclos).

Por várias vezes defendi que, à semelhança do que se fazia ( e muito bem ) com os alunos que apresentavam dificuldades de aprendizagem – Currículos adaptados, turmas reduzidas etc – se fizesse o mesmo para os alunos que se distinguiam pelo seu brilhantismo e valor. Fui apelidada de elitista e de outras coisas menos simpáticas.

O resultado era ( e continua a ser ) notório: um aluno que está bem mais avançado, que é brilhante, inteligente, acima da média, desmotiva-se, não só porque não se sente estimulado a evoluir, como porque cedo se apercebe de que o esforço, de facto não compensa.

Para quê ser excelente se lhe basta ser bom ou até suficiente?

O sistema de avaliação, que numa tentativa bacoca de democratização ( De quê senhores? De quê? Da mediocridade? ) é feito na base da escala de 1 a 5, é altamente desmotivador para estes alunos! Num nível 3 cabe desde o 49% ao 60%, e por aí fora. Convenhamos que é uma bitola bastante larga!

Ora um aluno que tenha 99% fica em pé de igualdade com um que atinge 80%. São ambos bons, sem dúvida. Mas um é melhor que o outro e isso deveria ser premiado!

Dir-me-ão que a verdadeira triagem se faz aquando das provas de acesso à Universidade. Isso é nada entender de psicologia e por isso nada mais falso. Um jovem que durante os nove anos de aprendizagem anterior verificou que não havia compensação no seu esforço, dificilmente consegue nos três anos seguintes inverter esse sentimento e essa atitude .

Resultado: continuamos a premiar a mediocridade e a despromover a excelência.



De facto era tudo o que neste momento se devia pedir a um Ministério da  Educação, Ensino Superior e  Ciência.

Bravo. Iremos oferecer-lhe o devido diploma.



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

MADEIRENSES INDIGNAI-VOS!


Se alguma mais valia trouxe a controvérsia da dívida da Madeira, foi termos assistido pela primeira vez ,a uma manifestação que não fosse de apoio a Alberto João Jardim.

Até ao momento o que transparecia para fora de margens era que todos os madeirenses à excepção de meia dúzia de irredutíveis opositores que estavam todos na Assembleia Regional e se podiam portanto contar pelos dedos das mãos, estavam de alma e coração com o líder.

O movimento “ Madeirenses Indignados “ foi lançado na rede social do Facebook pelo geógrafo e investigador Raimundo Quintal, juntou centenas de pessoas no sábado, no aterro do Funchal, para se manifestarem contra a dívida da Madeira e o governo desgovernado desde há décadas por Alberto João.

Como quando se vê acossado o líder madeirense desata a disparar contra tudo o que mexe, desde o governo da República, á oposição , passando pela comunicação social do continente e pela maçonaria, não tarda nada está a proibir a internet na ilha, remetendo-a para a lista da cabala que contra ele se constrói .

O homem tem o síndrome da perseguição e um ódio profundo à República,. Vai daí quando sente a terra a tremer-lhe debaixo dos pés, ameaça com a independência, o que deixa a população madeirense menos esclarecida empolgada numa cruzada que lhes parece muito próxima do Éden e como tal lhes é apresentada.

Mas não tenhamos dúvidas: a última coisa que o Alberto João quer é ser rei da Madeira!!! Inda se fosse rei , fizesse as leis a seu bel prazer e os outros pagassem os seus devaneios, vá lá! Agora o homem é um alto estadista . Está lá agora importado com tostões! Ou milhões que no final são o quê? Um conjunto de tostões, ora. Por isso é que ele se está “ borrifando” pra Moodys e pra Troika!

Mas foi o governo da tal República que na boca dele tem sempre uma conotação pejorativa, ou melhor os vários governos, que criaram este pequeno monstro.

Tudo começou com a criação duma off shore no arquipélago. Dizia-se que era para atrair o investimento estrangeiro. Quantas empresas estrangeiras se encontram lá instaladas? Quantos postos de trabalho criaram?

A off shore da Madeira é o trunfo do Jardim que sabe ter , na sua linguagem popular , agarrados pelo rabo meia dúzia de grandes barões. E são esses que tremem quando ele fala. Não porque temam as ameaças. Mas porque temem o que ele não diz mas sabe.

E assim no próximo dia 9 de Outubro lá vai o Rei nu ser reconduzido uma vez mais.

Até que a Madeira, toda ela se indigne.





quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O VALOR DA VIDA E A PENA DE MORTE

Á minha caixa de e-mail chegam várias petições para que subscreva a condenação deste ou daquele país que condenou à morte e se prepara para executar a pena. Regra geral são situações que decorrem na China ou em países árabes.


Nunca me chegou nenhuma condenando os Estados Unidos pela mesma prática! Deixei de assinar!

O que eu condeno não é o país : é o conceito de justiça baseado na Lei de Talião do olho por olho e dente por dente, que no extremo fará de nós todos cegos e desdentados!

Trata-se duma prática de justiça arcaica, desumana e que deveria ser completamente banida.

A existência da pena de morte nos EUA , com a agravante de se cingir a alguns estados e não ao país todo o que é um aberração, não dignifica em nada o mundo civilizado. E o silêncio dos restantes países ainda menos!

Por essa razão é que não posso pactuar com a hipocrisia vigente, que se insurge contra determinados países e se remete a um silêncio cúmplice em relação a uma potência que se arvora como baluarte da Liberdade e da Democracia no Mundo, conceitos que utiliza para justificar muitas das suas incursões e retaliações fora de portas.

O estatuto de potência dá-lhe impunidade e regime de excepção no que concerne à condenação deste tipo de conduta?

Como filha orgulhosa duma Pátria que foi a primeira a abolir tão desumana forma de justiça, revolta-me esta situação até porque, sabemo-lo bem, a justiça é tudo menos infalível. Além de que, por ser feita por homens e para homens , por mais isenta que seja é permeável à pressão da opinião pública muitas vezes condicionada ( para não dizer manipulada) por interesses que nada têm a ver com a justiça.

Quantos erros judiciais foram detectados tarde de mais?

A reabilitação póstuma do bom nome não devolve um ente querido, nem resolve o problema da família que se viu ostracizada e muitas vezes perdeu tudo o que tinha.

A execução hoje de Troy Davis que já na mesa da morte teve ainda a coragem para levantar a cabeça e reiterar a sua inocência à família da vitima, além da revolta do acto que condeno e apelido de bárbaro, leva-me a pensar: qual de nós a segundos de morrer quando não existe mais esperança, mentiria?

Estou em crer que o assassino hoje são os EUA.

Até quando?



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

PLANAMENTO FAMILIAR( NÃO É GRALHA NÃO!)

Então é assim, agora já entendo!
Os dois partidos que mais se bateram contra a despenalização do aborto tinham como objectivo o aumento da natalidade e não a protecção da vida, da dignidade da mulher etc etc como alegaram.
Como não se pode obrigar ninguém ( ainda!!) a fazer bébés, há que deixar de comparticipar a pílula e está o problema resolvido. Querem fazer amor, sexo? Ok mas só para procriar! Pergunto-me onde já ouvi isto!!
Num país onde as gravidezes indesejáveis em adolescentes continuam a crescer, em vez de se darem maiores condições de planeamento familiar, não. Opta-se pelo dois em um económico: Poupa-se nas comparticipações e com sorte aumenta-se, exponencialmente, a natalidade.
Corre-se, esá bem de ver, o risco do abandono e violência infantil, com instituições de acolhimento a romper pelas costuras,o aumento exponencial dos abortos ( o que queriam os dois partidos, aparentemente, evitar!), do consumo da pilula do dia seguinte ( que, assim como assim fica mais barato)...
Realmente não se entende! Quando teremos nós políticos que falem claro e tenham políticas consequentes e adaptadas à realidade? Ainda não entenderam que as pessoas estão cansadas que a cada dia lhes seja dada mais uma machadada na sua já precária qualidade de vida? É assim que querem evitar as manifestações nas ruas? Por este andar e com medidas de apoio d mográfico deste tipo correm o risco de em vez de milhares nas ruas tenham centenas de milhar.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O BATATOON DA MADEIRA

Ora aqui está o que acontece quando não damos importância aos palhaços!


Deixamo-los fazer malabarismos, dizer parvoíces, chegar mesmo a ser boçal porque... enfim... não passa dum palhaço desbocado. E assim deixámos entrar o bicho na Madeira. Primeiro deixava apenas um rasto de pó fininho: falava contra o continente como se o País estivesse dividido entre aquém e além mar, como no tempo do outro senhor. Deixámo-lo vociferar contra a liberdade de imprensa, deixámo-lo boicotar os jornais de tiragem nacional porque estavam num conluio contra a Madeira, permitimos-lhe que proferisse as declarações mais anti-patrióticas dos últimos tempos, contra os diversos governos da República à esquerda à direita ao centro. Ele era bordoada para todo o lado. E nos continuávamos a encolher os ombros e a sorrir benévolos: “É um palhaço!”



Mas o bobo da corte sempre teve um sonho: tornar-se rei da sua pequena ilha que aos poucos foi criando à sua imagem e manobrando a seu bel prazer.

De bicho da Madeira, transformou-se num monstro que já lá não vai com expurgo!

Sabe-se impune, uma vez que criou de mansinho uma off shore que muito agrada ao grande capital para o qual continente, ilhas, ínsuas, ilhotas ou país é tudo a mesma coisa, já que desconhecem o valor da palavra PÀTRIA.

Daí que, meu caro António José Seguro bem pode pressionar o nosso primeiro para que tome uma posição! Não o fará nunca! Mesmo sabendo que este buraco de dimensões colossais, agora descoberto e não iludido pelo tio Alberto João, vai atingir quer madeirenses quer “cubanos”, PPC está demasiado pressionado pelos bancos que vêm na madeira um jardim. Um Éden nas mãos do rei-bobo que fez de todos parvos e que se prepara para “ dormir na paz dos anjos” como faz questão de anunciar.

Afinal os palhaços fomos todos nós!


domingo, 11 de setembro de 2011

AS PALAVRAS DITAS, DITAM O HOMEM.

Terminou há poucas horas o XVIII Congresso do Partido Socialista e deu-se início ao Novo Ciclo defendido e apresentado pelo seu Secretário Geral António José Seguro e aclamado pelos delegados que não pouparam nos aplausos e nos elogios.

Podem alguns afirmar que as palmas e os elogios saíram das mesmas mãos e das mesmíssimas bocas que aclamaram, quase em apoteose, o anterior Secretário Geral, José Sócrates. Nalguns casos é verdade. Mas a grande maioria que hoje saiu do Parque de Exposições de Braga trazia uma esperança que há muito não via no rosto dos socialistas.

É que hoje ouviram falar, não um simples Secretário Geral, um mero candidato a Primeiro Ministro no longínquo 2015 mas sim um Estadista que ousa falar com palavras claras e ideias precisas sobre Portugal e o Mundo.

Há muito que não se escutavam frases onde termos como “ética”, “corrupção”, “ verdade”, “ clareza” fossem proclamadas tanta vez e fizessem tanto sentido. Pois que se as palavras, como por diversas vezes parafraseando, António José Seguro afirmou, estão gastas, estas pelo contrário, encontravam-se esquecidas, remetidas ao silêncio, quase novas no discurso político.

Falou de compromisso e de honra, afirmando que o Acordo com a Troika assinado pelo anterior Primeiro Ministro, será escrupulosamente assumido, não pactuando com os saltos de bom aluno que este actual governo pretende dar, espezinhando os portugueses por forma a ser bem visto em Bruxelas e sobretudo na Alemanha.

Falou de pessoas e para as pessoas, depois de muito tempo passado a ouvi-las, a falar com elas duma ponta a outra do País.

Não receou AJS lançar de Braga uma palavra de alerta à Europa afirmando sem medo e com todas as letras que é preciso encontrar um caminho sob pena daquela acabar por morrer numa praia de mero pendor económico, já que vem esquecendo as pessoas. Lançou o tema do Federalismo sem receio da palavra, demonstrado assim que tem uma ideia da Europa e ideias para a Europa.

Falou de Portugal e dum sonho.

As palavras ganharam uma nova força, um novo vigor e deixaram de estar gastas.



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ALMA LUSA/ ALMA MATER.




Foi com expectativa que li hoje no JN que o Secretário de Estado do MAI pondera analisar a Lei da Nacionalidade em vigor, uma vez que, nas suas palavras, houve um “abrandamento " dos requisitos da concessão da nacionalidade portuguesa, nos últimos anos.

Chamar-lhe um abrandamento é  no mínimo uma branda força de expressão!.

A atribuição da  nacionalidade passou a ser algo tão banal e fácil, que me leva a questionar sobre se ainda fará sentido falar-se em Nação.
Não restam dúvidas de que a alienação de parte da soberania foi o inevitável preço  a pagar pela pertença a um espaço europeu, que se quer uno. 
Mas negar-se a identidade dum povo é aniquilá-lo! Banalizar a pertença a uma Nação é retirar-lhe o carácter, esvaziá-la de conteúdo, apagar-lhe a História, numa palavra , matá-la.
Isto sem falar dos chamados " danos colaterais" que um tal facilitismo acarreta. 

Que o digam  os britânicos que se debatem neste momento com uma guerrilha  de carácter civil, já  que todos os contendores pertencem à mesma nacionalidade. É que os jovens de etnias diferentes ( que claramente são visíveis pelas câmaras), de culturas certamente diferentes, são cidadãos britânicos de pleno direito e súbditos de Sua Majestade!
O Reino Unido cometeu o grave erro de, após a descolonização, dar de forma bastante liberal, a cidadania britânica aos naturais das antigas colónias.
No nosso caso tal não implicaria grande problema uma vez que é bem sabida a miscigenação que existiu desde sempre e durante todo o tempo do nosso colonialismo, permitindo assim a emergência duma cultura comum que não põe grande problema à atribuição da nacionalidade aos nossos PALOPs.

Já o mesmo não aconteceu com a Grã Bretanha que, para além de ter tido sempre uma política de segregação, possuía territórios com culturas e religiões completamente diferentes e que nunca tentou sequer harmonizar ou integrar.

O problema neste momento entre nós é que Portugal tem vindo a levar a cabo uma política de aquisição de nacionalidade, baseada no facilitismo que chega ao ridiculo  a que já tenhamos nacionais que nem a língua, que supostamente deveria  passar a materna, falam.
 Isto é negar a soberania dum povo – o português - bem como oito séculos de história.

Neste particular muito temos a aprender com os EUA, onde para se ser americano não basta a mera permanência e a contribuição social: é preciso conhecer a história, a língua, a cultura.
Não consigo deixar de recordar a triste figura da nossa selecção há uns anos atrás onde só um ou dois sabia o hino do seu país e os demais limitavam-se a abrir e fechar a boca como peixes fora de água.

Enquanto acharmos que para se ser português basta apenas uns quantos anos de permanência em território nacional e outros tantos anos de contribuições para a Segurança Social, estaremos a negar a nós mesmos o direito a nos intitularmos de portugueses.

Ser português é conhecer o país que nos viu nascer ou que nos acolhe, conhecer-lhe os contornos da História, da Cultura, da Língua, da religião vigente...
Ser português tem que ser muito mais do que possuir um Cartão de Cidadão.












terça-feira, 9 de agosto de 2011

A EUROPA JÁ ESTÁ A ARDER?








Ao que conta a História, Adolf Hitler, quando tudo se revelava irremediavelmente perdido, terá perguntado ao exército se Paris já estava arder, numa política de terra queimada.

Foi esta a frase que me assaltou ontem ao ver as imagens de Londres , a cidade que desde o grande incêndio tem pânico de fogo e que nos últimos dias ( noites) tem estado a arder.

Não são imagens novas as que têm feito abertura dos telejornais desde há dois dias. Já as tínhamos visto anteriormente num cenário diferente: França viu-se a braços com uma onda semelhante e o mesmo aconteceu à Alemanha embora aqui a situação tenha tido um controle mais rápido e eficaz.

Vimo-las mais recentemente nas ruas da Grécia, se bem que neste caso os analistas afirmem que foram questões de índole ideológica e política que estiveram na base dos conflitos.

Seja quais forem as teses que se encontrem para explicar o fenómeno desta violência urbana que avassala a Europa, não se pode negar que existe um padrão comum: Jovens, na sua maioria segundas e terceiras gerações de imigrantes, vivendo em bairros guetizados, desintegrados socialmente e a quem as medidas de austeridade impostas pela grave recessão que grassa pelo Mundo , atinge particularmente, saem para as ruas em protesto contra uma autoridade que não reconhecem e desafiam.

Não restam dúvidas que existe um claro aproveitamento por parte de gangs que entretanto se foram constituindo nestes bairros e que a coberto de alguma contestação social ( que - não nos esqueçamos - começa por regra de forma pacifica.) aproveitam para vandalizar, pilhar e até ajustar contas entre si e as forças de segurança, levando um protesto legitimo a resvalar para uma verdadeira batalha campal.



A Europa duma forma geral, sofre do mesmo síndrome : a culpabilização histórica. Como tal a tendência é confundir a tolerância com o paternalismo e aceitar práticas que vão contra a nossa cultura, os nossos princípios e muitas vezes a nossa própria lei , em prol dum liberdade de culto, de cultura e de etnia.

Resultado: não criamos políticas de integração e fomentamos o aparecimento de verdadeiros guetos.

A Europa já está a arder sim. O rastilho foi ateado e o alastrar do ferro e fogo é uma questão de tempo.

Aliás, se estivermos atentos conseguimos já sentir no ar o cheiro a pólvora.



segunda-feira, 1 de agosto de 2011

NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS DE FACTO!!

A dúvida é quem comeu o quê e de quanto foi a continha.
Sim porque o rombo da venda do BPN aos angolanos é o que se chama um negócio...das áfricas.
Ora vamos lá ver: a malta meteu naquelev buraco 2000 milhões e vendemos  por 79. É só fazer as contas!!
O colonialismo ao revés.
Completamente !! E sem cachet!!!
Não é por acaso que o nosso Primeiro se intitula africanista. Mas que diabo podia ser um bocadinho memnos não?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

(IN)TOLERÂNCIA = ESTADO DE ALERTA

Europa sob mira?
O que se passou na Noruega , para além de me chocar como a todo o Mundo deixa-me profundamente preocupada!

Temo que se esteja a encarar o acontecido como o acto tresloucado dum jovem de ultra direita e nada mais.

No entanto não nos encontramos perante um acto de serial killer, com alterações de personalidade, mas antes duma acção consequente com um ideário que o próprio fazia circular nas redes sociais. E não era, nem é, o único!



As ideias xenófobas apresentadas como móbil para actos violentos e que assaltam periodicamente os meios de comunicação deixando rastos indignados por parte da Opinião Pública, acabam invariavelmente por cair no esquecimento sem que sejam devidamente analisadas.

A pergunta que se impõe é saber porque razão, em pleno Séc. XXI, século por definição da grande aldeia global quer a nível das trocas de informação, quer no que concerne à mobilidade de pessoas e bens, fervilham este tipo de ideias, contrárias á liberdade e aos direitos inalienáveis da pessoa humana. Mais, porque razão tais ideias encontram eco nas gerações mais jovens que por definição deveriam ser mais tolerantes e inclusivas.

Quase em simultâneo a conhecer este massacre e a arrepiar-me com a frieza do acto, dei por mim a ler um post no blog Fio de Prumo de Helena Sacadura Cabral onde ela reflectia ( e bem, como é seu hábito) sobre os fluxos migratórios na Europa fazendo, uma pausa concreta no panorama português.

Concluía ela que ao mesmo tempo que estamos a receber imigração, na sua grande maioria de mão-de-obra, estamos a obrigar jovens altamente qualificados a rumarem para o exterior .

Reflectindo sobre estes dois acontecimentos que a priori poderiam parecer nada ter em comum, não pude deixar de recordar também outros, quase varridos da memória e que envolveram manifestações violentas em diversas cidades europeias, nomeadamente em França e na Alemanha e atentados contra residências de imigrantes.

Será que, paradoxalmente, estaremos nós com as políticas de imigração adoptadas, a instigar comportamentos de intolerância e xenófobos?

Que pode sentir um jovem português que tem que deixar as suas referências, família, amigos, raízes, pegar no seu diploma e rumar para a diáspora, sabendo que um outro com as mesmíssimas habilitações ( por vezes menores até) virá ocupar um lugar que deveria ser seu mas que por uma questão económica é preterido por mão –de –obra, neste caso intelectual, mais barata? Não se sentirá revoltado? Não desenvolverá algum sentimento de intolerância?

Quando o desemprego na Europa atinge níveis quase intoleráveis, as politicas de imigração têm que ser revistas e muito repensadas, por forma a não fomentarem comportamentos de revolta nas camadas jovens.

A Europa tem que ser inclusiva, necessita de imigração e deve continuar a tê-la. Mas não pode ter na base desta política, questões meramente economicistas do tipo mão de obra barata e aumento demográfico.

Diziam os antigos que a solidariedade começava em casa, na família e isso é a base da união. Talvez que a União tenha que pensar um pouco mais nisto.

Os critérios de democracia e de liberdade, base da sociedade europeia e ocidental, têm por vezes um efeito perverso : o de aceitar todas as diferenças, todas as ideias, mesmo quando colidem com a estrutura social que é nossa referência e essência. Talvez que a tolerância tenha que, paradoxalmente , ser intolerante em determinadas questões básicas, a fim de a todos, sem excepção, incluir.



quinta-feira, 21 de julho de 2011

EIHN??!! NÃO SE IMPORTA DE REBOBINAR?

...pelo menos até à data em que era oposição, pode ser senhor PM?
É que a sua posição faz-me lembrar aquela anedota do indivíduo que, num comício vociferava contra o orador." Abaixo, abaixo!!!"- dizia.
Farto de tanta contestação , o orador convidou o homem a subir ao palanque e dizer de sua justiça.  Porém o homem assim que subiu calou-se, olhando a multidão. Pergunta-lhe então o outro porque não dizia agora o que tanto gritava antes. resposta do homem : " É que agora estou deste lado!"

Pois com o PPC aconteceu a mesma coisa.Enquanto estava "do lado de lá" nem pensar em cortar nas receitas! O que era preciso era emagrecer o aparelho do Estado e cortar na despesa.
Resultado da passagem para o outro lado: 
1ª medida- corte nos subsídios de Natal .
2ª medida - aumento da gasolina
3ª medida - aumento dos transportes públicos.

Senhor Primeiro Ministro estou em crer que a malta gostava mais de si antes.
Que tal começar a pensar em descer do palanque? Agradecida!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

UMA IMAGEM VALE BEM MAIS QUE MIL PALAVRAS!

Elevação, unidade e partilha de ideias, estiveram presentes no último debate entre os dois candidatos à liderança do PS ontem no Sheraton do Porto.


Sedentos desta forma de viver a política, de debater ideias sem limitações, muitos dos militantes do Partido Socialista que, como eu se tinham afastado desiludidos e cansados, reconciliaram-se com a sua família política de sempre ao sentir que este partido tem futuro pois que retoma os velhos ideários que foram sua bandeira, sua luta e seu orgulho nos tempos mais difíceis que o nosso País atravessou.

Este é mais um desses momentos. Um momento em que Portugal e a Europa procuram soluções para a profunda crise em que mergulharam nos próprios culpados - os mercados e o seu desenfreado ultra liberalismo - há que levantar a voz e dizer que o importante são as pessoas! Que é imperiosa a solidariedade, baluarte dos pais fundadores da União Europeia. Que a economia e a política têm que estar submetidas à ética. Que antes de sermos consumidores somos cidadãos. Que o estado não pode abdicar do seu papel regulador nem pode a qualquer preço desbaratar a sua soberania.

Para tal é preciso um Partido Socialista forte, unido, renovado na reflexão e no retorno às suas origens ideológicas. Com ética, com verdade, com ideias, com participação, com garra e espírito combativo, positivo e cooperante sem abdicar dos seus ideários. Com um só objectivo: Servir Portugal.

Não escondo o meu total apoio ao António José Seguro nesta sua caminhada para Secretário Geral do PS.

Tão pouco nego que gostaria de o ver como o próximo Primeiro Ministro.

Foi por isso que ontem me emocionei com esta imagem.(nota) Porque se as palavras estão gastas, os gestos esses ganham cada vez mais, força e vigor.


NOTA : A imagem era outra mas ao que parece ninguém se lembrou de  a fotografar. Mas eu descrevo: Os candidatos de mãos erguidas e unidas saudando os militantes. às vezes as palavras acabam por salvar as imagens.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

ABAIXO AS GRAVATAS!! VIVAM AS XANATAS!!!!!!


Acabemos com as gravatas para poupar na factura do ar condicionado - dixit

A medida implementada pelo Ministério da Agricultura ( e já agora do Mar , do Ambiente e do Ordenamento, doravante designado por 4 em 1), embora tenha revestido a subtileza de " recomendação", não deixa por isso de ser uma das mais importantes, estruturantes e porque não dizê-lo? imprescindíveis medidas que alguma vez foram tomadas por qualquer ministério em geral e por um ministério que tutele a Agricultura ( e já agora o... 4 em 1 ) em particular.


Como é que nunca ninguém antes se tinha lembrado de, como medida de poupança e alto rendimento bastava tirar a gravata??!! Eu sei que o Ovo de Colombo também foi assim tal e qual: depois de feito qualquer um faz. Mas realmente pela simplicidade da medida, pela solução que representa e os resultados que se adivinham só pode merecer a nossa profunda admiração, respeito e aplauso. ´

mas só irei aplaudir de pé quando a medida for levada mais longe. sim que isto não vai lá com paninhos quentes, como bem saberá a srª Ministra a braços com um ministério gigantesco e que se resolve como se vê com medidas duma simplicidade direi mesmo infantil.

Imperioso é agora alargar-se aos sapatos. Fora com os sapatinhos de verniz e meias pretas. recomenda-se as havaianas, ou chanatas para os mais conservadores. Para estes últimos e a título excepcional e devidamente justificado, poderão ser autorizadas o uso de meias de algodão beije até ao joelho. Deverão também ser incentivado o uso de calções e mini saias para as senhoras ( acompanhadas das respectivas havainas neste caso SEM excepção a não ser com atestado médico ) e corsários para os homens.

Ao nível superior ( do corpo está bem de ver ) será amplamente divulgado o uso de tops para as senhoras e t-shirts de cavas para os cavalheiros.

A minha felicidade e esperança neste governo não tem limites!! Entre esta forma informal de trabalhar que implica uma clara resolução dos problemas do sector e o tratamento pelo nome próprio aos ministros ( medida até então apenas implementada pelo Álvaro mas que não duvido se vá estender aos restantes dada a enorme mais valia que representa ) num tu cá - tu lá que aproxima o cidadão comum dos seus governantes, estamos feitos! Isto no bom sentido está bem de ver!!!

domingo, 10 de julho de 2011

COTAS NEM AS LEITEIRAS!!!


Se querem ver-me fora de mim é falarem-me em "cotas".
Fico logo com vontade de os mandar pastar. Sim, que isto de " cotas" nem as do leite do funesto PAC que tiveram o lindo resultado que se sabe, quanto mais!
Por isso de cada vez que ouço falar de " cotas para mulheres" ou "cotas para deficientes" fico uma fera!!!
Não conheço nada mais discriminatório, mais  sectário. do que a implementação de lugares cativos . È a atitude mais hipócrita, com a qual sempre me recusei e continuo a recusar, pactuar. E muito me entristece que haja mulheres que não se insurjam contra este status quo que,  sob a capa duma falsa igualdade de oportunidades, semeia migalhas com que adorna o panorama politico e social.
De cada vez que ouço  que é preciso uma mulher para esta ou aquela lista, este ou aquele comité, sem  que tal seja acompanhada de nenhuma razão válida de competência ou visão mais adequada à questão em causa. a minha reacção é por norma sugerir a compra dum jarrão numa loja de chineses.
Fica bem, é vistoso e nem sequer é preciso ligar-lhe muita importância. Basta ter cuidado para que não se parta.
O problema é que muitas se prestam a um tal papel alegando que : do mal o menos. Pois eu cá digo que se é para ser mal então que seja o mal maior. Males menores são sempre os insidiosos, aos quais não damos grande importância, com os quais nos resignamos e que crescem até nos sufocarem.
A igualdade de oportunidades tem que ser definida pela competência. Qualquer outra forma coloca-nos sempre na posição indigna de indigentes.


quarta-feira, 6 de julho de 2011

MAS CÁ GANDA NOVIDADE! ( DE ACORDO COM TODA A GERAÇÃO À RASQUINHA)

O JN publicou ontem aquilo que considero tocar o limiar da " não notícia", uma vez que não acrescenta nada de novo a quem lê.

Ou melhor sim: evidencia as flagrantes desigualdades sociais dentro da Zona Euro que cada vez mais se parece coma Twilight Zone!

A noticia intitulada " Portugueses na cauda das doações para beneficência" , dá como certo ( coisa que nem nos passava pela cabeça !!!) que somos o povo que menos contribui para causas beneméritas.

Bom eu cá sempre ouvi dizer que a caridade começa em casa ! Ora eu nunca me lembro de ver ( e como gostava de nunca ter visto tal!!) no meu país tanta gente à porta das popularmente denominadas "sopas dos pobres". Estavam à espera que contribuíssemos para onde, se os salários se esvaem entre um cabaz essencial cada vez mais magro e mais caro e os impostos que não param de subir?

De espantar é que mesmo assim " um quarto dos portugueses doam dinheiro todos os anos ". Isto é quanto meninos das estatísticas?? Seja lá o que for é meritório porque um quarto como diz o JN é nas minhas contas 25%. O que nos torna além de pequeninos, pobrezinhos mas mesmo assim SOLIDÀRIOS!


segunda-feira, 4 de julho de 2011

UM NOVO CICLO- PORQUE AS PALAVRAS SE ENCONTRAM GASTAS

Houve um tempo que ser Socialista era sinónimo de Liberdade, de Estado Social, de Sociedade dos Cidadãos, de Esperança.
Mas de facto as palavras gastam-se, sobretudo quando colocadas nos lábios errados. Gastaram-se as palavras e perderam em valor o que ganharam em descrédito.
Talvez por isso mesmo, porque me doía esse vazio das palavras, que me sinto tão preenchida e esperançosa com este NOVO CICLO anunciado por António José Seguro. É que na sua voz as palavras deixaram de ser vazias porque são pronunciadas olhos nos olhos, sem escamotear questões ou levantar falsos tabus, dando nomes às situações, aos protagonistas e às coisas, retomando o peso que nunca deveriam ter perdido.
Foi com imensa satisfação que voltei a ouvir a palavra "ética" no contexto certo, e de uma outra que tão arredada estava do vocabulário político - " exemplo"
Que escutei o compromisso com Portugal e com os portugueses, reflectido numa oposição responsável, construtiva e positiva, capaz de aplaudir as medidas que o governo do país venha a tomar desde que não firam os princípios básicos do socialismo, em prol dum objectivo nacional.
Gostei de ouvir ( finalmente!!!!!!!!) uma estratégia para o país e para a Europa, consequente, séria, explicada com palavras que, por serem simples e de fácil entendimento, ganham nova força e conteúdo.
Desenganem-se os que acham que " este é um candidato para queimar"; " jamais chegará a lado nenhum" " é apenas uma transição". Desenganem-se, repito!
A proposta em forma de moção apresentada por António José Seguro, não se limita a ser uma proposta interna, somente para ganhar o partido.! É uma proposta sólida, credível, clara, arrebatadora, sem falsos facilitismos mas sem derrotismos apocalípticos, para PORTUGAL.
António José Seguro afirma ter a ambição de conquistar de novo a confiança e o entusiasmo dos Portugueses. A mim seguramente, já o fez.
E pela esperança que em mim renovou, bem haja!!!



quarta-feira, 15 de junho de 2011

EM NOME DO SUPERIOR INTERESSE

Há coisas que por mais argumentos que me apresentem, por mais que pense, não consigo entender! Não consigo, pronto!
De cada vez que oiço a expressão " Superior interesse de..." fico logo de orelhas ao alto à espera de mais uma decisão a bradar aos céus!
E quando o " superior interesse" culmina com a palavra " criança" eriçam-se-me os cabelos da nuca e quase entro em pânico.
Quantas atrocidades se cometem em nome do "superior interesse da criança"!
Retiram-se crianças que se encontram à guarda de terceiros, com base no argumento de que os filhos devem estar com os pais, mesmo que estes o sejam apenas de nome.
Arrepiam-me o número de casos de crianças que, após terem sido "devolvidas" -  como se fossem uma mercadoria que tivesse sido roubada - aos progenitores, acabam nos bancos de hospital ou na morgue. Vêm depois os remorsos, a indignação,  o passa-culpas e a situação repete-se uma e outra vez. A tragédia duns nem sequer evita a de outros. Os mesmos erros, as mesmas sentenças, o mesmo resultado.
Há bem pouco tempo, em conversa com uma amiga mãe de cinco filhos (5, note-se!) todos eles  jovens adultos, com uma situação financeira estável e confortável ,com um instinto maternal como raramente vi, constatei  uma vez mais que o "superior interesse da criança" é, por definição, uma batata!!
Esta minha amiga e o marido decidiram  que,  agora que a casa se tornara um pouco vazia  uma vez que a maior parte dos filhos tinha abandonado o ninho, estava na altura de darem o imenso amor que fizera das suas crianças homens, a um menino que o não tinha.
Ainda jovens , menos de cinquenta anos, sentiam-se perfeitamente capazes de adoptarem uma criança, de o criarem como seu, de lhe dar um lar.
Deram inicio ao processo de adopção e o calvário começou.
As entrevistas foram inúmeras: " Faltou perguntarem-me o número dos sapatos!" e as situações tocaram o caricato. A gota de água foi a imposição da senhora da Segurança Social em que a criança tivesse um quarto só para ela! Todos os cinco filhos do casal tinham partilhado o quarto com um ou mesmo dois irmãos, essa questão nunca se colocara. Aliás a partilha do espaço alicerçava laços e intimidades. Mas para a Segurança Social a criança precisava do seu espaço ! Numa casa enorme rodeada de jardim de facto uma criança vinda duma instituição onde dorme numa camarata com uma dezena de outros, o espaço torna-se, efectivamente, exíguo!
Desistiram!
Como eles, muitos outros deixaram de lado a ideia da adopção. O processo é tão lento, tão doloroso que esmorece qualquer um. Seria mais fácil se em vez de bébes as pessoas optassem por meninos em idade escolar, contrapõe o sistema. Pois! Mas o processo está definitivamente inquinado! As instituições recebem subsídios de acordo com o número de crianças a cargo, o que desincentiva essas mesmas instituições a  promoverem e agilizarem processos de adopção. Assim as crianças vão -se quedando abandonadas, crescendo de instituição em instituição, criando as defesas próprias de quem tem que sobreviver sem uma familia e muitas vezes sem valores, deslizando, não raras vezes , para a marginalidade. Ninguém arrisca a adopção duma criança assim. É duro, é desumano, mas é real.
Está na hora de se passar dos projectos à prática. Falou-se em tempos , na criação duma rede nacional de adopções? Que é feito?  Neste momento sabe-se, concretamente , quantas crianças estão para adopção e quantos são os candidatos a acolhê-las?
Não faz sentido haver  tantos braços à espera e tanta criança sem colo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A TRADIÇÃO É AINDA O QUE ERA!!

Aqui numa nesga de terra que todos esqueceram, olhando a aldeia empoleirada numa raia que não divide, não separa, aqui sinto-me em casa.
Hoje é santo António na minha aldeia. Hoje Nave de Haver volta a recordar outros tempos.
Os toiros já não são " roubados" mas sim alugados a ganadeiros de perto e de longe. Mas a aficion, a vontade de fazer reviver os mesmos tempos, essa mantem -se no mesmo grito : " Já lá vêm!!"
Tal como ontem;

"...Ao fundo da aldeia, para lá das hortas do linteiro, ficavam os Campanários, pequeno pedaço de floresta ibérica, pertença dos irmãos do lado e pasto de meia dúzia de toiros bravos.


A guerra civil significa exactamente o que afirma: as baixas são homens e mulheres que nada têm a ver com políticas, ideologias, conflitos e que têm a pouca sorte de serem habitantes duma terra que outros põem a ferro e fogo. Mas esta guerra, talvez por ser fratricida, tenta poupar até ao limite as infra-estruturas , os monumentos , as coisas. Só no limite tudo é arrasado em política de terra queimada e semeada de sal.

Depois dos Campanários, resistindo aos ventos e à demência da guerra, ficava Águila uma pequena ganadaria que ia sobrevivendo graças à afficion das aldeias e vilas em redor.

As touradas, como qualquer outra tradição de folguedo, resistem nas situações mais adversas. É o espírito humano que se recusa a vergar e se manifesta nas pequenas extravagâncias com as quais tenta fintar o medo numa ilusão de normalidade.

Os não aficionados olham as touradas como um espectáculo bárbaro, reminescência dos antigos circos romanos. Não podiam estar mais errados! Claro que é um espectáculo de sangue! Mas também o são os combates de boxe e qualquer corrida de cavalos implica um enorme esforço por parte do animal.

Em arena não se defrontam a inteligência contra a força bruta, como argumentam alguns. Essa é uma perspectiva injusta quer para o toureiro quer para o touro uma vez que negam a um a valentia e a outro a inteligência.

Os toiros de lide existem apenas e só para serem toureados. São uma raça de animal que o homem apurou como o fez com inúmeras raças de cães, para um fim específico: terem galhardia, ferocidade, inteligência, força e beleza para serem defrontados por um homem em clara inferioridade física, munido dum pedaço de pano e de bandarilhas que mais não fazem que aumentar a ferocidade do animal. Não servem como gado de carne, pois que são duros como cornos e muito menos como gado leiteiro. São atletas de alta competição, todo eles músculo. Poucos sabem que, muito embora sangrem quando bandarilhados, a zona do cachaço não possui terminais nervosos, pelo que o bom [do] toureiro é aquele que coloca as bandarilhas no local exacto a não provocar dor.

Mas nada disto importava aos rapazes que na noite de 12 para 13 de Junho dormiram ao relento nas hortas. Durante todo o dia tinham transportado os carros de bois carregados de lenha para as eiras onde improvisaram uma arena . As ruas dentro do possível, tinham-nas “ fechado” de modo a fazerem uma grande manga desde a periferia da aldeia até ao local onde iriam provar a sua valentia defronte dos bichos que se preparavam para pedir de empréstimo. Estavam cansados, mas a excitação impedia-os de encontrar o sono e foram poucos os que conseguiram dormir alguma coisa ali, debaixo do imenso céu estrelado .

Cada um levara a alimária que possuía. A grande maioria retirara à corte da família o burrito que habitualmente ajudava nas lides da terra. Outros mais abonados apresentavam-se de machos, híbridos e teimosos, meio asno meio cavalo, mais robustos mas bem mais difíceis de controlar. Só os filhos das grandes famílias exibiam cavalos, quase todos andaluzes, belos de crinas longas negros, lustrosos, nervosos de narinas aspirando o ar como se conseguissem sentir o cheiro dos toiros do outro lado dos campos.

Mas ali, debaixo das estrelas e envoltos em mantas, sentiam-se todos iguais pois que o mesmo objectivo, a mesma excitação os irmanava.

Não era a primeira vez que se aventuravam daquela forma, mas aquela era uma aventura oficializada pela festa e pelos seus organizadores e isso dava um carácter oficial à coisa! Havia até quem dissesse que o próprio pároco tinha dado o seu amén à iniciativa, mas isso era demais. Afinal sempre se tratava dum roubo! Não seria bem bem um roubo mas um empréstimo com usufruto e isso decerto ia contra algum preceito da Igreja logo nem o padre Francisco poderia abençoar.

Mal suspeitavam eles que a essa mesma hora também não se pregava olho de excitação na casa paroquial. Como padre, Francisco não pudera participar na euforia da preparação do grande evento com que a aldeia pretendia homenagear Santo António. Mas através do sobrinho contribuíra com os seis carros de bois carregados de lenha para o redondel. Agora rebolava-se na cama pedindo ao santo que protegesse os rapazes que em seu nome iam cometer um pequeno crime do qual os absolvia antecipadamente.

Assim que a primeira claridade surgiu, puseram-se os rapazes a pé. Partilharam o pão e a carne frita que haviam trazido e a borracha do vinho acre passou de mão em mão. Os risos e o barulho da noite anterior foram substituídos pelos sons abafados que costumavam usar em noites de contrabando. Até os animais pareciam entender aquela necessidade prudente de silêncio.

Em fila indiana dirigiram-se para os pastos espanhóis onde os toiros aguardavam que os tratadores lhes viessem reforçar o desjejum com grandes baldes de farinha que colocavam em pias estratégicas. Era nessa altura que agiriam. Mais interessados em satisfazer o apetite do que em prestar atenção ao que se passava em seu redor, os toiros estariam vulneráveis a serem cercados e guiados. O momento teria que ser quase milimetricamente correcto. Deveriam aguardar que os tratadores se afastassem e que os animais por sua vez se aproximassem das tinas. Havia tempo! Tratadores e tratados respeitavam as distâncias e tinham os seus próprios timings. Mas um descuido podia deitar tudo a perder. Não eram os toiros que os preocupavam mas sim os homens que, caso dessem conta do que se preparava, não hesitariam a atirar.

- Os gajos estão todos armados até aos dentinhos, carais! E olhai que não têm cartuchos de sal. Aquilo ali é chumbo grosso que atira logo um home prós injinhos em menos dum fósforo – tinham comentado uns e outros na véspera.

Por isso mesmo mantiveram as montadas controladas e camufladas na vegetação até não haver dúvidas de que estavam sós.

Calmamente e de acordo com o planeado ( “ eu mais o Vasco à frente . tu.tu , tu e tu a fechar e os outros ao redor”) dirigiram-se à tina mais próxima onde seis lustrosos e grandes animais comiam placidamente.

O instinto é a defesa mais secreta e eficaz de qualquer ser, humano ou animal! O primeiro suspendeu a refeição, ergueu a cabeça nobre e aspirou o ar. Foi o suficiente para dar com eles.

Carregou contra o cavalo de …. mas o animal lançando mão das suas reminiscências andaluzas inscritas num código genético qualquer, aguentou a carga e redopiando sobre si mesmo colocou-o entre as restantes montadas que já se tinham posto em posição .

Os demais, quem sabe ainda atordoados pelo súbito aparecimento ou porque aquele fosse o chefe da manada, não tardaram a segui-lo no cercado móvel feito pelos cavalos.

Em poucos minutos estavam reunidos seis touros que pareciam quase dóceis assim guiados pelos campos. Os rapazes conheciam–lhes as manhas! Sabiam que não tardavam a olhar em redor e a tentarem sair das baias improvisadas. Era preciso apressarem-se a chegar ao final dos Campanários. Depois podiam pô-los a correr entre si, num passo que, embora representasse maior perigo para que um ou outro fugisse, era mais seguro para o êxito da empreitada.

A trote rápido tentando até ao limite do possível manter o silêncio, o grupo chegou à confluência entre os terrenos dos Campanários e o Linteiro. Ali era terra de ninguém. Outros lhes chamariam fronteira, raia. Para eles naquele momento era a linha que marcava o sucesso da aventura. Exultantes, ufanos, meteram os bichos a galope incentivando-os com gritos. Atordoados os touros tentavam encontrar uma escapatória lateral mas o ritmo a que os obrigavam não lho permitia. Nem mesmo os burricos que seguiam mais atrás os poupavam, correndo a toda a velocidade que as suas curtas patas lhes permitiam, de ventas no ar como se fossem transformar-se dum momento para o outro em corcéis árabes.

Os primeiros garotos que lhes saíram ao caminho saudaram-nos e deram o alerta a toda a aldeia:

- Já lá vêm! Já lá vêm!"