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quarta-feira, 23 de julho de 2014

DA GUERRA EM TEMPO DE PAZ




 




O Homem é o único ser que não aprende nem com os erros nem com as consequências dos mesmos.


Setenta e cinco anos nos separam do maior genocídio de que há memória ( pelo menos no Mundo Ocidental já que dos conflitos asiáticos e africanos não reza a nossa História por completa ignorância), duas décadas apenas da implosão da antiga Yoguslávia e das limpezas étnicas que se seguiram.


As imagens de campos de concentração , de valas comuns, os relatos de torturas e mortes macabras, entraram-nos quase em direto aterrando-nos nos pratos ao jantar e digerimo-las como se fossem imagens de arquivo, filmes antigos de épocas que nos eram estranhas.


E no entanto eram Aqui e eram Agora.


A Europa unida (?!) limitou-se a assistir , indignando-se debilmente, protestando em sussurros e assobiando literalmente para o ar.


O resultado acabou por se saldar no alargamento da União à custa e sobre milhares de cadáveres anónimos.


Mas estávamos em paz desde a II Grande Guerra!


Os acontecimentos na Ucrânia iniciaram-se com um pequeno rastilho, umas escaramuças entre um estado que surgira do desmembramento da União Soviética e a Rússia.


Razão tínhamos os que sempre afirmaram que a Rússia estava apenas adormecida tal como o seu totem que hiberna para despertar esfomeado.


A escalada de violência foi rápida e total : das ameaças , dos embargos aos conflitos fortemente armados , decorreram poucos meses.


A Europa manteve-se impavidamente neutra, muda, como se nem o facto da existência duma forte corrente pró europeia, interessasse por aí além. Alguns protestos, algumas condenações morais e o silêncio.


Honra seja feita à senhora Merkel que chamou a si o que deveria ter sido o papel da comissária para as relações Internacionais ( como é que se chama mesmo a anónima senhora ??) e encetou conversações , promoveu encontros , marcou a diplomacia europeia. A União limitou-se a deixá-la à vontade e continuou com a sua politicazinha económica que, aos seus olhos, nada tem a ver com pessoas.


Um avião malaio é abatido em resultado do conflito. Com ele perdem a vida centenas de Holandeses e outros europeus.


Pergunto-me. E agora? Já estamos em guerra?

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