quinta-feira, 23 de setembro de 2010

PÉS NO ÍNDICO - FOTOS DA ILHA DE MOÇAMBIQUE

Museu da Ilha. Os mais belos ( e grandes!!) tapetes de Arraiolos que vi!
Pedaços de vidas1
Pedaços de vidas 2


Recordações dum tempo longínquo


Pedaços de vida 3
O largo do Reliquias -  restaurante explorado por jovens  portugueses

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PÉS NO INDICO - OMIPITHI

A ilha já foi capital deste país que no inicio se chamou OMIPITHI.
Hoje este pedaço de terra separado do continente por uma ponte duma só via ( para poderem passar dois carros é preciso que o que estiver mais próximo da escapatória aguarde ), é uma pequena joia que alguém deitou nas cinzas. Mas por muito suja e maltratada que esteja mantém o seu fulgor.
Sinto  um enorme orgulho em ser portuguesa, em percorrer estas ruas plenas de imagens doutros tempos, reminescências decrépitas dum era que não podemos negar e da qual não devemos envergonharmo-nos.
O antigo hospital na Ilha de Moçambique

 Porque se há algo de que devemos ter orgulho é de tudo o que deixámos em África. Incluindo o coração.
Fechado e esquecido


Aqui Luis de Camões cantou os feitos Lusos

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

PÉS NO ÍNDICO - RASTILHO DE PÓLVORA

Os xapas são carrinhas de transporte privado que fazem  a maior parte dos trajectos no país

Com noventa e cinco por cento da população a viver abaixo do limiar da pobreza ( Alguém que me explique quer os números quer o significado da expressão. Para mim isto significa o desespero extremo de quem nada tem), lado a lado com os restantes cinco em faustoso luxo e sumptuosas mansões, Moçambique tenta um equilibrio dificil entre a tranquilidade necessária para atrair investidores e os vários rastilhos do descontentamento da população.


O aumento de 30% no custo dos bens essenciais, incluindo nestes os custos dos "xapas" fez Maputo explodir!


Na véspera já se comentava nas ruas que a greve ia ser dura. A convocatória que circulava por sms era clara: havia que aproveitar a FACIM para denunciar mais este ataque ao paupérrimo povo moçambicano. Os objectivos eram claros: Desacreditar o governo Guebuza internacionalmente dando aos investidores motivos para equacionarem prudentemente a sua participação na economia do país e ao nível interno tratando de impedir a revisão constitucional que lhe dará a possibilidade dum terceiro mandato.


Está bem de ver que estes são os objectivos políticos. Os outros, aqueles que levaram diversos manifestantes a pilharem armazéns e a envolverem-se em confrontos com a polícia, são bem mais pragmáticos: são a fome e a falta de perspectivas futuras.


O exército carregou fortemente. Confrontado com a critica internacional sobre o uso de fogo real para dispersar os manifestantes, a resposta foi à bispo: tinham-se acabado as de borracha.


O resultado foram os números oficiais que apontaram para 13 mortos na Matola , entre os quais se contava uma criança vítima de bala perdida e os outros que contabilizaram bem mais do dobro.


Dos confrontos no Chimoio praticamente ninguém falou.


A FACIM, que este ano estava considerada como a melhor de sempre, esteve fechada durante dois dias. A capital parou durante outro tanto.


Viveram-se momentos de ansiedade. É que as revoltas, quando têm na sua base o desespero, tornam-se muitas vezes impossiveis de conter. Pelo menos sem banhos de sangue.


Há um vazio no olhar  que é urgente preencher
Desta vez o governo recuou mas... até quando se manterá este equilibrio de duas realidades tão desiguais??

domingo, 19 de setembro de 2010

PÉS NO INDICO - A CIDADE CONHECIDA POR MAPUTO






















Faz frio em África! Ora aqui está uma novidade! Sai uma pessoa da Europa com quase quarenta graus a pensar que vem pro calor e é isto!Faz mesmo frio em África!







É um frio que se insinua quando a noite cai. Mas ao contrário desta, vem chegando de mansinho, deixando a recordação do calor do dia durante horas.







Ainda não sei o que é África. Tudo se mistura! O calor e o frio. O dia que começa cedo e a noite que cai mais cedo ainda.







Lourenço Marques que se fez Maputo e que já é Kamfumo é uma cidade que exibe todas estas mudanças no seu rosto. Os registos da bela cidade do tipo colonial que foi outrora, estão cá. Surgem em cada esquina altivos na sua decadência desafiando o tempo e as mudanças. Coexistem com novas estátuas e bairros recentes. Alguns duma ostensiva opulência. Outros duma pobreza extrema. As ruas tomaram novos nomes e novos habitantes, mas a princesa do Índico mantem esse ar de menina mulata que abraçou negros , brancos, indianos, chineses e a todos chamou seus.







PÉS NO ÍNDICO


Inicio hoje uma série de pequenos textos escritos durante a minha estadia em Moçambique, no livrinho de capa negra que sempre me acompanha.

Não têm a pretensão de ser crónicas ou textos literários. Tão somente impres^~oes duma europeia que, pela primeira vez pôes os pés em África.

Aqui ficarão fotos recentes de lugares que para muitos serão familiares.

Convido os que me lerem a partilharem também as suas histórias , as memórias e as imagens daquela terra que se insinua e se instala nos corações de quem a pisa.

domingo, 1 de agosto de 2010

OS MUROS SOMOS NÓS


Uma manhã mais fresca depois do calor sufocante dos últimos dias levou-me a Serralves, onde está patente a exposição de Marlene Dumas intitulada " Contra os muros".

O duplo sentido do título, leva-nos através de pinceladas fortes, muito fortes, em tons lugubres, a colocarmo-nos indefesos de encontra os muros e convida-nos a lutar contra todos os muros que se levantam à nossa volta.

Vivemos rodeados de muros que erguemos para nos protegermos dos outros sem tomarmos conta de que, ao mesmo tempo que nos rodeamos de paredes isoladoras, ficamos menos humanos.

Na aldeia dos meus pais as portas ficavam sempre abertas. Quando muito a chave ficava na gateira à distância duma mão. Hoje, até ali no mais recôndito pedaço de Portugal exertado em Espanha, multiplicam-se as trancas. Há portões com cadeados e portas com fechaduras de segurança. Há até já ( pasme-se!!) sistemas de segurança electrónica!!

O homem transformou-se naquilo que levou séculos a evitar: ser uma ilha. E uma ilha fortificada.

A exposição de Marlene Dumas contrapõe a dada altura, dois muros : o das lamentações e o que se ergue na Faixa de Gaza. Um que liga o homem ao deus e outro que separa irmãos.
Para pensar.
E de repente, sem saber porquê, lembrei o livro da Alice Vieira " Chocolate à Chuva " onde duas meninas pegam em pequenos bancos que encostam ao muro que divide os jardins e ali ficam horas infindas construindo por sobre o muro uma amizade que não conhece barreiras.

Talvez o que nos falte seja voltarmos a ser crianças para arrastarmos bancos que nos façam debruçar sobre as paredes da intolerância.

terça-feira, 13 de julho de 2010

PASSAR ALÉM DA TAPORBANA






Do homem pouco ou nada sabia. Vira-o uma ou duas vezes na televisão, sempre

com o ar de quem está de partida, apressado mas com uma calma quase ascética, comedido nas palavras, passando ao lado dos holofotes. Conhecia superficialmente o seu trabalho como presidente da AMI e pouco mais.

Quando se perfilou para a Presidência da República, a minha primeira reacção foi pensar que o homem tinha ensandecido. Logo em seguida veio o anedotário da praxe: se o país está nesta catástrofe que se conhece, então quem mais que o Fernando Nobre para lhe acudir?


A isto se resumia o meu conhecimento do homem que ontem no Forum Portucalense nos presenteou com uma verdadeira lição de cidadania.

É um facto que de politico, na acessão mais limitada e mesquinha da palavra e que simboliza os que nunca outra coisa foram na vida, nada tem. Falta-lhe o brilho das belas palavras, que colmata com a simplicidade das ideias claras que todos entendem. Falta-lhe o carisma mediático que ultrapassa com o à vontade de quem viu o Mundo com olhos de homem e para quem o sofrimento humano não é um dado distante.

Mas é um Grande politico porque tem a ousadia de chamar a si , não o protagonismo das parangonas, mas a participação responsável do cidadão na vida do seu país . E essa é a verdadeira política.

Fernando Nobre ousa querer passar além da Taporbana! Ousa olhar a Nação, a Pátria não como palavras escritas e redondas, mas como realidades amadas que há que proteger e colocar no lugar que é seu por direito e que não se confina ao pequeno rectângulo que vai do Minho ao Algarve , saltando à Madeira e aos Açores.

A bela frase " A minha Pátria é a língua portuguesa" toma em Fernando Nobre um âmbito real, concreto, não se limita ao discurso oco e politicamente correcto. Essa é aliás mais uma característica sua: Não é nem está preocupado em ser, politicamente correcto.

É um homem de acção. É preciso agir? Então aja-se! Já! Agora! Contra ventos e marés! Sem preocupações nem pruridos desta ou daquela natureza. A acção do cirurgião nunca pode ser balizada pelos formalismos, sob pena de se perderem vidas, e ele é, sempre será, um cirurgião.

Fernando Nobre enfrenta agora talvez um dos maiores desafios da sua carreira: salvar a vida duma Nação! Duma Nação que perdeu a esperança e a confiança em si mesma. Duma Nação que se apequenou mercê de politicos profissionais para quem a Pátria é lingua morta.


A candidatura de Fernando Nobre à presidência é a manifestação clara do poder da sociedade civil. Cansada do espartilho partidário, cansada do economicismo sem humanismo, decidiu romper as limitações e passar além da Taporbana, além dos medos e dos desânimos.

Falta cumprir Portugal- dizia Fernando Pessoa.

Cumpra-se! - diz um outro Fernando.