Não é que não me apeteça escrever ou que não tenha vontade ou assunto. Nada disso é razão do silêncio. O que me leva a longos períodos de abstinência da escrita ( com as consequentes e inevitáveis ressacas monumentais) é essa sensação de impotência, de que as palavras são levadas pelo vento e poucas permanecem na memória ou dão frutos.
Então para quê encher a blogoesfera com mais?
Mas há alturas em que a vontade, ditada pela alegria, pela dor , pela revolta ou pela indignação, é mais forte que eu.
A notícia que o JN publicou hoje e que refere a execução dum cidadão norte americano com um cocktail de drogas em que foi utilizado um anestésico para animais indignou-me à naúsea.
Com que direito podem os Estados Unidos intitularem-se defensores dos Direitos Humanos, paladinos do maior grau humanista quando continuam a ter na legislação de diversos estados a pena de morte? Com que moralidade apontam o dedo à China e a outros países onde a mesma pena é aplicada? Que atenuantes têm a não ser os da arrogância dos eternos cowboys solitários?
Não há vida nenhuma que se possa resgatar por outra. Nenhuma morte traz de volta uma vida.Nem lei alguma deveria poder sobrepôr-se à lei natural.
É por isso que me insurjo quando vejo petições de repúdio das condenações à morte de países como a China, o Paquistão. Não porque não concorde mas porque me apercebo claramente da hipocrisia e manipulação a que somos sujeitos. É que nunca vi nenhuma peição condenando as dezenas de execuções legaçlmente praticadas em solo americano, terra de liberdades, da democracia mais pura, dos valores mais sólidos da civilização.
A pena de morte é a manifestação da desumanidade e da sobranceria do homem perante o seu semelhante e nenhum Estado deveria poder intitular-se de livre e democrático tendo-a na sua ordem jurídica.
Seja ele qual for. Independente da raça ou da côr da pele dos seu povo. Trate-se dos EUA ou do Paquistão. No nascimento e na morte todos somos iguais!
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O MEU PAÍS ESFOMEADO
Hoje ao rever parte do livro ( eterno!!!) que estou a escrever e que se passa numa aldeia raiana em tempos de guerra, deparei-me com este pedaço de texto que escrevi e que, temo bem, venha a verificar-se proximamente. Longe venha o tempo!!
A fome não tem língua.
Expressa-se num idioma único que transborda dos olhos muito abertos, espantados, para depois cair num olhar baço, morto resignado e apático de quem já nada espera, nada pede.
A guerra quando não mata, espalha em seu redor um deserto faminto e transforma os povos em hordas de predadores, cujo único objectivo é sobreviver um dia mais, uma semana, até à próxima colheita que, se Deus quiser e os homens deixarem, será feita em paz.
Mas enquanto a terra estiver assim , esteril e moribunda, sem que haja homens para a acariciarem, a amarem e emprenharem com as suas sementes de trigo dourado, é preciso procurar outras sementeiras, outros campos, outro pão.
A aldeia era presa fácil. Os campos que a ladeavam serviam não apenas de fronteira entre dois países mas eram também linha divisória entre a guerra e a paz, a fome e o alimento.
Vinham pela calada da noite em grupos, familias inteiras, silenciosas como predadores deixando atrás de si campos despidos de espigas, de batatas, de cenouras , de feijão de tudo quanto houvesse para matar a fome.
Homens da terra, habituados a tratá-la com desvelo, respeitavam tanto quanto podiam os campos assaltados, deixando-os como se as colheitas tivessem sido feitas como devido e no tempo certo. Não se tratava de vandalismo ou má intenção: era fome. Fome negra, fome sem sotaque. Fome simplesmente.
A fome não tem língua.
Expressa-se num idioma único que transborda dos olhos muito abertos, espantados, para depois cair num olhar baço, morto resignado e apático de quem já nada espera, nada pede.
A guerra quando não mata, espalha em seu redor um deserto faminto e transforma os povos em hordas de predadores, cujo único objectivo é sobreviver um dia mais, uma semana, até à próxima colheita que, se Deus quiser e os homens deixarem, será feita em paz.
Mas enquanto a terra estiver assim , esteril e moribunda, sem que haja homens para a acariciarem, a amarem e emprenharem com as suas sementes de trigo dourado, é preciso procurar outras sementeiras, outros campos, outro pão.
A aldeia era presa fácil. Os campos que a ladeavam serviam não apenas de fronteira entre dois países mas eram também linha divisória entre a guerra e a paz, a fome e o alimento.
Vinham pela calada da noite em grupos, familias inteiras, silenciosas como predadores deixando atrás de si campos despidos de espigas, de batatas, de cenouras , de feijão de tudo quanto houvesse para matar a fome.
Homens da terra, habituados a tratá-la com desvelo, respeitavam tanto quanto podiam os campos assaltados, deixando-os como se as colheitas tivessem sido feitas como devido e no tempo certo. Não se tratava de vandalismo ou má intenção: era fome. Fome negra, fome sem sotaque. Fome simplesmente.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
PER SALTUM*
Fico espantada com esta coisa do Simplex!! No global a montanha nem sequer chegou a parir e em casos excepcionais o resultado foi dar à luz o Facilitex que é assim uma forma de desenrascanso que permite as coisas mais aberrantes.
Quiça ( gosto tanto desta palavra- quiça!!!Soa tão bem! Além de dar um ar intelectual a quem a usa!) o erro não esteja no programa, mas sim em quem o usa e em quem o implementa. È que existe a forma e o bom senso e este, embora devesse ser comum, verifica-se ser mais incomeum dos sensos.
Vem tudo isto a propósito destes novos acessos ao ensino superior.
O caso ( verídico!!) que me chegou, brada aos céus e choca os humanos. Pelo menos aqueles que queimaram as pestanas e obrigaram os filhos a um regime de trabalho que lhes permitisse prosseguir os seus estudos de acordo com a sua vontade.
Ela tem 48 anos e afirma com toda a sinceridade, que está a realizar um velho sonho : frequenta o curso de Direito numa universidade. É um sonho belo, legitimo e que só dignifica a sua proprietária. As razões que a levaram a chegar a esta idade sem o ter cumprido, ao contrário de muitos cuja vida economicamente lhes foi adversa, prendeu-se com a simples incapacidade intelectual. Legítima também! Nem toda a gente pode ser cirurgiã, ou advogado e se pudesse escolher com quem gostaria de estar num navio a afundar, bem que iria preferir um carpinteiro ou um canalizador ao melhor dos arquitectos. Só depois da revolução é que este país decidiu passar do 8 ao 80 e tomou a peito a igualdade a todo o custo e o nivelamento por baixo.
Mas adiante. Voltemos à história.
Ficou-se a heroína deste relato, pelo antigo 5º ano dos liceus, tirado a ferros e com muito chapadão dos pais que tiveram que se render ao facto da sua filha " ... não dar para aquilo!".
Eis que lhe chegou aos ouvidos o programa do acesso ao ensino superior aos maiores de 23 anos, mediante exame de admissão.
O processo é. desde logo, altamente injusto. Enquanto uns andam a queimar as pestaninhas, a fazer sacrifícios e contas à vida para conseguirem não só acabar o 12º ano como fazê-lo com as notas mirabolantes EXIGIDAS, que lhes permita "entrar" nos cursos pretendidos, outros limitam-se a esperar que cheguem uma dada idade e, nem que tenham a 4ª clase de adultos, toma lá um tapete vermelho para o Olimpo dos doutores.
Contraporão alguns que o exame é uma forma de selecção. A esses pergunto se já viram algum. Eu já e fiquei assustada. Temo que daqui a alguns anos entre nas urgências com uma apendicite e saia de lá sem amigdalas!
Pois a boa da rapariga fez o exame e, azar dos azares, reprovou!
Acabrunhada, vendo o seu sonho cada vez mais longe, eis que uma luz lhe surge no fundo do túnel: Uma determinada universidade privada, aceita-a como " aluna externa(!)", deixando-a assistir às aulas e fazer os exames, afirmando-lhe que, caso passe nestes, transita imediatamente para aluna matriculada. Isto tudo pela módica quantia de 1000€!
Feliz e contente a nossa futura doutora de caderno debaixo do braço lá vai ela a cminho das aulas. Dificeis! afirma suspirando. Mas de facto vantajosas! É que passou de imediato a assistir às aulas do 2º ano.
Isto sim é Simplex a sério!
* Expressão roubada a um amigo meu, homem que, vejam só!!! cursou cinco anos de Direito!!!!
Quiça ( gosto tanto desta palavra- quiça!!!Soa tão bem! Além de dar um ar intelectual a quem a usa!) o erro não esteja no programa, mas sim em quem o usa e em quem o implementa. È que existe a forma e o bom senso e este, embora devesse ser comum, verifica-se ser mais incomeum dos sensos.
Vem tudo isto a propósito destes novos acessos ao ensino superior.
O caso ( verídico!!) que me chegou, brada aos céus e choca os humanos. Pelo menos aqueles que queimaram as pestanas e obrigaram os filhos a um regime de trabalho que lhes permitisse prosseguir os seus estudos de acordo com a sua vontade.
Ela tem 48 anos e afirma com toda a sinceridade, que está a realizar um velho sonho : frequenta o curso de Direito numa universidade. É um sonho belo, legitimo e que só dignifica a sua proprietária. As razões que a levaram a chegar a esta idade sem o ter cumprido, ao contrário de muitos cuja vida economicamente lhes foi adversa, prendeu-se com a simples incapacidade intelectual. Legítima também! Nem toda a gente pode ser cirurgiã, ou advogado e se pudesse escolher com quem gostaria de estar num navio a afundar, bem que iria preferir um carpinteiro ou um canalizador ao melhor dos arquitectos. Só depois da revolução é que este país decidiu passar do 8 ao 80 e tomou a peito a igualdade a todo o custo e o nivelamento por baixo.
Mas adiante. Voltemos à história.
Ficou-se a heroína deste relato, pelo antigo 5º ano dos liceus, tirado a ferros e com muito chapadão dos pais que tiveram que se render ao facto da sua filha " ... não dar para aquilo!".
Eis que lhe chegou aos ouvidos o programa do acesso ao ensino superior aos maiores de 23 anos, mediante exame de admissão.
O processo é. desde logo, altamente injusto. Enquanto uns andam a queimar as pestaninhas, a fazer sacrifícios e contas à vida para conseguirem não só acabar o 12º ano como fazê-lo com as notas mirabolantes EXIGIDAS, que lhes permita "entrar" nos cursos pretendidos, outros limitam-se a esperar que cheguem uma dada idade e, nem que tenham a 4ª clase de adultos, toma lá um tapete vermelho para o Olimpo dos doutores.
Contraporão alguns que o exame é uma forma de selecção. A esses pergunto se já viram algum. Eu já e fiquei assustada. Temo que daqui a alguns anos entre nas urgências com uma apendicite e saia de lá sem amigdalas!
Pois a boa da rapariga fez o exame e, azar dos azares, reprovou!
Acabrunhada, vendo o seu sonho cada vez mais longe, eis que uma luz lhe surge no fundo do túnel: Uma determinada universidade privada, aceita-a como " aluna externa(!)", deixando-a assistir às aulas e fazer os exames, afirmando-lhe que, caso passe nestes, transita imediatamente para aluna matriculada. Isto tudo pela módica quantia de 1000€!
Feliz e contente a nossa futura doutora de caderno debaixo do braço lá vai ela a cminho das aulas. Dificeis! afirma suspirando. Mas de facto vantajosas! É que passou de imediato a assistir às aulas do 2º ano.
Isto sim é Simplex a sério!
* Expressão roubada a um amigo meu, homem que, vejam só!!! cursou cinco anos de Direito!!!!
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
VOLTA FMI!!!
Não entendo NADA de Economia e muito menos de Finanças. Sei apenas que os ordenados não têm a elasticidade suficiente para irem de 21 a 21 ( como funcionária pública recebo ao dia 21, mas o meu mês tem trinta dias como os outros), que as contas de supermercado são cada dia maiores, que a saúde a educação e a justiça se tornaram luxos e que nos pedem cada vez mais sacrifícios em nome duma estabilidade que nunca tivemos.
Em paralelo sucedem-se as noticias de escândalos financeiros, de esbanjamentos imorais, de fraudes fiscais.
Nestas contas de mercearia que qualquer um pode fazer - eu pago outros esbanjam - o PEC e o OE passaram a permissas dolorosamente conhecidas.
Talvez por isso o anúncio do falanço das negociações entre o governo e o maior partido da oposição ao invés de me angustiar me trouxe nova esperança. É que, ao que toda a gente afirmava o Orçamento era um mau orçamento e que não iria solucionar coisissima nenhuma.
Por isso talvez o melhor seja receber o FMI de braços abertos. É que com ele sabemos que os sacrificios terão resultados e chegarão a todos.
Coisa que, de outra maneira duvido.
Em paralelo sucedem-se as noticias de escândalos financeiros, de esbanjamentos imorais, de fraudes fiscais.
Nestas contas de mercearia que qualquer um pode fazer - eu pago outros esbanjam - o PEC e o OE passaram a permissas dolorosamente conhecidas.
Talvez por isso o anúncio do falanço das negociações entre o governo e o maior partido da oposição ao invés de me angustiar me trouxe nova esperança. É que, ao que toda a gente afirmava o Orçamento era um mau orçamento e que não iria solucionar coisissima nenhuma.
Por isso talvez o melhor seja receber o FMI de braços abertos. É que com ele sabemos que os sacrificios terão resultados e chegarão a todos.
Coisa que, de outra maneira duvido.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
É HOJE! É HOJE!!!!
.. que vamos finalmente ouvir o que estamos "marrecos"de saber: que o Professor Aníbal Cavaco Silva se irá recandidatar. Claro que o fará a contragosto, por imperativo nacional, perante a difícil situação que o país atravessa e pressão de várias correntes. Mas, pronto, ei-lo que se curva à vontade popular!
Basicamente será isto que dirá logo às oito da noite em directo do CCB.
A sala encontra-se reservada há várias semanas(?) meses(?). Mas o professor ainda não se tinha decidido, note-se! Tinha reservado a salita pelo sim pelo não! Podia até aproveitá-la para dizer que não se candidatava pelas mesmas razões pelas quais o irá fazer, mas vistas ao contrário ( assim tipo filme rebobinado em sentido inverso).
Nós por Cá gostavamos de saber em quanto orça ( orça??? ena que palavra tão feia!!) o aluguer do espaço.
É que em tempo de austeridade ficava bem a um homem que apregoa a sua frugalidade aos sete ventos ter-se abstido de tal despesa. Assim como assim já toda agente sabia!
O professor Marcelo é uma língua de trapos!!
Basicamente será isto que dirá logo às oito da noite em directo do CCB.
A sala encontra-se reservada há várias semanas(?) meses(?). Mas o professor ainda não se tinha decidido, note-se! Tinha reservado a salita pelo sim pelo não! Podia até aproveitá-la para dizer que não se candidatava pelas mesmas razões pelas quais o irá fazer, mas vistas ao contrário ( assim tipo filme rebobinado em sentido inverso).
Nós por Cá gostavamos de saber em quanto orça ( orça??? ena que palavra tão feia!!) o aluguer do espaço.
É que em tempo de austeridade ficava bem a um homem que apregoa a sua frugalidade aos sete ventos ter-se abstido de tal despesa. Assim como assim já toda agente sabia!
O professor Marcelo é uma língua de trapos!!
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
RETORNO ÀS MALAS DE CARTÃO
Os anos sessenta foram marcados pelo êxodo português para a França e a Alemanha. Já anteriormente, no período que se seguiu ao fim da última guerra e antes disso na paz entre as duas, muitos foram os que rumaram em busca do El Dorado atravessando o oceano e aportando em terras do Brasil, Venezuela e Argentina.
As aldeias ficavam despovoadas de homens, entregues a mulheres, velhos e crianças.
Justificava-se essa emigração com o espectro das guerras, primeiro as que traziam a fome vinda do lado de lá da fronteira, depois a outra, a que roubava vidas. Mas no fundo a razão ominipresente era essa necessidade de procurar fora o que aqui a Pátria negava: condições de vida e de trabalho condignas.
Pensávamos ter ultrapassado esses tempos. Pareciam-nos longínquos, parte da História.
Tornámo-nos até país de imigração, acolhendo primeiro gente vinda das nossas ex-colónias, abrindo depois os braços às vagas dos que fugiam das guerras a Leste para acabarmos por ser porto de acolhimento de todo o Mundo. Pagávamos desta maneira, uma dívida de acolhimento.
Hoje preparamos novamente as malas de cartão.
Não são já os altamente qualificados os que abandonam a ditosa Pátria amada. Esses há muito se viram escorraçados, empurrados para lá das fronteiras que só deixaram de existir na forma da lei, para poderem fazer frutificar as suas capacidades. E fizeram-no brilhantemente. Portugal perdeu muitos dos seus cientistas, economistas, gestores, abrindo-se a outros vindos de países mais deprimidos e que aceitavam as precárias condições que lhes ofereciamos. No fundo trocámos os filhos por enteados por um punhado de moedas! Hipotecámos o futuro por um presente mais baratinho.
Agora serão os outros, os que da noite para o dia se vêm a braços com uma crise que se arrasta e os arrasta, sem que a entendam. Uma crise que parece não afectar todos mas que empurrará muitos para o êxodo forçado.
E mais uma vez se vende a Nação. De novo se hipoteca o futuro.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
IMPORTA-SE DE REPETIR???
Já só nos faltava esta! Agora somos ileterados financeiros!!! Coisa que até arrepia e parece assim doença grave!
Mas vamos lá ver: o que é isso de ileteracia financeira? Os portugueses sabem de economia e finanças qb para fazerem contas à vida e concluirem que o mês tem cada vez mais dias e o salário não estica.
Sabem que o cabaz fica mais leve e aprendem que o leite com chocolate é um artigo de luxo bem como as pastas dentífricas!Sabem que lhes acenaram com promessas de oásis a que nunca acederam, que os bombardearam com facilidades de crédito que lhes abria as portas a um nível de vida igual " ao lá de fora" e que se deixaram iludir comprando casas próprias, carros, viagens...
Depois da euforia do consumo, a factura bateu com a força das tragédias.
Agora, ainda por cima, chamam-nos de ileteratos e apontam -nos a nossa falta de hábitos de poupança.
E envergonhados, sentindo-nos falsamente culpados, olhamos o rolar dos dias, sempre mais longos, mãos nos bolsos onde nada há para guardar.
Mas vamos lá ver: o que é isso de ileteracia financeira? Os portugueses sabem de economia e finanças qb para fazerem contas à vida e concluirem que o mês tem cada vez mais dias e o salário não estica.
Sabem que o cabaz fica mais leve e aprendem que o leite com chocolate é um artigo de luxo bem como as pastas dentífricas!Sabem que lhes acenaram com promessas de oásis a que nunca acederam, que os bombardearam com facilidades de crédito que lhes abria as portas a um nível de vida igual " ao lá de fora" e que se deixaram iludir comprando casas próprias, carros, viagens...
Depois da euforia do consumo, a factura bateu com a força das tragédias.
Agora, ainda por cima, chamam-nos de ileteratos e apontam -nos a nossa falta de hábitos de poupança.
E envergonhados, sentindo-nos falsamente culpados, olhamos o rolar dos dias, sempre mais longos, mãos nos bolsos onde nada há para guardar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



