Da imprensa de hoje retenho duas notícias que, à primeira vista, nada têm a ver uma com a outra.
A primeira é sem dúvida , o discurso do senhor Presidente da República e as reacções que desencadeou.
Não comentando as gaffes mais ou menos inocentes do protocolo que arremessaram o PM para nono na lista dos cumprimentos, coisa à qual o próprio não foi de cerrteza alheio, o discurso foi tudo menos inócuo. Ao contrário do último mandato do seu autor que, como estamos bem lembrados, colocou o nim no novo acordo ortográfico.
De destacar o apelo à juventude, à rasca ou não, para que se manifestasse, para que viesse para a rua. Ora se a magistratura do PR é, essencialmente uma magistratura de consenso este apelo é no minimo controverso, dando razão aos que viram neste discurso, não o PR equidistante e soberano mas sim o lider partidário , cuja função será abrir caminho para a transição.
Talvez o que mais me custou ouvir foi a referência ao e cito :" potencial competitivo de sectores como a floresta, o mar, a cultura e o lazer, as indústrias criativas, o turismo e a agricultura, onde detemos vantagens naturais diferenciadoras". Esclareçam-me: este não é o mesmo senhor que quando foi Primeiro Ministro desbaratou o nosso sector primário, vendendo-o à Alemanha e à França, com o argumento imediatista e popular dos subsídios para a destruição do que era nosso? Vem agora dizer que " a redução do défice alimentar é um objectivo que se impõe levar muito a sério, tal como a remoção dos entraves burocráticos ao acesso da iniciativa privada à exploração económica do mar." ?
É de facto penoso, preocupante e até ultrajante a falta de memória dos nossos políticos!! As suas opiniões mudam, não com os ventos, mas com o cheiro que emana dos vários poderes.
E a outra notícia foi a descoberta que a ciência fez sobre a evolução do pénis humano e a sua perda gradual de espinhas. Ao que parece facilita a penetração!
quinta-feira, 10 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
A VOZ DO REI
Desta vez não me apanharam com os olhos do tamanho de pires a ver o Oscares até às quinhentas!!! Graças às novas tecnologias pude dormir descansadinha, enquanto o aparelho lá ia gravando a cerimónia que ontem, cedo e a boas horas, vi muito enroladinha na minha manta preferida e de chávena de chá na mão. Tanto pior se já conhecia os vencedores!! Afinal os Óscares são gala, glamour e espectáculo. O resto é uma estatueta ( bem feia por sinal! ) e agradecimentos às caras metade das quais se irão divorciar passadas semanas mas que foram " imprescindiveis, incontornáveis , no seu apoio, benza-as Deus".
Pois eu este ano quase que fiz o pleno. Senão vejamos : vi o " Alice no País das Maravilhas" do Tim Burtom que, se não me encheu as medidas também não me fez bocejar ou chorar o preço do bilhete o que já não é mau.
Vi o " Cisne Negro" que me prendeu ao ecran do início ao fim. Os bastidores da companhia de bailado transportaram-me ao tempo em que queria ser bailarina ( não queríamos todas?). Está bem, é a história duma mulher com um enorme desiquilibrio emocional, controlada por uma mãeque projecta na filha as suas frustrações mas lá que é um belo filme lá isso é. Até a actriz principal que sempre me pareceu um pãozinho sem sal se revelou de tal maneira que arrecadou a estatueta. Merecida.
Assisti à "Origem", uma película que me deixou assim sem saber muito bem como. Um misto de Matrix e Lara Tomb mas com uma espectacularidade inegável.
Vi o " Discurso do Rei" na noite em que era galardoado com 4 Óscares e... amei!! Um filme simples do ponto de vista dos efeitos especiais, aparentemente parcimonioso em recursos mas duma beleza conseguida com base em interpretações sublimes. O espectador é levado a uma empatia tal com o pobre rei gago que dá por si a tentar concluir as frases que não saem ao monarca.
Um filme que me fez pensar nas resiliência e em como esta está tão longe da maioria dos nossos dirigentes. O percurso dum rei que reconhecendo o seu handicap e sabendo o impacto que tal teria nos súbditos, decide-se a tudo fazer para se ultrapassar. Para não ser alvo de chacota, sem dúvida. mas sobretudo para poder assumir, sem hesitações, o seu papel de voz do povo.
Por algumas horas fui completamente monárquica.
Pois eu este ano quase que fiz o pleno. Senão vejamos : vi o " Alice no País das Maravilhas" do Tim Burtom que, se não me encheu as medidas também não me fez bocejar ou chorar o preço do bilhete o que já não é mau.
Vi o " Cisne Negro" que me prendeu ao ecran do início ao fim. Os bastidores da companhia de bailado transportaram-me ao tempo em que queria ser bailarina ( não queríamos todas?). Está bem, é a história duma mulher com um enorme desiquilibrio emocional, controlada por uma mãeque projecta na filha as suas frustrações mas lá que é um belo filme lá isso é. Até a actriz principal que sempre me pareceu um pãozinho sem sal se revelou de tal maneira que arrecadou a estatueta. Merecida.
Assisti à "Origem", uma película que me deixou assim sem saber muito bem como. Um misto de Matrix e Lara Tomb mas com uma espectacularidade inegável.
Vi o " Discurso do Rei" na noite em que era galardoado com 4 Óscares e... amei!! Um filme simples do ponto de vista dos efeitos especiais, aparentemente parcimonioso em recursos mas duma beleza conseguida com base em interpretações sublimes. O espectador é levado a uma empatia tal com o pobre rei gago que dá por si a tentar concluir as frases que não saem ao monarca.
Um filme que me fez pensar nas resiliência e em como esta está tão longe da maioria dos nossos dirigentes. O percurso dum rei que reconhecendo o seu handicap e sabendo o impacto que tal teria nos súbditos, decide-se a tudo fazer para se ultrapassar. Para não ser alvo de chacota, sem dúvida. mas sobretudo para poder assumir, sem hesitações, o seu papel de voz do povo.
Por algumas horas fui completamente monárquica.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
SHALOM!!
![]() |
| TEL AVIV- E EU QUE DEIXEI O MEU CORAÇÃO AQUI!!! |
Os conflitos no Médio Oriente apenas começaram e são completamente imprevisiveis. A implosão é sempre mais devastadora do que qualquer explosão. A ingerência externa, muito embora exista, é de bastidores, secundária e isso deixa todo o Ocidente perplexo, à toa, aflito sem saber como agir ou o que esperar.
Décadas de alianças com ditadores sob a capa dos democráticos USA e a omissão total da UE deram nisto.
E agora ?
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
FB CALOTE - MADE IN PORTUGAL
Certamente cansado de bater em pedra dura sem resultado que se visse, Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia decidiu criar um blog onde denuncia as entidades devedoras dos serviços remunerados à PSP.
Não sei se será uma acção consequente ou se a única coisa que daqui resultará será uma penalização sobre o autor, que ousou soltar aos quatro ventos a "novidade" e assim "denegrir as pacatas e honestas entidades".
Tempos houve em que ser-se caloteiro era uma vergonha imensa. As pessoas coravam e deixavam até de passar às portas dos credores com vergonha do escândalo.
Agora é o que se vê: os envergonhados, os que se "sentem mal" são os lesados!
A acção do intendente PR não é original. Na minha rua uma antiga drogaria colocou um cartaz com o nome dos devedores e no Natal uma outra loja não recordo onde, decorou uma árvore com o nome dos caloteiros para ver se tomavam vergonha na cara.
Francamente desconheço o desenlace de qualquer uma das iniciativas, mas estou em crer que tudo terá ficado nas bem conhecidas e portuguesissimas "águas de bacalhau".
É bem sabido que neste país virou moda ninguém pagar a ninguém! A empresa não paga aos fornecedores porque não recebe dos clientes. As pessoas não pagam os cartões de crédito porque foram-nos coleccionando como cartas num baralho e às duas por três perderam o pé ao nível de endividamento.
E o maior caloteiro é o Estado, esse que devia ser " pessoa de bem " e que é o que sabemos.
Não dou novidade nenhuma, bem sei, mas nunca é demais lembrar que se um de nós se atrasar nem que seja um dia no pagamento de impostos conta logo com os juros de mora. O Estado paga a trinta, sessenta, noventa dias quando paga e vá lá tentar-se exigir-lhe juros!! Pelo contrário: ainda agradecemos o milagre de termos sido pagos!!
Várias empresas neste país que se encontram em situações de desespero e falência, podem agradecer ao Estado que, não contente em não as apoiar providenciando condições de competetividade que as possam colocar nos mercados internacionais em pé de igualdade e concorrência com congéneres europeias, ainda as rouba ao não honrar os seus compromissos a tempo e horas.
Se o presidente da ASPP fez bem ou não logo se verá.
Agora se a moda pega podíamos começar a pensar num FB de calotes! Resolvíamos a dívida pública em dois tempos!
Não sei se será uma acção consequente ou se a única coisa que daqui resultará será uma penalização sobre o autor, que ousou soltar aos quatro ventos a "novidade" e assim "denegrir as pacatas e honestas entidades".
Tempos houve em que ser-se caloteiro era uma vergonha imensa. As pessoas coravam e deixavam até de passar às portas dos credores com vergonha do escândalo.
Agora é o que se vê: os envergonhados, os que se "sentem mal" são os lesados!
A acção do intendente PR não é original. Na minha rua uma antiga drogaria colocou um cartaz com o nome dos devedores e no Natal uma outra loja não recordo onde, decorou uma árvore com o nome dos caloteiros para ver se tomavam vergonha na cara.
Francamente desconheço o desenlace de qualquer uma das iniciativas, mas estou em crer que tudo terá ficado nas bem conhecidas e portuguesissimas "águas de bacalhau".
É bem sabido que neste país virou moda ninguém pagar a ninguém! A empresa não paga aos fornecedores porque não recebe dos clientes. As pessoas não pagam os cartões de crédito porque foram-nos coleccionando como cartas num baralho e às duas por três perderam o pé ao nível de endividamento.
E o maior caloteiro é o Estado, esse que devia ser " pessoa de bem " e que é o que sabemos.
Não dou novidade nenhuma, bem sei, mas nunca é demais lembrar que se um de nós se atrasar nem que seja um dia no pagamento de impostos conta logo com os juros de mora. O Estado paga a trinta, sessenta, noventa dias quando paga e vá lá tentar-se exigir-lhe juros!! Pelo contrário: ainda agradecemos o milagre de termos sido pagos!!
Várias empresas neste país que se encontram em situações de desespero e falência, podem agradecer ao Estado que, não contente em não as apoiar providenciando condições de competetividade que as possam colocar nos mercados internacionais em pé de igualdade e concorrência com congéneres europeias, ainda as rouba ao não honrar os seus compromissos a tempo e horas.
Se o presidente da ASPP fez bem ou não logo se verá.
Agora se a moda pega podíamos começar a pensar num FB de calotes! Resolvíamos a dívida pública em dois tempos!
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
UM CHEIRO ( LONGÍNQUO!) A FLORES
As revoluções têm aroma?
Talvez não, se exceptuarmos o da pólvora nas situações mais graves.
Mas algumas têm nomes de flores. Flores com cheiros fortes, que inebriam e põem no coração uma esperança nova.
Aconteceu connosco e os cravos ( estão lembrados?).
Começou no final do ano passado em pleno Dezembro na Tunísia a Revolução do Jasmim, que agora parece propagar-se a vários países islâmicos.
Em comum, para além desta vontade de fazer desabrochar flores nas praças, todas estas revoluções têm como objectivo derrubar regimes ditatoriais, libertar povos oprimidos por décadas de despotismo mais ou menos tolerado pela comunidade internacional. A mesma que agora se congratula com os movimentos populares que exigem a devolução dos países aos seus cidadãos, à massa anónima que em muitos casos pereceu às mãos de ditadorzecos ambiciosos e sem escrúpulos.
O grande problema, que vem desde a Revolução Francesa, é que as revoluções têm sempre por detrás eminências pardas, protagonistas de bastidores que pretendem apenas subsistituir os ditadores depostos por si próprios.
Foi assim com a Revolução dos Cravos. Três décadas depois estamos a braços com a maior crise de valores, a maior corrupção instalada de que há memória. Em nome do povo, que mais não ordena.
Que resultará desta Revolução de Jasmim para além da recordação dum cheirinho a liberdade?
Talvez não, se exceptuarmos o da pólvora nas situações mais graves.
Mas algumas têm nomes de flores. Flores com cheiros fortes, que inebriam e põem no coração uma esperança nova.
Aconteceu connosco e os cravos ( estão lembrados?).
Começou no final do ano passado em pleno Dezembro na Tunísia a Revolução do Jasmim, que agora parece propagar-se a vários países islâmicos.
Em comum, para além desta vontade de fazer desabrochar flores nas praças, todas estas revoluções têm como objectivo derrubar regimes ditatoriais, libertar povos oprimidos por décadas de despotismo mais ou menos tolerado pela comunidade internacional. A mesma que agora se congratula com os movimentos populares que exigem a devolução dos países aos seus cidadãos, à massa anónima que em muitos casos pereceu às mãos de ditadorzecos ambiciosos e sem escrúpulos.
O grande problema, que vem desde a Revolução Francesa, é que as revoluções têm sempre por detrás eminências pardas, protagonistas de bastidores que pretendem apenas subsistituir os ditadores depostos por si próprios.
Foi assim com a Revolução dos Cravos. Três décadas depois estamos a braços com a maior crise de valores, a maior corrupção instalada de que há memória. Em nome do povo, que mais não ordena.
Que resultará desta Revolução de Jasmim para além da recordação dum cheirinho a liberdade?
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
O SILÊNCIO DAS INOCENTES
O Público noticia que em 2010, 43 mulheres foram mortas, vitimas de violência doméstica. Paralelamente a World Press atribuiu o 1º Prémio de fotojornalismo à imagem duma mulher mutilada pelo marido.
Em pleno Séc. XXI e perante estas notícias, parece-me que o percurso feito em prol da igualdade, foi demasiado curto e, sobretudo, com demasiados atropelos.
Os números são arrepiantes mas, receio bem que não sejam nem de longe nem de perto, representativos da realidade. Até porque a violência doméstica não se esgota nas ofensas corporais e mesmo essas criam na vitima um sentimento de culpa e vergonha que a levam a refugiar-se no silêncio e na mentira, desculpabilizando o ofensor. As marcas evidentes são sempre resultado da sua própria falta de cuidado, da qual resultam quedas e pequenos acidentes.
Refugiam-se em histórias que constroem para encontrarem resposta e nas quais invariavelmente assumem o papel de culpadas e inocentam os seus agressores, encontrando atenuantes em todos os actos por mais bárbaros.
E as marcas da alma que não são visiveis, essas ficam para sempre guardadas no silêncio de quatro paredes. A maior prostituição é a que acontece entre casais, onde a obrigação dos "deveres conjugais " coloca a mulher num papel passivo que muitas vezes roça as margens da escravatura sexual.
Esta obrigatoriedade, está negação do desejo no feminino, é a violência mais dramática a que a mulher se encontra sujeita. É-lhe imposta, não apenas pelo companheiro que por vezes faz valer os seus " direitos" de forma mais "eloquente", mas pela própria sociedade que insiste em olhar para o lado, refugiando-se num falso respeito pela privacidade de cada um.
O ponto de ruptura acontece muitas vezes apenas quando o ofensor alarga a sua área de violência aos filhos. Ou quando a agressão, de tão violenta, passa a ser pública.
As autoridades esgrimem argumentos legais para justificarem a sua não ingerência, contrapondo a necessidade de provas inequívocas, de flagrantes delitos, de...
Quando finalmente se actua acaba por ser sempre tarde demais, mesmo quando o caso não termina na morgue ou na cadeia. Sim, porque o maior número de homicídios no feminino é consequência de histórias de contínua violência doméstica que terminaram com gritos de "BASTA!"
Um grito que é urgente colocar na ordem do dia de toda a sociedade sob pena de retrocedermos para a época de barbárie onde se afirmava que as mulheres não possuiam uma alma ou no melhor dos casos atribuiam aos homens, não uma mas duas.
Em pleno Séc. XXI e perante estas notícias, parece-me que o percurso feito em prol da igualdade, foi demasiado curto e, sobretudo, com demasiados atropelos.
Os números são arrepiantes mas, receio bem que não sejam nem de longe nem de perto, representativos da realidade. Até porque a violência doméstica não se esgota nas ofensas corporais e mesmo essas criam na vitima um sentimento de culpa e vergonha que a levam a refugiar-se no silêncio e na mentira, desculpabilizando o ofensor. As marcas evidentes são sempre resultado da sua própria falta de cuidado, da qual resultam quedas e pequenos acidentes.
Refugiam-se em histórias que constroem para encontrarem resposta e nas quais invariavelmente assumem o papel de culpadas e inocentam os seus agressores, encontrando atenuantes em todos os actos por mais bárbaros.
E as marcas da alma que não são visiveis, essas ficam para sempre guardadas no silêncio de quatro paredes. A maior prostituição é a que acontece entre casais, onde a obrigação dos "deveres conjugais " coloca a mulher num papel passivo que muitas vezes roça as margens da escravatura sexual.
Esta obrigatoriedade, está negação do desejo no feminino, é a violência mais dramática a que a mulher se encontra sujeita. É-lhe imposta, não apenas pelo companheiro que por vezes faz valer os seus " direitos" de forma mais "eloquente", mas pela própria sociedade que insiste em olhar para o lado, refugiando-se num falso respeito pela privacidade de cada um.
O ponto de ruptura acontece muitas vezes apenas quando o ofensor alarga a sua área de violência aos filhos. Ou quando a agressão, de tão violenta, passa a ser pública.
As autoridades esgrimem argumentos legais para justificarem a sua não ingerência, contrapondo a necessidade de provas inequívocas, de flagrantes delitos, de...
Quando finalmente se actua acaba por ser sempre tarde demais, mesmo quando o caso não termina na morgue ou na cadeia. Sim, porque o maior número de homicídios no feminino é consequência de histórias de contínua violência doméstica que terminaram com gritos de "BASTA!"
Um grito que é urgente colocar na ordem do dia de toda a sociedade sob pena de retrocedermos para a época de barbárie onde se afirmava que as mulheres não possuiam uma alma ou no melhor dos casos atribuiam aos homens, não uma mas duas.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
TODOS MORREMOS SOZINHOS
Estaremos de facto assim tão genuinamente chocados? Ou o que nos choca é o nosso papel, mesmo passivo, mesmo colateral nesta sociedade de números, de ter e haver, onde o Homem, deixou de ser a medida de todas as coisas e foi substituido por palavras de significados vazios e que não correm risco de nos atormentar a consciência como produtividade, dívida externa, emprego/desemprego, dinheiro, contas, carreira?
Há muito que somos uma sociedade contabilística que votou os seus idosos ao abandono em lares que , de onde em onde , são notícia por se revelarem verdadeiras antecâmaras de morte e que nos chocam uma vez mais. Somos uma sociedade que se esquece dos que já não produzem, empurrando-os para a mendiciddae e para a humilhação mais desumana, para o esquecimento, para as franjas do infra humano. E temos a coragem de nos sentir chocados? Temos a coragem de tentar encontrar culpados das situações que agora, como se fossem cogumelos, começam a surgir?
Há quanto tempo ( tanto tempo!!!) elas existem? Há quanto tempo nos deixámos de importar?
Não me sinto chocada, não. Sinto-me envergonhada. E com medo. Sim, porque no fim todos acabamos por morrer sozinhos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





