quarta-feira, 14 de abril de 2010


Vai abrir a época da caça ... às multas.

A direcção Nacional da PSP estableceu minimos a atingir pelas diferentes Direcções, por forma a obter dados mensuráveis que possam ser utilizados na avaliação do desempenho.

Na prática iremos assistir a uma verdadeira caça às multas e infracções e a desnecessárias operações policiais.

Evidentemente que tem que haver instrumentos passiveis de tomar o pulso e avaliar o desempenho das forças de segurança. Mas haverá melhor critério que as estatísticas sobre criminalidade para fazer essa avaliação? Uma diminuição do crime violento nas grandes cidades, de desastres por excesso de velocidade ou alcoolismo, dos furtos e roubos não fará maior sentido do que estabelecer metas que têm tão somente como objectivo a avaliação e a progressão, deixando de lado e em segundo plano o que realmente devia ser o objectivo de todas as actividades: exercê-las com brio e eficácia?

terça-feira, 13 de abril de 2010


Tamos safos!!! O Vaticano acaba de exaltar as músicas dos rapazes de Liverpool após tê-las considerado blasfemas durante décadas.

Eleonor Rigby e o Father Mckenzie foram incluidos de novo no círculo do permitido, continuando um a remendar a meias e outra a apanhar o arroz na igreja.

Mas ficam ainda a aguardar outras atitudes os solitários que ainda ninguém sabe donde vêm!

Quem será salvo no fim de contas?


Ah, look at all the lonely people

Ah, look at all the lonely people


Eleanor Rigby picks up the rice in the church

where a wedding has been

Lives in a dream

Waits at the window,

wearing the face that she keeps in a jar by the door

Who is it for?

All the lonely people

Where do they all come from?

All the lonely people

Where do they all belong?


Father McKenzie writing the words of a sermon that no one will hear

No one comes near.

Look at him working,

darning his socks in the night when there's nobody there

What does he care?

All the lonely people

Where do they all come from?

All the lonely people

Where do they all belong?


Ah, look at all the lonely people

Ah, look at all the lonely people


Eleanor Rigby died in the church and was buried along with her name

Nobody came

Father McKenzie wiping the dirt from his hands

as he walks from the grave

No one was saved


All the lonely people

Where do they all come from?

All the lonely people

Where do they all belong?

sexta-feira, 9 de abril de 2010


Pronto é oficial! O crime em Portugal passa a a compensar largamente. Coisa que o vulgo já sabia mas pelo menos agora tem força de lei , o que nos tranquiliza de sobremaneira!! Sim porque uma coisa é saber de ouvido outra é ver preto no branco, E ele aí está: o novo código de execução de penas. A partir de segunda-feira qualquer condenado independentemente do crme que tiver cometido, pode ser libertado após cumprir um quarto da pena e mais: sem qualquer tipo de vigilência!!!!
Na prática significa o segunte: um violador que apanha no máximo 12 anos de cadeia , vem cá para fora feliz e contento ao fim de três. Se for um homicida que tenha que cumprir os vinte e cinco de pena máxima aí aos seis mais coisa menos coisa já poderá voltar ao activo.
Quer dizer, num aaltura em que a insegurança, malgrado o que possam dizer os estudos e as estatísticas, aumenta de dia para dia no nosso país a resposta do sistema é... despenalizar os crimes!
Já agora, façam-nos um favor, mandem todos os polícias e magistrados para casa. assim só pagamos as "férias" dos meliantes e poupamos os honorários das forças da lei!!

quarta-feira, 7 de abril de 2010


Católica, Apostólica Romana de educação; com todos os sacramentos e multiplos retiros de oração; talvez precisamente por isso decidi há anos que esta igreja não era a minha.
Nem esta nem nenhuma, já agora! Isto porque cheguei à conclusão de que a parte espiritual esbarra e desmorona-se de cada vez que se institui.
Não obstante, sempre tive um profundo respeito pela igreja e sobretudo por aquele Homem fabuloso que tomou para si o nome de João Paulo II, numa clara provocação ( no meu entender) aos responsáveis pela passagem fugaz do seu antecessor pela Cúria. Adiante...

A questão da pedofilia na igreja católica tem tomado contornos tão sórdidos que me pergunto que igreja sairá de tudo isto.

A pedofilia não é apenas um pecado - e já agora presumo que mortal, não? . É um crime!

Os padres antes de serem padres são cidadãos e como tal antes de obdecerem à Lei Canónica respondem perante a Lei Civil como todos nós! Os crimes que chegaram a praça pública , na sua maioria já prescreve, dizem os homens de leis. Como se as dores e as cicatrizes das vítimas alguma vez prescrevam!

O silêncio cúmplice, deu guarida a criminosos da pior espécie pois que se, como tantos afirmaram, pedofilia existe em variados sectores da sociedade, neste, especificamente, não podia, de maneira nenhuma, existir. Não porque os padres não sejam homens! Bem pelo contrário: exactamente por que o são! O atentado ao pudor, as violações, o roubo da inocência duma criança são atitudes animais.

Com que autoridade moral, civica ou mesmo religiosa vêm agora os altos dignitários, de ar pesaroso e sofrido, apelar á caridade e ao perdão? Como podem continuar a encarar o silêncio como uma prática de fraternidade e uma maneira de poupar a igreja ao escândalo? Mas afinal a igreja não é a comunidade de crentes? De TODOS os crentes?

O que se salvaguardou, uma vez mais foi a hierarquia, o status quo, a aparência.

Por estas e por outras é que me sinto herética!

terça-feira, 6 de abril de 2010

THE FEVER



De comando na mão e estirada no sofá a fazer um dos meus desportos favoritos - o Zapping - acabei por tropeçar num brilhante telefilme que não encontrei anunciado em parte alguma, a passar na FOX NEXT.
O que me chamou a atenção e me fez parar mais do que os segundos do "salta, salta" foi ter reparado que tinha como protagonista Vanessa Redgrave. Dei por mim a pensar que não recordo ter visto algum filme que me tenha tocado particularmente, dos seus tempos que devem ter sido áureos. Já da fase madura, aquela em que não esconde o cabelo que começa a ficar ralo, as veias salientes e as manchas na pele, gosto de todos.
Parei pois para ver o que dali saia. E o que saiu foi uma das mais espantosas lições de politica económica internacional que alguma vez vi!
Como peguei o programa já em andamento, tive que, posteriormente procurar o título e a restante ficha técnica. Fiquei a saber que se trata dum filme de 2004 realizado por Carlo Gabriel Nero, de quem nunca ouvi sequer murmurar o nome e que conta entre outras interpretações com um curto contributo de Angelina Jolie.
O filme retrata o percurso duma mulher que a dada altura se vê confrontada com a existência de dois mundos: o da sua vida normal, com amigos, uma casa, um emprego bem pago; e um outro o dos marginalizados, dos torturados, que vivem em países onde a ditadura não deixa espaço para a vida tal como ela se habituou e conhece. É o mundo dos pobres!
Neste confronto, que está á distância de algumas horas de voo e a centenas de anos luz num outro planeta, a protagonista perde todas as referências, todas as crenças e é acometida duma febre: a febre de se sentir impotente, de questionar estes dois mundos e a forma como se formaram.
A alguns anos de distância da Grande Crise ( o filme foi feito em 2004), esta reflexo sobre a ira dos pobres que cresce e o terror dos ricos que contratacam para que o seu sistema de vida possa sobreviver, vem colocar em evidência os contornos do terrorismo como a arma dos que nada têm a perder.
A dada altura em diálogo consigo mesma ( grande parte do filme é um monólogo primorosamente interpretado pela Vanessa Redgrave ) questiona o valor do seu trabalho em contraponto com o trabalho da mendiga que lhe estendeu a mão na rua.
“ Mas será que ela nunca trabalhou?” “ Trabalhou, sim sempre que conseguiu. Mas as dezasseis horas do seu trabalho não chegam ao valor de uma”.
Nós começamos por lhes roubar as terras, por lhes semear os ódios, por deixá-los despidos, vazios de afectos, sem mais nada a não ser a raiva e a vida que oferecem , não porque não lhe dêem valor mas ao contrário porque a prezam demasiado para a verem ser esmagada, trucidada por uma economia e uma politica que não entendem e os deixa cada vez mais pobres.

terça-feira, 23 de março de 2010

TERRA NOSSA


Ainda me lembro dos campos de trigo no fim do Verão, à espera de serem ceifados! Dos campos primorosamente cultivados por todo o lado. Dos olivais, dos pomares, dos campos lavrados do meu país.

Agora doí-me ver esse deserto em que nos transformámos por força dessa aberração que foram os subsídios dados para destruirmos o nosso tecido agrícola. Golpe de mestre das grandes nações agícolas da zona euro que nos convenceram de que era mais proveitoso arrancar que plantar, e pagaram à unidade a morte de tantas e tantas culturas.
Não somos um país grande. Mas temos culturas e produtos únicos que é urgente protegermos e sobretudo, dinamizarmos.
Por isso fiquei tão empolgada pelo projecto da QUALIFICA.
Finalmente alguém olhou para este capital do saber fazer único e fortemente enraizado nos pequenos recantos deste país que se vai , aos poucos desertificando e descaracterizando.
Trata-se duma empresa que pretende, em convénio com Câmaras Municipais e outras instituições locais, certificar,qualificar e, sobretudo, personalizar as pequenas maravilhas produzidas um pouco por todo o lado.
O azeite português não é todo igual, como não são iguais as amêndoas, o mel, o cabrito ou os enchidos. Há que os chamar pelos nomes, dar-lhes um rosto, fazê-los sair do anonimato, proteger a sua produção Desta forma vamos encontrar perfeitamente individualizados, as Allheiras de Boticas, de Vinhais e do Barroso; as ameixas de Elvas; o arroz carolino das lezírias Ribatejanas, o borrego da Beira, de Montemor-o Novo, de Terrincho, da Serra da Estrela , do Baixo Alentejo e do Nordeste Alentejano e tantos tantos outros produtos que enriquecem o tecido social e económico das pequenas áreas.
A Denominação de Origem , as Indicações Geográficas Protegidas e as Tradicionalidades Garantidas, são formas de qualificação do que é nosso , por forma a proteger saberes e sabores tradicionais.
Numa altura em que tanto se fala de desertificação do interior e do aumento do desemprego sobretudo nas áreas rurais, saudes-se o aparecimento duma estrutura que, de forma real e prática pretende implementar a requalificação dos produtos , dos saberes, da diferenciação regional.

segunda-feira, 22 de março de 2010

E O PRÉMIO DE MÉRITO VAI PARA....

Durante vinte anos ( pois! é isso mesmo! 20!!!) fui professora.
Ou melhor, dei aulas pois que ser professor neste país é uma missão praticamente impossivel.
Durante esse tempo ouvi os comentários mais absurdos. Que éramos uma classe de privilegiados ( os mais radicais chamavam-nos de calaceiros) porque tínhamos vários meses de férias e meio tempo de trabalho. Que só ia para professor quem não sabia fazer mais nada, e por aí fora.
Evidentemenet que na classe docente como em qualquer outra, como dizia a minha avó " há muito filho de muita mãe" , ou seja há bom , mau e assim-assim. Mas os comentáriso, francamente, eram do mais despropositado.
Primeiro porque de facto ninguém tinha MESES de férias. O tempo de pausa das actividades escolares serviam para fazer matrículas, elaborar turmas, elaborar horários, fazer planificações, analisar comportamentos, analisar contextos sociais e familiares, analisar manuais, preparar aulas etc etc.
E aqui entre nós mesmo que tivessemos meses de férias bem que elas fariam falta. Qualquer mãe sabe como é desgastante educar os filhos. Agora imagine-se tal tarefa elevada à centésima potência com a agravante da falta de autoridade materna ou paterna. Para além de que as crianças são por natureza cruéis e ser professor é uma profissão de desgaste rápido!
Enfim!
Foi preciso acontecerem dramas como o desaparecimento da criança no Tua e os uicidio do professor de Música, para que se começasse a pensar que, se calhar as criancinhas deveriam ser encaradas doutra forma e não como até aqui, seres muito frágeis que a todo o custo havia que evitar traumatizar. E por traumatizar entenda-se contrariar.
Anos e anos de enegrecimento da imagem do professor, minaram a sua autoridade dentro e fora da sala de aula.
Durante décadas foram obrigados a formar gente medíocre e mal educada pois que uma advertência, um castigo ou mesmo uma reprovação eram tomados como graves atropelos a uma coisa que nunca ninguém me conseguiu explicar que é a escola inclusiva associada ao ensino individual.
Para se conseguir esta quadratura do círculo, uma escola que a todos tratasse por igual e ao mesmo tempo ensinasse de acordo com as capacidades de cada um, fomentou-se uma politica do poucochinho. Isto é: andava-se com os alunos, com nítidas dificuldades, ao colo e desprezavam-se os que revelavam francas capacidades. Resultado: criou-se no espirito destes a ideia maninha do " não vale a pena". Não vale a pena esforçarem-se porque toda a gente passa. Não vale a pena ser-se extraordinário porque um "cinco" equipara o Bom o Muito Bom e o Excelente. Não vale a pena porque o mérito não tem mérito.
À sombra da violência, que parece só agora ser do conhecimento geral e que grassa nas escolas desde há pelo menos vinte anos, começa-se a falar desta coisa importante que é premiar a excelência e em paralelo punir os comportamentos inadequados.
Não tenhamos dúvidas que este é o caminho para terminar com a violência na escola e com os fracos resultados escolares.
Se o aluno tiver como certo que se chamar filho daquela senhora a um professor ou a um contínuo ( auxiliar de educação, seja, que os nomes não mudam os estatutos) não tem qualquer consequência, a sua atitude perante a escola é de que a permissividade e a impunidade é total e faça o que fizer terá no final a recompensa.
Agora se ao ter essa linguagem ou atitudes violentas ou inadequadas souber que corre o risco de ir parar ao meio da rua sem apelo nem agravo, se a estrutura familiar dos alunos souber que é co-responsável e que os actos dos seus jovens recairão em forma de sanções sobre si, seja pela perda de subsidios seja doutra forma, ah aí não tenhamos dúvidas que teremos solucionado dois problema: o da violência e o da participação dos Encarregados de Educação na formação dos seus educandos.