Estaremos de facto assim tão genuinamente chocados? Ou o que nos choca é o nosso papel, mesmo passivo, mesmo colateral nesta sociedade de números, de ter e haver, onde o Homem, deixou de ser a medida de todas as coisas e foi substituido por palavras de significados vazios e que não correm risco de nos atormentar a consciência como produtividade, dívida externa, emprego/desemprego, dinheiro, contas, carreira?
Há muito que somos uma sociedade contabilística que votou os seus idosos ao abandono em lares que , de onde em onde , são notícia por se revelarem verdadeiras antecâmaras de morte e que nos chocam uma vez mais. Somos uma sociedade que se esquece dos que já não produzem, empurrando-os para a mendiciddae e para a humilhação mais desumana, para o esquecimento, para as franjas do infra humano. E temos a coragem de nos sentir chocados? Temos a coragem de tentar encontrar culpados das situações que agora, como se fossem cogumelos, começam a surgir?
Há quanto tempo ( tanto tempo!!!) elas existem? Há quanto tempo nos deixámos de importar?
Não me sinto chocada, não. Sinto-me envergonhada. E com medo. Sim, porque no fim todos acabamos por morrer sozinhos.