quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O SILÊNCIO DAS INOCENTES

O Público noticia que em 2010, 43 mulheres foram mortas, vitimas de violência doméstica. Paralelamente a World Press atribuiu o 1º Prémio de fotojornalismo à imagem duma mulher mutilada pelo marido.
Em pleno Séc. XXI e perante estas notícias, parece-me que o percurso feito em prol da igualdade, foi demasiado curto e, sobretudo, com demasiados atropelos.
Os números são arrepiantes mas, receio bem que não sejam nem de longe nem de perto, representativos da realidade. Até porque a violência doméstica não se esgota nas ofensas corporais e mesmo essas criam na vitima um sentimento de culpa e vergonha que a levam a refugiar-se no silêncio e na mentira, desculpabilizando o ofensor. As marcas evidentes são sempre resultado da sua própria falta de cuidado, da qual resultam quedas e pequenos acidentes.
Refugiam-se em histórias que constroem para encontrarem resposta e nas quais invariavelmente assumem o papel de culpadas e inocentam os seus agressores, encontrando atenuantes em todos os actos por mais bárbaros.
E as marcas da alma que não são visiveis, essas ficam para sempre guardadas no silêncio de quatro paredes. A maior prostituição é a que acontece entre casais, onde a obrigação dos "deveres conjugais " coloca a mulher num papel passivo que muitas vezes roça as margens da escravatura sexual.
Esta obrigatoriedade, está negação do desejo no feminino, é a violência mais dramática a que a mulher se encontra sujeita. É-lhe imposta, não apenas pelo companheiro que por vezes faz valer os seus " direitos" de forma mais "eloquente", mas pela própria sociedade que insiste em olhar para o lado, refugiando-se num falso respeito pela privacidade de cada um.
O ponto de ruptura acontece muitas vezes apenas quando o ofensor alarga a sua área de violência aos filhos. Ou quando a agressão, de tão violenta, passa a ser pública.
As autoridades esgrimem argumentos legais para justificarem a sua não ingerência, contrapondo a necessidade de provas inequívocas, de flagrantes delitos, de...
Quando finalmente se actua acaba por ser sempre tarde demais, mesmo quando o caso não termina na morgue ou na cadeia. Sim, porque o maior  número de homicídios no feminino é consequência de histórias de contínua violência doméstica que terminaram com gritos de "BASTA!"
Um grito que é urgente colocar na ordem do dia de toda a sociedade sob pena de retrocedermos para a época de barbárie onde se afirmava que as mulheres não possuiam uma alma ou no melhor dos casos atribuiam aos homens, não uma mas duas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

TODOS MORREMOS SOZINHOS

Chocados?! De facto? Mas porquê? Porque a comunicação social noticiou a descoberta dum cadáver com nove anos dentro dum apartamento que, por acaso , fora levado a hasta pública? Chocados porque, vá lá saber-se porquê, de repente começaram  a surgir velhinhos devorados pelos seus animais de estimação, últimos companheiros das suas vidas vazias;  mortos que ninguém reclama, pessoas que parecem ter-se evaporado no ar sem que ninguém tenha dado conta?
Estaremos de facto assim tão genuinamente chocados? Ou o que nos choca é o nosso papel, mesmo passivo, mesmo colateral nesta sociedade de números, de ter e haver, onde o Homem, deixou de ser a medida de todas as coisas e foi substituido por palavras de significados vazios e que não correm risco de nos atormentar a consciência como produtividade, dívida externa, emprego/desemprego, dinheiro, contas, carreira?
Há muito que somos uma sociedade contabilística que votou os seus idosos ao abandono em lares que , de onde em onde , são notícia por se revelarem verdadeiras antecâmaras de morte e que nos chocam uma vez mais. Somos uma sociedade que se esquece dos que já não produzem, empurrando-os para a mendiciddae e para a humilhação mais desumana, para o esquecimento, para as franjas do infra humano. E temos a coragem de nos sentir chocados? Temos a coragem de tentar encontrar culpados das situações que agora, como se fossem cogumelos, começam  a surgir?
Há quanto tempo ( tanto tempo!!!) elas existem? Há quanto tempo nos deixámos de importar?
Não me sinto chocada, não. Sinto-me envergonhada. E com medo. Sim, porque no fim todos acabamos por morrer sozinhos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

NA BANCA ROTA!!!!!!!

Ainda estou em estado de choque com o meu recibo de vencimento na mão!!! Quanto é que os gajos diziam que iam gamar à gente? Desculpem queria dizer: de quanto é que era a redução igualitária dos vencimentos? Tock, Tock, alguém aí no M. das Finanças se enganou!!!Eu passei a ganhar menos que a categoria abaixo de mim!!Ou seja, não contente em ter a carreira congelada o degelo derreteu-me os bolsos.
Bem vou tentar que o banco aceite também uma redução semelhante na minha prestação da casa!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O ADEUS À EUROPA

Tenho cá para mim que os " pais fundadores" da Europa unida devem estar aos trambulhões nas tumbas com o rumo que uma ideia fundamentalmente humanista, acabou por tomar.
A união da Europa, relembremos, teve na sua génese o ideal da Revolução Francesa. Pretendia-se criar um lugar de Liberdade Igualdade e Fraternidade que frutificasse como farol para todas as civilizações.
Exangue, após duas grandes guerras,  tudo a que aspirava era à reconstrução e à paz.
Evidentemente que o factor do crescimento económico e da criação duma zona  económica comum,  estava nos planos iniciais da construção da união. Mas era um factor colateral, não primordial.
E foi a centralização do objectivo europeu no pilar da economia que ditou o fim da UE. Sim porque alguém tem dúvidas de que  a Europa unida está a prazo? Eu não tenho! Aliás concluo com mágoa que tinha razão quando nas minhas aulas de Geopolítica e nos artigos que escrevi anos atrás dizia que uma Europa que não defina uma politica externa comum, um sistema social igualitário e um sistema de defesa, estava destinada a fracassar.
A União Económica e Monetária, saudada como El Dorado numa sociedade internacional  em pleno crescimento económico, é agora, poucos anos transcorridos, olhada como a alavanca da derrocada europeia. Não se construiu a Europa Social e como tal a Europa Económica estava condenada à partida.Não é possivel uma união  a várias velocidades, sob pena de criarmos situações de tirania mais opu menos evidente dos mais fortes sobre os mais fracos. A Europa " periférica" a Europa do Sul precisava de ter sido mais acompanhada no seu crescimento a todos os níveis e sobretudo ao nível social. Não me refiro à atribuição de fundos e subsídios mas sim a uma verdadeira solidariedade que passa pela responsabilização dos diferentes interlocutores no processo de desenvolvimento. E por favor não me venham falar com perda de soberania nacional! Ao aceitarmos integrar uma União a alienação de parte de soberania era inevitável. Mas um acoisa é aliená-la em parte com consciência e tendo em vista um bem maior - a construção da Nação Europeia. Outra coisa é desbaratá-la em vão como aconteceu.
À Europa resta pouco tempo de vida. Pergunto-me quanto tempo nos resta a nós como país plenamente soberano.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

UM PRESIDENTE PARA A REPÚBLICA

Somos um povo peculiar! Qualquer fait divers que nos lancem para a agenda politica /mediática nos distraí do que, efectivamente, interessa!
Em plena campanha para as presidenciais, onde o que deveria ser discutido era a forma como cada candidato olhava o seu possivel papel no País, na Europa, no Mundo Lusófono e no restante, discutem-se as ligações dos candidatos à banca, num concurso idiota de " eu sou mais honesto do que tu!"
Evidentemente que interessa averiguar da seriedade dos candidatos. Mas essas questões deveriam ter sido previamente analisadas. Agora importa saber, não o que  fizeram mas o que pretendem fazer.
Por isso fiiquei tão satisfeita com a posição do candidato Fernando Nobre que se coloca, mais uma vez, à margem das tricas dos "mentideros" da política mais rasca, para tentar redireccionar o debate para o fulcro do problema.
O que me entristece é esta nossa tendência para a vitimização consentida! Estamos todos fartos de partidos políticos, fartos destas fantochadas que só desprestigiam os seus protagonistas em particular e, infelizmente, o País no geral perante o palco internacional.Pelo menos é que dizemos.
Mas depois, quando aparece alguém que não pactua com este status quo, que pretende trazer uma nova vida e um novo rumo à política, encolhemos os ombros num ar de fatídico karma dizendo que é até boa pessoa, admiramos o seu trabalho a nível internacional, temo-lo como alguém honesto e capaz mas... não vai a lado nenhum porque não tem um partido a apoiá-lo!
Mas afinal quem queremos que mande nos destinos do país? Os partidos com toda a sua camarilha de boys e girls perfilados para a distribuição de tachos, ou NÓS os anónimos cidadãos, a sociedade civil, o povo desta Nação?
Até quando vamos continuar a encolhermo-nos na nossa passividade, no murmurar em surdina ?
Fomos um povo orgulhoso da sua condição! Redescobramos esse orgulho, marquemos a mudança! Mesmo que o vento não nos seja favorável agora, mesmo que a derrota seja certa, melhor é morrer de pé que viver toda a vida de joelhos.
Não nos deixemos mais amarfanhar por gente sem escrúpulos, gente para quem a palavra Pátria nada diz, gente que faz da politica um emprego e não um trabalho em prol da Nação.
No dia 23 vou votar Fernando Nobre.
Porque não é um político, porque não tem um partido a apoiá-lo, porque construiu uma organização internacional respeitada em todo o Mundo; porque deu provas do seu saber , da sua competência, do seu humanismo antes de se colocar ao serviço do País. Porque não grita aos quatro ventos as suas virtudes - elas estão aí semeadas para que todos as vejam. Porque " não ir a lado nenhum!" é melhor do que ir para o atoleiro onde continuamos a chafurdar.
Porque acredito que a mudança é possivel desde que a queiramos.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

NOVA CORRIDA NOVA VIAGEM

Um Novo Ano é asim como uma página em branco. A gente fita o infinito e tenta adivinhar o que se esconde na sucessão dos dias, o que nos trará o futuro de doze meses que nos parecem imensos e que, invariavelmente , passarão num ápice!
Fazemos brindes à meia -noite e engolimos passas como quem toma um enorme comprimido mágico, na esperança de conseguir o impossivel.
Lemos horóscopos dizendo aos que nos observam que tudo aquilo não passa de patacoadas nas quais não cremos nem um só instante, mas memorizamos os promenores que supostamente os astros, preocupadíssimos com cada uma das nossas pessoas, prevêm para as nossas vidinhas em 2011. E assim vamos aguardando que aquele negócio que nem sabíamos que tínhamos, seja um sucesso, que o amor nos bata à porta quando o temos dentro da sala ou que finalmente sejamos promovidos mesmo que estejamos no topo da carreira.
Isto quando não nos tolhemos de medo perante o terrível acidente de que podemos ser alvo ou a morte dum ente querido que irá marcar o nosso ano novo.
Ora certo certo é que este será um ano de doze meses e que Fevereiro terá 28 dias. Que iremos a urnas ( eleitorais!!!) durante Janeiro. Que seremos mais pobres o ano todo. Que a crise veio para ficar e a gripe também. Que assistiremos a mais tricas, dicas e escandaleiras políticas. Que concluiremos uma vez mais com a inevitabilidade costumeira, que "isto é tudo uma corja", " que " há gente a abotoar-se à grande e à francesa" e que " assim não vamos lá".
Posto isto e perante esta imensidão de dias que serão sempre poucos... FELIZ ANO NOVO !!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

MORTE POR DECRETO

Não é que não me apeteça escrever ou que não tenha vontade ou assunto. Nada disso é razão do silêncio. O que me leva a longos períodos de abstinência da escrita ( com as consequentes e inevitáveis ressacas monumentais) é essa sensação de impotência, de que as palavras são levadas pelo vento e poucas permanecem na memória ou dão frutos.
Então para quê encher a blogoesfera com mais?
Mas há alturas em que a vontade, ditada pela alegria, pela dor , pela revolta ou pela indignação, é mais forte que eu.
A notícia que o JN publicou hoje e que refere a execução dum cidadão norte americano com um  cocktail de drogas em que foi utilizado um anestésico para animais indignou-me à naúsea.
Com que direito podem os Estados Unidos intitularem-se defensores dos Direitos Humanos, paladinos do maior grau humanista quando continuam a ter na legislação de diversos estados a pena de morte? Com que moralidade apontam o dedo à China e a outros países onde a mesma pena é aplicada? Que atenuantes têm a não ser os da arrogância dos eternos cowboys solitários?
Não há vida nenhuma que se possa resgatar por outra. Nenhuma morte traz de volta uma vida.Nem lei alguma deveria poder sobrepôr-se à lei natural.
É por isso que me insurjo quando vejo petições de repúdio das condenações à morte de países como a China, o Paquistão. Não porque não concorde mas porque me apercebo claramente da hipocrisia e manipulação a que somos sujeitos. É que nunca vi nenhuma peição condenando as dezenas de execuções legaçlmente praticadas em solo americano, terra de liberdades, da democracia mais pura, dos valores mais sólidos da civilização.
A pena de morte é a manifestação da desumanidade e da sobranceria do homem perante o seu semelhante e nenhum Estado deveria poder intitular-se de livre e democrático tendo-a na sua ordem jurídica.
Seja ele qual for. Independente da raça ou da côr da pele dos seu povo. Trate-se dos EUA ou do Paquistão. No nascimento e na morte todos somos iguais!