quarta-feira, 19 de maio de 2010

YNK - Mas não se diz o nome!


O desnorte neste país é tal que já não se o que é certo ou errado, o que configura crime ou o que é aceitável!

A polémica em torno das declarações do Deputado Pacheco Pereira é, no mínimo, farisaica! As escutas segundo o que afirma, demonstram ter estado em preparação e com a conivência de figuras ao mais alto nível ( e aqui defendo-me de falar no nome do nosso Primeiro já que, quem sabe ? fazê-lo pode valer-me incorrer num crime de difamação! Todo o cuidado é pouco!!), um negócio altamente contestável e que teria como último objectivo o controlo de uma tranche da Comunicação Social, com um limite deliberado à liberdade de imprensa. Este limite ainda é crime, certo?

Ou seja as escutas, aquelas que não podem ser divulgadas por envolverem altas figuras ( mais uma vez me escuso de falar de you know who), mostram ter estado em preparação um crime, mas o real crime é a sua divulgação.

Desculpem lá, mas ... não estaremos a ver o filme ao contrário?? Até há bem pouco tempo a ocultação de provas era crime! Deixou de ser, foi? Ou só é crime quando essas provas incriminam o comum dos mortais e quando se trata de YKW já podem e mais, devem ser ocultadas???

Cereja em cima do bolo de três peças: A Comissão de Inquérito, qual virgem ofendida , toma as afirmações de Pacheco Pereira como um ultraje!!

Se mais provas fossem necessárias, esta tomada de posição da Comissão revela a imensa palhaçada da coisa, criada apenas como barreira de fumo por forma a criar a ilusão de que tudo será investigado!!

Poupem a inteligência dos portugueses! Nunca houve uma única Comissão que chegasse a uma conclusão completa ( sim porque conclusões parcelares ,por mais paradoxais que sejam em termos linguísticos, a nossa classe política conseguiu fazer) e levasse a atitudes concretas.

Parabéns ao Pacheco Pereira que se esteve nas tintas para o politamente correcto e disse claramente que o YNW vai nu e muito sujo!!!!

terça-feira, 18 de maio de 2010





Guardados na gaveta
ficaram os escritos por acabar
as vidas que não se viveram,
os laços do cabelo,
as fitas dos bouquets,
as histórias por contar.

Fechadas a cadeado
as recordações de um passado,
retalhado, escondido,
polvilhado pelo pó dos anos
e pelo outro,
aquele que se apodera da memória,
das emoções e dos risos.
Aquele pó de que é feita a História
e que desfaz os livros.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O timing foi correctissimo, quase milimétrico! Com os olhos postos na Virgem e no papa, com os corações cheios da emoção da fé, os portugueses apanharam assim uns ruidos do que se vai passar durante os próximos tempos. Distraídos com todo o ruído da festa, não reagiram quando o governo ( o tal que não aumentaria impostos, estão lembrados?) informou, quase en passant, que uma vez mais era pedido ao povo português que fizesse sacrificios e que acreditasse num futuro melhor. E se vão precisar de fé!!
O aumento dos impostos, sejamos sérios!, era inevitável depois deste assalto à zona euro.
Mas o que choca é esta falta de transparência, esta falta de ética, esta covardia dum governo que anuncia medidas que vão alterar a vida de todos, bem no meio duma mega manifestação de fé que( não esqueçamos!!) o próprio governo criou!
Tolerância de ponto, euforia mística, diversão... altura ideal para anunciar aumento de impostos e mais um apertar de cinto!
Teria sito bem mais ético, bem mais claro, bem mais sério , ter aguardado por Sábado ou mesmo Segunda -feira para o anúncio. Afinal o que é que isso mudava?!
Bravo pelo timing! Mais uma prova da (des)honestidade dos nossos governantes. Benza-os Deus!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Chegamus Papa!



A histeria colectiva que se apossou do nosso país nos últimos dias , relegou para segundo plano questões bem mais importantes como sejam a grave crise económica e politica que atravessamos. Quem sabe se um fenómeno não está ligado ao outro, mas isso seria ir longe demais na teoria da conspiração. ... Seria ?

Mas pondo de parte a especulação que se possa vir a fazer sobre manobras de diversão, existem factos muito concretos que merecem ( mais uma! ) reflexão.

O Papa João Paulo II que foi uma figura ímpar e incontornável na história do seu tempo, que arrastva multidões, nunca teve neste país profundamente católico, nada que se parecesse com o grande circo montado em torno desta visita papal.

De acordo que, mais do que um chefe de estado , acolhemos o líder espiritual de milhares de crentes e Portugal, por muito laico que se pretenda no seu Estado, é, indubitavelmente, um país católico. Logo as honras a prestar nunca estariam em causa.

O que me merece um olhar crítico é o fausto exagerado e toda a agitação em torno desta visita. Leva-me a questionar qual a real razão de todo este sururu.

Bento XVI não arrasta multidões nem tem tido um papel activo evidente na sociedade de hoje. Muitos contrapõem a esta opinião a sua enciclica CARITAS IN VERITATE onde é criticado o sistema capitalismo que mergulhou o Mundo numa profunda crise. Mas... quantos de nós lemos o documento? Pede-se a um líder espiritual que chegue a TODOS os seus fieis e seja visivelmente actuante na história da humanidade. Não é o caso deste Papa.

Então que razão existe para tanta azáfama, tanto rebuliço em torno duma visita de quatro dias que se cifrará numa despesa escandalosa para o nosso país que irá, literalmente, parar ?

Só encontro uma explicação: Estamos perante uma enorme campanha de marketing que tem dois objectivos: Por um lado minimizar os danos provocados pela vaga de escândalos que tem assolado a igreja, através duma operação de charme . Por outro recuperar " mercado" já que os últimos números apontam para um decréscimo de mais de 50% de casamentos e baptizados católicos , desde 2000 ano da vinda de João Paulo II ao nosso país. Ora isso significa uma perda não displicente, de rendimentos reais .

Queira Deus que tal campanha de marketing não tenha um efeito boomerang. São os riscos da publicidade que não tem em conta a capacidade critica do seu público-alvo.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Dente por dente , olho por olho



... e iremos todos acabar cegos e desdentados!

A febre de que fomos tomados após o 11 de Setembro fez crescer em nós um medo irracional do que não conhecemos e toldou-nos a visão. Tornámo-nos intolerantes e completamente fechados em relação às realidades que não compreendemos e tomamos todas as lutas que nos são alheias e que de alguma forma aumentam-nos quer o medo quer a insegurança, como terrorismo.

Esquecemos que, não raras vezes, o terrorista de hoje é o herói de amanhã.

Tive oportunidade de passar nos territórios palestinianos em 2001 e o que vi fez-me perceber que, quando TUDO se perde, nada mais há a perder a não ser a vida e essa deixou de ter sentido, logo não tem valor.

Não que aceite a violência gratuita que arrasta inocentes. Não. Mas entendo que violência não é somente alguém que se faz explodir numa rua plena!

Violência é ver os nossos filhos não terem o que comer nem nós possibilidade de lho provermos. Violência é também ser tratado como infra humano, escravizado, mutilado, violado, dia após dia no silêncio, porque essa é uma violência que não chega aos media. Não nos choca porque não a vemos. Mas existe e faz fervilhar no espírito dos que a sofrem aquela outra: a que mancha de sangue os telejornais e nos põe a raiva á hora do jantar, como prato frio que vamos comendo até não perguntarmos mais o que é certo e errado.

segunda-feira, 26 de abril de 2010




CLANDESTINIDADE IV


Teus lábios têm o sabor
(doce)
dos frutos roubados,
comidos a medo
por entre olhares velados.

Tuas mãos têm o toque
(suave)
do que é efémero,
daquilo que não chega a chegar
para logo partir,
num beijo último
...de fugida,
num afago
...breve
que nem se chega a sentir.

Agora é tempo!
Uma mão na saída
um olhar rápido que tudo envolve,
o que passa,
o que fica,
o que já não virá por ser tarde.

Uma corrida,
uma fugida,
e entramos na realidade.

O que passou, passou.
Nem cartas,
nem fotos,
nem uma flor apanhada
esmagada entre as folhas dum livro,
nem sequer uma concha...

É um amor sem passado e sem futuro,
Tão somente
com um pouco de presente e é tudo.

quarta-feira, 21 de abril de 2010


O caso da deputada Inês de Medeiros que recebe as ajudas de custo inerentes à sua condição de residente em Paris, põe na ordem do dia a necessidade imperiosa dos círculos uninominais.


Que empatia pode ter alguém que vive em Paris relativamente à realidade portuguesa?

Não basta ter uma morada em Lisboa para tomar o pulso ao sistema de saúde, à educação ou à justiça. Uma morada é, tão somente um endereço num velho envelope.

Pede-se aos deputados da República que sejam a voz dos seus eleitores. E só o poderão ser se ouvirem e conhecerem os donos dessas vozes que é suposto representarem e fazerem eco.

Este divórcio entre o representante parlamentar e os eleitores que, nem sabem quem elegeram, redunda numa total impunidade, que tem como consequência o tornar a política, não na causa pública que deveria, mas sim num emprego bem pago e inútil.

É urgente repensar-se a representação parlamentar sob pena de se subverter o principio da democracia.