Ainda estou em estado de choque com o meu recibo de vencimento na mão!!! Quanto é que os gajos diziam que iam gamar à gente? Desculpem queria dizer: de quanto é que era a redução igualitária dos vencimentos? Tock, Tock, alguém aí no M. das Finanças se enganou!!!Eu passei a ganhar menos que a categoria abaixo de mim!!Ou seja, não contente em ter a carreira congelada o degelo derreteu-me os bolsos.
Bem vou tentar que o banco aceite também uma redução semelhante na minha prestação da casa!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
O ADEUS À EUROPA
Tenho cá para mim que os " pais fundadores" da Europa unida devem estar aos trambulhões nas tumbas com o rumo que uma ideia fundamentalmente humanista, acabou por tomar.
A união da Europa, relembremos, teve na sua génese o ideal da Revolução Francesa. Pretendia-se criar um lugar de Liberdade Igualdade e Fraternidade que frutificasse como farol para todas as civilizações.
Exangue, após duas grandes guerras, tudo a que aspirava era à reconstrução e à paz.
Evidentemente que o factor do crescimento económico e da criação duma zona económica comum, estava nos planos iniciais da construção da união. Mas era um factor colateral, não primordial.
E foi a centralização do objectivo europeu no pilar da economia que ditou o fim da UE. Sim porque alguém tem dúvidas de que a Europa unida está a prazo? Eu não tenho! Aliás concluo com mágoa que tinha razão quando nas minhas aulas de Geopolítica e nos artigos que escrevi anos atrás dizia que uma Europa que não defina uma politica externa comum, um sistema social igualitário e um sistema de defesa, estava destinada a fracassar.
A União Económica e Monetária, saudada como El Dorado numa sociedade internacional em pleno crescimento económico, é agora, poucos anos transcorridos, olhada como a alavanca da derrocada europeia. Não se construiu a Europa Social e como tal a Europa Económica estava condenada à partida.Não é possivel uma união a várias velocidades, sob pena de criarmos situações de tirania mais opu menos evidente dos mais fortes sobre os mais fracos. A Europa " periférica" a Europa do Sul precisava de ter sido mais acompanhada no seu crescimento a todos os níveis e sobretudo ao nível social. Não me refiro à atribuição de fundos e subsídios mas sim a uma verdadeira solidariedade que passa pela responsabilização dos diferentes interlocutores no processo de desenvolvimento. E por favor não me venham falar com perda de soberania nacional! Ao aceitarmos integrar uma União a alienação de parte de soberania era inevitável. Mas um acoisa é aliená-la em parte com consciência e tendo em vista um bem maior - a construção da Nação Europeia. Outra coisa é desbaratá-la em vão como aconteceu.
À Europa resta pouco tempo de vida. Pergunto-me quanto tempo nos resta a nós como país plenamente soberano.
A união da Europa, relembremos, teve na sua génese o ideal da Revolução Francesa. Pretendia-se criar um lugar de Liberdade Igualdade e Fraternidade que frutificasse como farol para todas as civilizações.
Exangue, após duas grandes guerras, tudo a que aspirava era à reconstrução e à paz.
Evidentemente que o factor do crescimento económico e da criação duma zona económica comum, estava nos planos iniciais da construção da união. Mas era um factor colateral, não primordial.
E foi a centralização do objectivo europeu no pilar da economia que ditou o fim da UE. Sim porque alguém tem dúvidas de que a Europa unida está a prazo? Eu não tenho! Aliás concluo com mágoa que tinha razão quando nas minhas aulas de Geopolítica e nos artigos que escrevi anos atrás dizia que uma Europa que não defina uma politica externa comum, um sistema social igualitário e um sistema de defesa, estava destinada a fracassar.
A União Económica e Monetária, saudada como El Dorado numa sociedade internacional em pleno crescimento económico, é agora, poucos anos transcorridos, olhada como a alavanca da derrocada europeia. Não se construiu a Europa Social e como tal a Europa Económica estava condenada à partida.Não é possivel uma união a várias velocidades, sob pena de criarmos situações de tirania mais opu menos evidente dos mais fortes sobre os mais fracos. A Europa " periférica" a Europa do Sul precisava de ter sido mais acompanhada no seu crescimento a todos os níveis e sobretudo ao nível social. Não me refiro à atribuição de fundos e subsídios mas sim a uma verdadeira solidariedade que passa pela responsabilização dos diferentes interlocutores no processo de desenvolvimento. E por favor não me venham falar com perda de soberania nacional! Ao aceitarmos integrar uma União a alienação de parte de soberania era inevitável. Mas um acoisa é aliená-la em parte com consciência e tendo em vista um bem maior - a construção da Nação Europeia. Outra coisa é desbaratá-la em vão como aconteceu.
À Europa resta pouco tempo de vida. Pergunto-me quanto tempo nos resta a nós como país plenamente soberano.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
UM PRESIDENTE PARA A REPÚBLICA
Somos um povo peculiar! Qualquer fait divers que nos lancem para a agenda politica /mediática nos distraí do que, efectivamente, interessa!
Em plena campanha para as presidenciais, onde o que deveria ser discutido era a forma como cada candidato olhava o seu possivel papel no País, na Europa, no Mundo Lusófono e no restante, discutem-se as ligações dos candidatos à banca, num concurso idiota de " eu sou mais honesto do que tu!"
Evidentemente que interessa averiguar da seriedade dos candidatos. Mas essas questões deveriam ter sido previamente analisadas. Agora importa saber, não o que fizeram mas o que pretendem fazer.
Por isso fiiquei tão satisfeita com a posição do candidato Fernando Nobre que se coloca, mais uma vez, à margem das tricas dos "mentideros" da política mais rasca, para tentar redireccionar o debate para o fulcro do problema.
O que me entristece é esta nossa tendência para a vitimização consentida! Estamos todos fartos de partidos políticos, fartos destas fantochadas que só desprestigiam os seus protagonistas em particular e, infelizmente, o País no geral perante o palco internacional.Pelo menos é que dizemos.
Mas depois, quando aparece alguém que não pactua com este status quo, que pretende trazer uma nova vida e um novo rumo à política, encolhemos os ombros num ar de fatídico karma dizendo que é até boa pessoa, admiramos o seu trabalho a nível internacional, temo-lo como alguém honesto e capaz mas... não vai a lado nenhum porque não tem um partido a apoiá-lo!
Mas afinal quem queremos que mande nos destinos do país? Os partidos com toda a sua camarilha de boys e girls perfilados para a distribuição de tachos, ou NÓS os anónimos cidadãos, a sociedade civil, o povo desta Nação?
Até quando vamos continuar a encolhermo-nos na nossa passividade, no murmurar em surdina ?
Fomos um povo orgulhoso da sua condição! Redescobramos esse orgulho, marquemos a mudança! Mesmo que o vento não nos seja favorável agora, mesmo que a derrota seja certa, melhor é morrer de pé que viver toda a vida de joelhos.
Não nos deixemos mais amarfanhar por gente sem escrúpulos, gente para quem a palavra Pátria nada diz, gente que faz da politica um emprego e não um trabalho em prol da Nação.
No dia 23 vou votar Fernando Nobre.
Porque não é um político, porque não tem um partido a apoiá-lo, porque construiu uma organização internacional respeitada em todo o Mundo; porque deu provas do seu saber , da sua competência, do seu humanismo antes de se colocar ao serviço do País. Porque não grita aos quatro ventos as suas virtudes - elas estão aí semeadas para que todos as vejam. Porque " não ir a lado nenhum!" é melhor do que ir para o atoleiro onde continuamos a chafurdar.
Porque acredito que a mudança é possivel desde que a queiramos.
Em plena campanha para as presidenciais, onde o que deveria ser discutido era a forma como cada candidato olhava o seu possivel papel no País, na Europa, no Mundo Lusófono e no restante, discutem-se as ligações dos candidatos à banca, num concurso idiota de " eu sou mais honesto do que tu!"
Evidentemente que interessa averiguar da seriedade dos candidatos. Mas essas questões deveriam ter sido previamente analisadas. Agora importa saber, não o que fizeram mas o que pretendem fazer.
Por isso fiiquei tão satisfeita com a posição do candidato Fernando Nobre que se coloca, mais uma vez, à margem das tricas dos "mentideros" da política mais rasca, para tentar redireccionar o debate para o fulcro do problema.
O que me entristece é esta nossa tendência para a vitimização consentida! Estamos todos fartos de partidos políticos, fartos destas fantochadas que só desprestigiam os seus protagonistas em particular e, infelizmente, o País no geral perante o palco internacional.Pelo menos é que dizemos.
Mas depois, quando aparece alguém que não pactua com este status quo, que pretende trazer uma nova vida e um novo rumo à política, encolhemos os ombros num ar de fatídico karma dizendo que é até boa pessoa, admiramos o seu trabalho a nível internacional, temo-lo como alguém honesto e capaz mas... não vai a lado nenhum porque não tem um partido a apoiá-lo!
Mas afinal quem queremos que mande nos destinos do país? Os partidos com toda a sua camarilha de boys e girls perfilados para a distribuição de tachos, ou NÓS os anónimos cidadãos, a sociedade civil, o povo desta Nação?
Até quando vamos continuar a encolhermo-nos na nossa passividade, no murmurar em surdina ?
Fomos um povo orgulhoso da sua condição! Redescobramos esse orgulho, marquemos a mudança! Mesmo que o vento não nos seja favorável agora, mesmo que a derrota seja certa, melhor é morrer de pé que viver toda a vida de joelhos.
Não nos deixemos mais amarfanhar por gente sem escrúpulos, gente para quem a palavra Pátria nada diz, gente que faz da politica um emprego e não um trabalho em prol da Nação.
No dia 23 vou votar Fernando Nobre.
Porque não é um político, porque não tem um partido a apoiá-lo, porque construiu uma organização internacional respeitada em todo o Mundo; porque deu provas do seu saber , da sua competência, do seu humanismo antes de se colocar ao serviço do País. Porque não grita aos quatro ventos as suas virtudes - elas estão aí semeadas para que todos as vejam. Porque " não ir a lado nenhum!" é melhor do que ir para o atoleiro onde continuamos a chafurdar.
Porque acredito que a mudança é possivel desde que a queiramos.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
NOVA CORRIDA NOVA VIAGEM
Um Novo Ano é asim como uma página em branco. A gente fita o infinito e tenta adivinhar o que se esconde na sucessão dos dias, o que nos trará o futuro de doze meses que nos parecem imensos e que, invariavelmente , passarão num ápice!
Fazemos brindes à meia -noite e engolimos passas como quem toma um enorme comprimido mágico, na esperança de conseguir o impossivel.
Lemos horóscopos dizendo aos que nos observam que tudo aquilo não passa de patacoadas nas quais não cremos nem um só instante, mas memorizamos os promenores que supostamente os astros, preocupadíssimos com cada uma das nossas pessoas, prevêm para as nossas vidinhas em 2011. E assim vamos aguardando que aquele negócio que nem sabíamos que tínhamos, seja um sucesso, que o amor nos bata à porta quando o temos dentro da sala ou que finalmente sejamos promovidos mesmo que estejamos no topo da carreira.
Isto quando não nos tolhemos de medo perante o terrível acidente de que podemos ser alvo ou a morte dum ente querido que irá marcar o nosso ano novo.
Ora certo certo é que este será um ano de doze meses e que Fevereiro terá 28 dias. Que iremos a urnas ( eleitorais!!!) durante Janeiro. Que seremos mais pobres o ano todo. Que a crise veio para ficar e a gripe também. Que assistiremos a mais tricas, dicas e escandaleiras políticas. Que concluiremos uma vez mais com a inevitabilidade costumeira, que "isto é tudo uma corja", " que " há gente a abotoar-se à grande e à francesa" e que " assim não vamos lá".
Posto isto e perante esta imensidão de dias que serão sempre poucos... FELIZ ANO NOVO !!
Fazemos brindes à meia -noite e engolimos passas como quem toma um enorme comprimido mágico, na esperança de conseguir o impossivel.
Lemos horóscopos dizendo aos que nos observam que tudo aquilo não passa de patacoadas nas quais não cremos nem um só instante, mas memorizamos os promenores que supostamente os astros, preocupadíssimos com cada uma das nossas pessoas, prevêm para as nossas vidinhas em 2011. E assim vamos aguardando que aquele negócio que nem sabíamos que tínhamos, seja um sucesso, que o amor nos bata à porta quando o temos dentro da sala ou que finalmente sejamos promovidos mesmo que estejamos no topo da carreira.
Isto quando não nos tolhemos de medo perante o terrível acidente de que podemos ser alvo ou a morte dum ente querido que irá marcar o nosso ano novo.
Ora certo certo é que este será um ano de doze meses e que Fevereiro terá 28 dias. Que iremos a urnas ( eleitorais!!!) durante Janeiro. Que seremos mais pobres o ano todo. Que a crise veio para ficar e a gripe também. Que assistiremos a mais tricas, dicas e escandaleiras políticas. Que concluiremos uma vez mais com a inevitabilidade costumeira, que "isto é tudo uma corja", " que " há gente a abotoar-se à grande e à francesa" e que " assim não vamos lá".
Posto isto e perante esta imensidão de dias que serão sempre poucos... FELIZ ANO NOVO !!
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
MORTE POR DECRETO
Não é que não me apeteça escrever ou que não tenha vontade ou assunto. Nada disso é razão do silêncio. O que me leva a longos períodos de abstinência da escrita ( com as consequentes e inevitáveis ressacas monumentais) é essa sensação de impotência, de que as palavras são levadas pelo vento e poucas permanecem na memória ou dão frutos.
Então para quê encher a blogoesfera com mais?
Mas há alturas em que a vontade, ditada pela alegria, pela dor , pela revolta ou pela indignação, é mais forte que eu.
A notícia que o JN publicou hoje e que refere a execução dum cidadão norte americano com um cocktail de drogas em que foi utilizado um anestésico para animais indignou-me à naúsea.
Com que direito podem os Estados Unidos intitularem-se defensores dos Direitos Humanos, paladinos do maior grau humanista quando continuam a ter na legislação de diversos estados a pena de morte? Com que moralidade apontam o dedo à China e a outros países onde a mesma pena é aplicada? Que atenuantes têm a não ser os da arrogância dos eternos cowboys solitários?
Não há vida nenhuma que se possa resgatar por outra. Nenhuma morte traz de volta uma vida.Nem lei alguma deveria poder sobrepôr-se à lei natural.
É por isso que me insurjo quando vejo petições de repúdio das condenações à morte de países como a China, o Paquistão. Não porque não concorde mas porque me apercebo claramente da hipocrisia e manipulação a que somos sujeitos. É que nunca vi nenhuma peição condenando as dezenas de execuções legaçlmente praticadas em solo americano, terra de liberdades, da democracia mais pura, dos valores mais sólidos da civilização.
A pena de morte é a manifestação da desumanidade e da sobranceria do homem perante o seu semelhante e nenhum Estado deveria poder intitular-se de livre e democrático tendo-a na sua ordem jurídica.
Seja ele qual for. Independente da raça ou da côr da pele dos seu povo. Trate-se dos EUA ou do Paquistão. No nascimento e na morte todos somos iguais!
Então para quê encher a blogoesfera com mais?
Mas há alturas em que a vontade, ditada pela alegria, pela dor , pela revolta ou pela indignação, é mais forte que eu.
A notícia que o JN publicou hoje e que refere a execução dum cidadão norte americano com um cocktail de drogas em que foi utilizado um anestésico para animais indignou-me à naúsea.
Com que direito podem os Estados Unidos intitularem-se defensores dos Direitos Humanos, paladinos do maior grau humanista quando continuam a ter na legislação de diversos estados a pena de morte? Com que moralidade apontam o dedo à China e a outros países onde a mesma pena é aplicada? Que atenuantes têm a não ser os da arrogância dos eternos cowboys solitários?
Não há vida nenhuma que se possa resgatar por outra. Nenhuma morte traz de volta uma vida.Nem lei alguma deveria poder sobrepôr-se à lei natural.
É por isso que me insurjo quando vejo petições de repúdio das condenações à morte de países como a China, o Paquistão. Não porque não concorde mas porque me apercebo claramente da hipocrisia e manipulação a que somos sujeitos. É que nunca vi nenhuma peição condenando as dezenas de execuções legaçlmente praticadas em solo americano, terra de liberdades, da democracia mais pura, dos valores mais sólidos da civilização.
A pena de morte é a manifestação da desumanidade e da sobranceria do homem perante o seu semelhante e nenhum Estado deveria poder intitular-se de livre e democrático tendo-a na sua ordem jurídica.
Seja ele qual for. Independente da raça ou da côr da pele dos seu povo. Trate-se dos EUA ou do Paquistão. No nascimento e na morte todos somos iguais!
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O MEU PAÍS ESFOMEADO
Hoje ao rever parte do livro ( eterno!!!) que estou a escrever e que se passa numa aldeia raiana em tempos de guerra, deparei-me com este pedaço de texto que escrevi e que, temo bem, venha a verificar-se proximamente. Longe venha o tempo!!
A fome não tem língua.
Expressa-se num idioma único que transborda dos olhos muito abertos, espantados, para depois cair num olhar baço, morto resignado e apático de quem já nada espera, nada pede.
A guerra quando não mata, espalha em seu redor um deserto faminto e transforma os povos em hordas de predadores, cujo único objectivo é sobreviver um dia mais, uma semana, até à próxima colheita que, se Deus quiser e os homens deixarem, será feita em paz.
Mas enquanto a terra estiver assim , esteril e moribunda, sem que haja homens para a acariciarem, a amarem e emprenharem com as suas sementes de trigo dourado, é preciso procurar outras sementeiras, outros campos, outro pão.
A aldeia era presa fácil. Os campos que a ladeavam serviam não apenas de fronteira entre dois países mas eram também linha divisória entre a guerra e a paz, a fome e o alimento.
Vinham pela calada da noite em grupos, familias inteiras, silenciosas como predadores deixando atrás de si campos despidos de espigas, de batatas, de cenouras , de feijão de tudo quanto houvesse para matar a fome.
Homens da terra, habituados a tratá-la com desvelo, respeitavam tanto quanto podiam os campos assaltados, deixando-os como se as colheitas tivessem sido feitas como devido e no tempo certo. Não se tratava de vandalismo ou má intenção: era fome. Fome negra, fome sem sotaque. Fome simplesmente.
A fome não tem língua.
Expressa-se num idioma único que transborda dos olhos muito abertos, espantados, para depois cair num olhar baço, morto resignado e apático de quem já nada espera, nada pede.
A guerra quando não mata, espalha em seu redor um deserto faminto e transforma os povos em hordas de predadores, cujo único objectivo é sobreviver um dia mais, uma semana, até à próxima colheita que, se Deus quiser e os homens deixarem, será feita em paz.
Mas enquanto a terra estiver assim , esteril e moribunda, sem que haja homens para a acariciarem, a amarem e emprenharem com as suas sementes de trigo dourado, é preciso procurar outras sementeiras, outros campos, outro pão.
A aldeia era presa fácil. Os campos que a ladeavam serviam não apenas de fronteira entre dois países mas eram também linha divisória entre a guerra e a paz, a fome e o alimento.
Vinham pela calada da noite em grupos, familias inteiras, silenciosas como predadores deixando atrás de si campos despidos de espigas, de batatas, de cenouras , de feijão de tudo quanto houvesse para matar a fome.
Homens da terra, habituados a tratá-la com desvelo, respeitavam tanto quanto podiam os campos assaltados, deixando-os como se as colheitas tivessem sido feitas como devido e no tempo certo. Não se tratava de vandalismo ou má intenção: era fome. Fome negra, fome sem sotaque. Fome simplesmente.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
PER SALTUM*
Fico espantada com esta coisa do Simplex!! No global a montanha nem sequer chegou a parir e em casos excepcionais o resultado foi dar à luz o Facilitex que é assim uma forma de desenrascanso que permite as coisas mais aberrantes.
Quiça ( gosto tanto desta palavra- quiça!!!Soa tão bem! Além de dar um ar intelectual a quem a usa!) o erro não esteja no programa, mas sim em quem o usa e em quem o implementa. È que existe a forma e o bom senso e este, embora devesse ser comum, verifica-se ser mais incomeum dos sensos.
Vem tudo isto a propósito destes novos acessos ao ensino superior.
O caso ( verídico!!) que me chegou, brada aos céus e choca os humanos. Pelo menos aqueles que queimaram as pestanas e obrigaram os filhos a um regime de trabalho que lhes permitisse prosseguir os seus estudos de acordo com a sua vontade.
Ela tem 48 anos e afirma com toda a sinceridade, que está a realizar um velho sonho : frequenta o curso de Direito numa universidade. É um sonho belo, legitimo e que só dignifica a sua proprietária. As razões que a levaram a chegar a esta idade sem o ter cumprido, ao contrário de muitos cuja vida economicamente lhes foi adversa, prendeu-se com a simples incapacidade intelectual. Legítima também! Nem toda a gente pode ser cirurgiã, ou advogado e se pudesse escolher com quem gostaria de estar num navio a afundar, bem que iria preferir um carpinteiro ou um canalizador ao melhor dos arquitectos. Só depois da revolução é que este país decidiu passar do 8 ao 80 e tomou a peito a igualdade a todo o custo e o nivelamento por baixo.
Mas adiante. Voltemos à história.
Ficou-se a heroína deste relato, pelo antigo 5º ano dos liceus, tirado a ferros e com muito chapadão dos pais que tiveram que se render ao facto da sua filha " ... não dar para aquilo!".
Eis que lhe chegou aos ouvidos o programa do acesso ao ensino superior aos maiores de 23 anos, mediante exame de admissão.
O processo é. desde logo, altamente injusto. Enquanto uns andam a queimar as pestaninhas, a fazer sacrifícios e contas à vida para conseguirem não só acabar o 12º ano como fazê-lo com as notas mirabolantes EXIGIDAS, que lhes permita "entrar" nos cursos pretendidos, outros limitam-se a esperar que cheguem uma dada idade e, nem que tenham a 4ª clase de adultos, toma lá um tapete vermelho para o Olimpo dos doutores.
Contraporão alguns que o exame é uma forma de selecção. A esses pergunto se já viram algum. Eu já e fiquei assustada. Temo que daqui a alguns anos entre nas urgências com uma apendicite e saia de lá sem amigdalas!
Pois a boa da rapariga fez o exame e, azar dos azares, reprovou!
Acabrunhada, vendo o seu sonho cada vez mais longe, eis que uma luz lhe surge no fundo do túnel: Uma determinada universidade privada, aceita-a como " aluna externa(!)", deixando-a assistir às aulas e fazer os exames, afirmando-lhe que, caso passe nestes, transita imediatamente para aluna matriculada. Isto tudo pela módica quantia de 1000€!
Feliz e contente a nossa futura doutora de caderno debaixo do braço lá vai ela a cminho das aulas. Dificeis! afirma suspirando. Mas de facto vantajosas! É que passou de imediato a assistir às aulas do 2º ano.
Isto sim é Simplex a sério!
* Expressão roubada a um amigo meu, homem que, vejam só!!! cursou cinco anos de Direito!!!!
Quiça ( gosto tanto desta palavra- quiça!!!Soa tão bem! Além de dar um ar intelectual a quem a usa!) o erro não esteja no programa, mas sim em quem o usa e em quem o implementa. È que existe a forma e o bom senso e este, embora devesse ser comum, verifica-se ser mais incomeum dos sensos.
Vem tudo isto a propósito destes novos acessos ao ensino superior.
O caso ( verídico!!) que me chegou, brada aos céus e choca os humanos. Pelo menos aqueles que queimaram as pestanas e obrigaram os filhos a um regime de trabalho que lhes permitisse prosseguir os seus estudos de acordo com a sua vontade.
Ela tem 48 anos e afirma com toda a sinceridade, que está a realizar um velho sonho : frequenta o curso de Direito numa universidade. É um sonho belo, legitimo e que só dignifica a sua proprietária. As razões que a levaram a chegar a esta idade sem o ter cumprido, ao contrário de muitos cuja vida economicamente lhes foi adversa, prendeu-se com a simples incapacidade intelectual. Legítima também! Nem toda a gente pode ser cirurgiã, ou advogado e se pudesse escolher com quem gostaria de estar num navio a afundar, bem que iria preferir um carpinteiro ou um canalizador ao melhor dos arquitectos. Só depois da revolução é que este país decidiu passar do 8 ao 80 e tomou a peito a igualdade a todo o custo e o nivelamento por baixo.
Mas adiante. Voltemos à história.
Ficou-se a heroína deste relato, pelo antigo 5º ano dos liceus, tirado a ferros e com muito chapadão dos pais que tiveram que se render ao facto da sua filha " ... não dar para aquilo!".
Eis que lhe chegou aos ouvidos o programa do acesso ao ensino superior aos maiores de 23 anos, mediante exame de admissão.
O processo é. desde logo, altamente injusto. Enquanto uns andam a queimar as pestaninhas, a fazer sacrifícios e contas à vida para conseguirem não só acabar o 12º ano como fazê-lo com as notas mirabolantes EXIGIDAS, que lhes permita "entrar" nos cursos pretendidos, outros limitam-se a esperar que cheguem uma dada idade e, nem que tenham a 4ª clase de adultos, toma lá um tapete vermelho para o Olimpo dos doutores.
Contraporão alguns que o exame é uma forma de selecção. A esses pergunto se já viram algum. Eu já e fiquei assustada. Temo que daqui a alguns anos entre nas urgências com uma apendicite e saia de lá sem amigdalas!
Pois a boa da rapariga fez o exame e, azar dos azares, reprovou!
Acabrunhada, vendo o seu sonho cada vez mais longe, eis que uma luz lhe surge no fundo do túnel: Uma determinada universidade privada, aceita-a como " aluna externa(!)", deixando-a assistir às aulas e fazer os exames, afirmando-lhe que, caso passe nestes, transita imediatamente para aluna matriculada. Isto tudo pela módica quantia de 1000€!
Feliz e contente a nossa futura doutora de caderno debaixo do braço lá vai ela a cminho das aulas. Dificeis! afirma suspirando. Mas de facto vantajosas! É que passou de imediato a assistir às aulas do 2º ano.
Isto sim é Simplex a sério!
* Expressão roubada a um amigo meu, homem que, vejam só!!! cursou cinco anos de Direito!!!!
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