segunda-feira, 27 de abril de 2015

E A EUROPA AQUI TÃO PERTO!!






Os recentes acontecimentos ocorridos ao largo de Itália vieram reacender a questão da imigração ilegal e das suas consequências económicas mas sobretudo humanitárias, junto da opinião pública.
Os países do Sul da Europa têm-se visto a braços com este flagelo desde sempre mas com um a maior gravidade na última década, mercê do aumento dos conflitos em África e sobretudo no médio Oriente.
Portugal até ao momento tem estado numa situação protegida, já que a sua orla costeira é banhada pelo Atlântico e não pelo Mediterrâneo, para mal dos pecados  do turismo mas para descanso das autoridades.
Mas esta é uma situação que não vai durar muito mais tempo!!!
A serem tomadas as medidas repressivas decididas pela EU na passada semana no mar Mediterrâneo, não tardarão a dar à costa Algarvia barcos de gente ávida de vida e cadáveres anónimos!
É apenas uma questão de oportunidade face ao desespero: cortada a rota , supostamente menos perigosa, do mediterrâneo, outras irão surgir e a travessia  até agora pouco tentada , pois que o Atlântico é oceano nada pacifico, entre África e o continente Europeu, vai ser rota alternativa.
A Europa continua a exercer a sua já habitual política low profile e de recurso. A acção é determinada pelos efeitos duma causa que não querem ( ou não sabem!) atacar. Continua-se a agir pela solução imediata, mais simples, camuflada em roupagens de consenso.
Que diferença existe entre as medidas agora aprovadas e as sugeridas pelo primeiro ministro Australiano que tanta polémica e indignação provocaram? Uma única: a forma de comunicar, a linguagem usada, numa palavra a hipocrisia .
E Portugal, onde fica Portugal nesta questão? Que medidas  propôs, como pretende agir? Ou à boa maneira portuguesa, iremos lançar mão das três frases mais assassinas da nossa língua : “ Isto não há-de ser nada “; “ Depois logo se vê” e finalmente a célebre “ A malta desenrasca-se!”?


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A JUSTIÇA ESPECTÁCULO




 

Desde tempos remotos que a justiça e a sua aplicação tem uma componente de espectáculo .

Recordemos as execuções públicas  e os autos de fé, com todo o envolvimento amoral e lúdico que os acompanhava.

 Esta justiça/espectáculo tem duas razões de ser: A primeira a de demonstrar que a lei se aplica a todos sem excepção  e a segunda como medida de prevenção e de desincentivação  por forma  a prevenir outros delitos.

Mas o lado perverso desta justiça em praça pública, que nos nossos dias é feita nos media e nas redes sociais, é o julgamento sem direito a defesa ou contraditório e a inevitável condenação, que perdura indelével, para todo o sempre.

Naturalmente que a função dum jornalista é informar . Mas informar objectivamente sem juízos de valor , nem pretensões jurídico-penais. O seu papel deve acabar nos Quem, Como, Onde, Porquê e Com que Efeito, sendo este último o que é imediatamente visível.

Mas a culpa desta justiça/espectáculo não pertence apenas aos profissionais dos media!
Os quinze segundos de fama atraem juízes, advogados , investigadores, comentadores, cidadãos anónimos todos eles com algo a dizer, a acrescentar ou apenas ( o que é pior!) a deixar “ no ar” com uma aura de suspeição que agrava ainda mais todo o processo.

Dois arguidos nos dois casos mediáticos da semana passada, foram detidos no aeroporto. É caso para dizer que os aeroportos se tornaram lugares de alto nível de perigosidade!!

Como não creio que estejam estipulados piquetes das televisões nas chegadas e partidas dos aeroportos, as detenções em locais tão públicos só pode ter uma razão : a ânsia de mediatização e protagonismo que estão na base das fugas de informação!

Sócrates é uma figura pública e como tal é normal que a sua prisão seja efectuada debaixo dos holofotes?  Desculpem lá mas não. E, repare-se, não tenho qualquer simpatia particular pela pessoa, que não conheço pessoalmente e caso se venha a provar que é de facto culpado deverá arcar com as consequências dos seus actos como qualquer cidadão.

Agora custava muito segui-lo até casa e ali, fora dos holofotes ( que estavam por uma coincidência total naquele momento naquele lugar!!!) fazerem a detenção?  Se a investigação tinha já algum tempo faria diferença meia hora a mais ou a menos ?

No caso do Director Nacional do SEF o circo foi exactamente o mesmo! Estava a ser investigado. Sabiam que ia embarcar para uma reunião fora do país. Não podiam tê-lo detido à porta de casa? Foi preciso o enxovalho pessoal defronte dos seus subordinados? Foi necessário lançar a suspeita de fuga?

Ninguém está acima da lei. Mas  também ninguém está abaixo dela e há direitos que temos que respeitar .Os arguidos têm direitos que não estão a ser respeitados nem protegidos.

Mal está a justiça se os investigadores, o MP e todos os intervenientes, decidirem fazer  a sua própria série de Lei e Ordem.  É que a vida não é um filme!!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O CÃO QUE MORDEU O HOMEM






Aqui há semanas uma das “grandes” notícias era que um jovem tinha devolvido uma carteira que encontrara, com uma avultada quantia em dinheiro .

Quando questionado, limitou-se  a responder que o anormal seria que o não o fizesse e que não entendia a estranheza que o seu acto provocara.

Nos anos 80 ( do século passado!!) ensinavam-nos , a nós aspirantes a jornalistas, que a noticia era o homem que mordia o cão.

Hoje ao que parece, o que admira e faz correr tinta é a dentada do cão no homem.

O ministro da Administração Interna demitiu-se, apanhado na enxurrada do escândalo em torno de altas figuras da administração pública e toda a gente admira, felicita e tece os maiores elogios àa essa atitude !

Ora o estranho, o inadmissível, é que esta não seja a regra para todas as figuras públicas que vejam o seu nome manchado em praça pública por eventuais actos altamente gravosos ou ligações que possam pôr em causa o interesse nacional! Essa é que deveria ser a notícia!!

Mas não!

Já tomámos o moralmente repreensível, por normal.  Inverteu-se o paradigma do certo e errado no que às figuras públicas diz respeito. Não é pois de admirar que aquelas se sintam acima da Lei, impunes e inatingíveis. Foi esse o direito que lhes concedemos. Não nos queixemos pois de tanto homem a morder cães! Afinal à mulher de César pouco lhe importa se parece ou não séria. Sobretudo quando não o é.

Como tal Miguel Macedo fez o que devia ser feito. Não é caso para condecoração.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA


 


… dizia o poeta.

Para mim esta foi sempre uma verdade incontestável e ainda hoje quase me emociono quando, num canto longínquo do Mundo, ouço uma palavra, uma frase, uma conversa em português. É como se a Pátria ficasse ali, à distância duma mão .

Sempre gostei de palavras. As que se dizem, as que se escrevem e as que nos bailam apenas no pensamento. Gosto de brincar às escondidas com elas e deixar-me encontrar, assim, desprevenida, como se fossem elas as protagonistas da minha história e não o contrário.

Há poucas coisas que me revoltem tanto como ouvir uma “ calinada” ( sim , existe a palavra, vão lá ver, vá…) por vezes da boca de quem menos se espera.

O acordo ortográfico foi a Olivença da nossa língua: perdemos para sempre um pedaço de nós em prol duma suposta evolução ( semântica? Lexical?), criando uma Babel tal que damos por nós ( dou por mim!) a escrever com erros, alguns de palmatória.

Sejamos francos: todos nós em algum momento, damos erros ortográficos! Agora menos , valha –nos o Santo Corrector Automático. Mas até esse se baralha com trocas e baldrocas, com “c” que caem e “c” que ficam.

Isto sem falar de quem, com algumas responsabilidades públicas, camufla a coisa com uma dislexia . enfim…

Oralmente a situação torna-se muitas vezes constrangedora ( sobretudo para quem ouve porque a ignorância de quem fala amortece qualquer laivo de vergonha ). Ouvir vezes sem conta “ hades” ( e não , não é o Inferno!)” foi” em vez de “fui” ou “artesões”, da boca de gente que tem responsabilidades como figura de referência .É coisa para me fazer ter pesadelos e pensar que quem assim fala não pode ser competente no que quer que faça. Isto porque o erro não é casual: persiste e perpetua-se.

Levei tempo a recompor-me da entrada da Guiné Equatorial na CPLP. Mas feito o luto a mais esta venda de Portugal ao quilo ( em inglês Selling Portugal by the kilo. que música isto não teria dado …) não me contenho !

Expliquem –me cá o valor das siglas. Já nem vou tão longe como discorrer sobre o simbolismo e o espirito da coisa. Não, vou apenas limitar-me à sigla.

UE – União Europeia. Certo!

EUA – Estados Unidos da América .Certo!

BES – Banco Espirito Santo . ( ai… pois… ) . Certo.

CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa . Errado.

Ouvir o senhor Obiang a falar castelhano foi a gota de água (…rrás! É assim que se escreve não é?) que acabou com a dita comunidade.

Sejamos sérios. Que papel desempenhou a CPLP em prol da língua do pobre Camões que a esta hora já não anda às voltas no túmulo porque está em pó, mas de certeza que lamenta não ter escrito os Lusíadas em alemão?

Se calhar essa não era a prioridade. Se calhar o desiderato da Comunidade era promover a cultura, a história, a literatura, a cooperação com os países que, algures no tempo, estiveram ligados a este rectângulo periférico da Europa  chamado Portugal.

Ou se calhar foi criada só porque sim e ponto final. Cá por coisas inclino-me mais para esta última explicação!...

Mas admitir que o presidente Obiang falasse outra língua que não a nossa , numa manifesta  falta de consideração para com a comunidade que erradamente lhe tinha aberto as portas, é rebaixarmo-nos para lá do limite da decência!!!

Que raio, não havia ninguém que o ensinasse a dizer “ Obrigada”, “Estou feliz por…” , “ Bom dia”, aquelas coisas que os artistas estrangeiros dizem com um sotaque de morrer mas que levam à loucura uma multidão inteira perante tal milagre ?

A Língua Portuguesa afinal pode ser falada em francês, castelhano, inglês, mandarim…basta que venha escrita em notas de banco.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

MELHOR QUE ISTO SÓ JESUS CRISTO...






E pumba! mais um tiro num banco sólido com consequente naufrágio titanicânico ( de Titanic ok ? Não tenho dislexia mas gosto de inventar palavras. E sim por vezes dou erros como qualquer mortal mas não é o caso.).

Este Mundo neo liberal desenfreado faz-me imensa confusão e deve ser por isso que, não sabendo navegar neste jogo de Batalha Naval, tento manter a cabeça à tona o que é cada vez mais difícil porque está na minha natureza fazer ondas.
Não entendo! Juro que não entendo! Sei que money makes the world go round - não sou ingénua a esse ponto - mas é preciso ser apenas o dinheiro a ditar as normas??
Não se faz jornalismo isento porque quem quer preservar o seu ganha pão tem que alinhar pela masters voice. E quem é , eihn, quem é? Pois está claro. o accionista que entretanto comprou meio empório de media e está de olho no restante para deppois fazer o que bem quiser com os jornais, rádios , televisões ... Pouco importa que seja analfabeto. Tem dinheiro, compra e decide.
Independência informativa à vida. Checked!
As decisões políticas são tomadas pelo poder económico que primeiro nos sorriu com oásis fáceis e ao nosso alcance para depois nos apresentar a conta do usufruto. está bem de ver que como não tínhamos com que pagar, magnânimos emprestaram-nos o dinheiro com que lhes pagamos a dívida a juros chorudos. Poder político com estratégia e interesse nacional pro galheiro- Cheked!

Que a História é um enorme parabólica é uma realidade. Que este países sempre pertenceu a meia dúzia de famílias intocáveis, também é do conhecimento generalizado. Agora que sejamos um povo que continua a manifestar-se por picuinhices, que se insurge contra a selecção nacional de futebol ( que lhes dá um lucro!!!!.....), se mantenha calado perante estes escândalos constantes isso a mim continua a fazer-me confusão e azia.
Caramba!! Mas será que não está bem de ver que esta questão do BES rebenta em pleno Verão porque está tudo a banhos e a onda que devia ser um tsunami, fica reduzida ao tamanho, vá lá..., da Nazaré em dia de surf??
Então de repente uma série de pequenos accionistas com meia dúzia de tostões suados vêm as suas poupanças irem por água abaixo e o nosso PM mantem-se a banhos e o gestor danoso vai para a Comporta com uma caução de 3 milhões de euros?? 3 Milhões????? "Ai e tal é a maior caução alguma vez aplicada em Portugal..." nem nisto deixamos de ser pequeninos , pobrezinhos tacanhinhos!! 3 milhões são uma ninharia para quem embolsou cem vezes mais!! Mas não há ninguém que recorde o caso Madoff??? Ninguém que tenha ... taramenhos ... para dar um murro na mesa e dizer " Basta " e fazer justiça? Ou de facto a minha avó sábia como só ela na inocência do seu analfabetismo, tinha razão quando dizia que quando todos comem da mesma barrela não se distinguem os varrões dos marranos.
Mais eruditamente posto: Melhor do que isto só  Jesus Cristo que não sabia nada de finanças, nem consta que tivesse biblioteca. Caro Pessoa, cada vez estamos mais longe de cumprirmos Portugal!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A EUROPA AQUI TÃO LONGE ....


 


 


 

Os radicalismos sempre me arrepiaram!!! E não importam as origens ou as causas. Tanto se me dá que sejam políticos ou religiosos. Os radicalismos têm sido o maior flagelo da humanidade e a História é espelho disso mesmo.

Foi o radicalismo religioso que esteve na génese do aparecimento da Inquisição que condenou à santa fogueira purificadora tantos homens e mulheres. Foi o radicalismo económico político e social que criou os Gulags de Estaline. É o radicalismo étnico que sustenta os cobardes de branco que dão pelo nome de Ku Klax Klan .São os radicais islâmicos que espalham o horror em atentados, que relegam para um estatuto sub-humano as mulheres e dão uma imagem errada do Al Corão. Os radicalismos estiveram e estarão sempre na base dos conflitos armados. Foi assim ao longo da História, é assim no presente. 
 
 Perante este panorama, a primeira ideia que me assalta é: seremos nós europeus? Mas se o não formos somos o quê? Portugueses- responder-me-ão até com alguma indignação. Sem dúvida sê-lo-emos sempre!!
Mas na cena internacional , na real politik ser português, espanhol, irlandês... Pouco conta. Há que olhar para o horizonte dessa união desunida mas que tem que permanecer sob pena da História se repetir. Por isso é que  A Europa tem definitivamente de ter uma política externa consistente e atrevo-me mesmo a dizer musculada.
 Dois exemplos do presente fundamentam este meu pensamento: um a questão ucraniana, O princípio de Estado de Direito implica que seja respeitada a vontade do povo, o que significa naturalmente o resultado dum sufrágio . Qual a posição da Europa? “Nim” e com este lavar de mãos repetimos o mesmo erro que levou ao genocídio de milhares de pessoas na guerra dos balcãs!
Mais longe na Nigéria um grupo de homens que se dizem portadores da vontade dum deus muito próprio, decidiu entrar num liceu e raptar as raparigas que ali se encontravam , culpadas de querem estudar, saber, ser independentes. Forte pecado!! Mas já não será pecado fazê-las escravas sexuais, os soldados à força. Posição europeia?? Silêncio!!

Receio que a eterna permissividade falsamente democrática nos conduza a radicalismos internos que esvaziem o pouco que resta da ideia dos pais fundadores da UE.

Enquanto não se definirem fronteiras claras, enquanto não existir uma política externa comum, enquanto não houver um sistema de segurança próprio a Europa será apenas um enorme mercado. E em todos os mercados pululam os arrivistas.

 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

DA GUERRA EM TEMPO DE PAZ




 




O Homem é o único ser que não aprende nem com os erros nem com as consequências dos mesmos.


Setenta e cinco anos nos separam do maior genocídio de que há memória ( pelo menos no Mundo Ocidental já que dos conflitos asiáticos e africanos não reza a nossa História por completa ignorância), duas décadas apenas da implosão da antiga Yoguslávia e das limpezas étnicas que se seguiram.


As imagens de campos de concentração , de valas comuns, os relatos de torturas e mortes macabras, entraram-nos quase em direto aterrando-nos nos pratos ao jantar e digerimo-las como se fossem imagens de arquivo, filmes antigos de épocas que nos eram estranhas.


E no entanto eram Aqui e eram Agora.


A Europa unida (?!) limitou-se a assistir , indignando-se debilmente, protestando em sussurros e assobiando literalmente para o ar.


O resultado acabou por se saldar no alargamento da União à custa e sobre milhares de cadáveres anónimos.


Mas estávamos em paz desde a II Grande Guerra!


Os acontecimentos na Ucrânia iniciaram-se com um pequeno rastilho, umas escaramuças entre um estado que surgira do desmembramento da União Soviética e a Rússia.


Razão tínhamos os que sempre afirmaram que a Rússia estava apenas adormecida tal como o seu totem que hiberna para despertar esfomeado.


A escalada de violência foi rápida e total : das ameaças , dos embargos aos conflitos fortemente armados , decorreram poucos meses.


A Europa manteve-se impavidamente neutra, muda, como se nem o facto da existência duma forte corrente pró europeia, interessasse por aí além. Alguns protestos, algumas condenações morais e o silêncio.


Honra seja feita à senhora Merkel que chamou a si o que deveria ter sido o papel da comissária para as relações Internacionais ( como é que se chama mesmo a anónima senhora ??) e encetou conversações , promoveu encontros , marcou a diplomacia europeia. A União limitou-se a deixá-la à vontade e continuou com a sua politicazinha económica que, aos seus olhos, nada tem a ver com pessoas.


Um avião malaio é abatido em resultado do conflito. Com ele perdem a vida centenas de Holandeses e outros europeus.


Pergunto-me. E agora? Já estamos em guerra?

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

GAVIÃO DE PENACHO ( "GRITO DE GUERRA" DA ACADEMIA!)






 


 

O estar longe tem destas coisas: bate-nos a saudade , deitamos uma lágrima ao ouvir um fado piroso mesmo mal cantado , acabamos por gostar de bacalhau!

As duas primeiras experimentei-as por diversas vezes ( sim mesmo a lagrimita ao canto do olho, Deus me perdoe!) agora acabar por salivar diante do fiel amigo nunca me tinha acontecido.

E isto por uma razão que se multiplica por mil e uma, tantas quantas as formas de confecioná-lo: não gosto de bacalhau!!

 

Mas a companhia era boa e aquele convite assim à última hora para um jantar da Academia do Bacalhau veio mesmo a calhar. Se bem que ignorasse completamente o que era isto de Academia do Bacalhau!!!

Pois bem, fui, gostei ( repeti o bacalhau, alguém acredita????!!) e aprendi.

A ideia de criar uma associação de portugueses na diáspora que reunisse e congregasse regularmente a comunidade portuguesa, surgiu na África do Sul em 1968.

Se foi a saudade, o fado ou o bacalhau que os juntou, desconheço. Mas ali se criou de imediato um eixo de lusofonia que extravasou as fronteiras da África do Sul para se espalhar pelos cinco continentes contando neste momento 51 Academias.

Mas o que é que se faz na Academia do Bacalhau para além de, naturalmente , se comer o dito?

Em primeiro lugar estabelecem-se laços, criam-se as condições de adaptação para os que vão chegando, reinventa-se um pedaço do Portugal longínquo. As iniciativas sucedem-se e , nem de longe nem de perto, se resumem às jantaradas mensais ( aliás sempre muitíssimo concorridas ao que sei!!).

Aqui se fala português ( o que para as segundas e terceiras gerações é , não raro , das poucas possibilidades de contacto com  a língua fora do seio familiar), aqui se ouve poesia , aqui se debatem questões de carácter interno da comunidade e de Portugal, aqui se aplica a fórmula “ um por todos , todos por um “.

Nos recentes dias de angústia perante os sucessivos raptos e em que a comunidade se sentiu ameaçada, a  Academia foi refúgio e alento para muita gente . Debateu-se o retorno ou  a permanência, a segurança nas escolas e nos locais de trabalho, trocaram-se contactos, disponibilizaram-se meios.

Não é à toa que se tratam por “compadre” e “comadre” à boa maneira rural lusitana! A Academia do Bacalhau é uma aldeia de Portugal transplantada e replicada por 51 países.

Mas não se pense que esta associação se fecha em si mesmo, que se enclausura num ghetto . Não.  Todas as Academias têm um papel social e benemérito , apoiando instituições de solidariedade dos países onde se encontram.

Estas instituições não têm que ter, necessariamente raízes portuguesas . As Academias não estão  de costas voltadas para as sociedades que as acolheram!

Assim a Academia do Bacalhau de Maputo apoia a Casa do Gaiato da cidade ( cuja verba o governo português cortou!) e uma associação de jovens mães na Matola. Os contributos de empresários portugueses e dos próprios eventos, vão direitinhos para estas obras.

No último jantar que decorreu no hotel Girassol – o único a ter um buffet de bacalhau semanal!- , foi eleito o presidente da Academia para o próximo ano. António David , após a sua reeleição , tratou de imediato de organizar e agendar a festa de Natal da comunidade portuguesa, lembrando que a permanência dos portugueses em Moçambique só é possível com uma estreita ligação aos moçambicanos e como tal alertou para a necessidade de alargar a festa também às famílias dos colaboradores de cada um dos presentes.

Aliás eram vários os Moçambicanos presentes e … compadres de pleno direito da Academia. É que o coração tem uma só cor, bate a um só compasso e… qualquer um pode gostar de bacalhau!

E de sentir saudade ao ouvir um fado.

 

Um gavião de Penacho, pois!!!!

 

 

 

 

 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

DIREITO E DEVERES DUMA GREVE




Não posso dizer que sempre fiz greve!!  Sou  consequente com o que penso e com o que faço, como tal umas vezes achei que devia aderir outras não.

No entanto considero que, de todas as conquistas de Abril  a mais importante foi o direito à contestação e à liberdade de expressão. Como tal respeito todos os que em qualquer altura lançaram mão da sua cidadania e da liberdade reconquistada, para protestarem. Nem sempre os seus protestos foram os meus, mas respeito-os todos !

Porém há situações em que outros valores mais altos que a contestação, se erguem e devem  ser tidos em conta.

Falo do valor das palavras tão fortes e esquecidas como: dever, solidariedade, humanitarismo, cidadania, Pátria.

E para os que nesta altura pensam que , por uma lobotomia à distância passei a ser MRP , esclareço desde já: A greve geral em Portugal é mais que um justo direito. É um dever nacional para resgatar o país das mãos de incompetentes vendilhões dum país com 900 anos de História da qual, a maioria dos que nos governam, não sabe sequer uma centésima parte. Pese embora a  eterna bandeirinha nacional nas respectivas lapelas. O que até faz sentido porque quando agem ou abrem a boca duvidamos da sua condição nacional.

Posto este ponto em claro , esclareço o resto.

Encontro-me num país onde a tensão cresce a cada minuto. E se para mim, que vim e logo regressarei, sem bagagem nem nada que me prenda, o quotidiano é incerto, imaginem para as centenas ( atrevo-me a dizer milhares) de portugueses que aqui estão radicados!!

Gente que vive no terror de que os filhos lhes sejam tirados. Gente que vive a olhar por cima do ombro de cada vez que sai de casa, se dirige ao trabalho. Gente que fez crescer esta economia  e que de repente teme  que , uma vez mais, a História se repita. Gente que foi, muitos deles, rechaçada de Portugal por quem os deveria governar e proteger .

Agora façam um novo exercício de imaginação e coloquem-se na pele destes novos emigrantes que recebem a mensagem do seu Consulado dizendo que hoje, 8 de Novembro, estaria fechado devido à greve geral em Portugal!!!!

É duma falta de sentido do dever para com os seus concidadãos que nem tenho palavras para descrever.

“ –Ah pois e numa situação extrema o que é que pode fazer o Consulado?” – ouvi eu.

É pá se numa situação extrema não pode fazer nada, se numa situação de tensão fecha as portas e adere a uma greve a 9000km de distância, deixando desamparados ( pelo menos moralmente o que em situações de crise é fundamental !) os que são a razão da sua existência,  então não serve de coisíssima nenhuma e pode perfeitamente ser fechado!! Ora aí está um belo corte nas despesas!!

A comunidade portuguesa em Maputo hoje está revoltada e com razão. Não contra a greve que é justa e visa um objectivo claro: resgatar o país das mãos de quem o tenta vender ao quilo.
Mas contra os que , mais uma vez não nos representam, não nos governam, não nos dão Pátria.

Mesmo à distância de 9000Km!!!

 

 

domingo, 3 de novembro de 2013

MENINOS DE ÁFRICA: JÚNIOR










_ Olha o maior crava da cidade!! Mas é giro este puto!!

Um comentário destes arrasa qualquer ego maluco que tem a mania de que (ainda ) é repórter!!!
Pronto!! Lá fui eu enganada mais uma vez!!! Sou muito ingénua!!!
Mas…
Ok, o puto passa avida a pedinchar . Curiosamente a mim nunca me pediu dinheiro mas sim comida, mas também sempre o apanhei a horas da refeição e perto de restaurantes. Mas pronto, dou de barato que tem , agora que me falam disso, um estilo muito próprio.
Mas…. E o que sempre me matou ao longo da vida foi isto: mas….
Não é o facto de andar a pedir que me leva a inclui-lo no rol dos meninos de África. É o facto de, com necessidade ou não, o fazer assim duma forma quase profissional.
Manha? Será! Acredito mesmo que seja. Mas a manha aprende-se e por regra é fruto da necessidade, aquela coisa que nos aguça o engenho por forma a sobrevivermos.
O garoto tem ( diz ele!) 12 anos mas aparenta mais.
Circula numa bicicleta que em tempos deve ter sido nova.
“ Ora pois, lá está!”
- Ouve cá Júnior, tas aqui a pedir e andas de bicicleta ? ( sim sou ingénua mas não sou parva!)
O garoto tem um ar de triunfo nos olhos:
- Foi um amigo que me deu. Ele é português como tu, sabes?
- Um amigo?
- É!! Ele é muito rico! O pai deu-lhe uma playstation  e patins, e bicicleta. Agora voltou para Portugal e deu-ma.
Há um certo orgulho na voz.
- Quando voltar vai-me dar outras coisas.
Faço-lhe as perguntas clássicas: pergunto-lhe pelos pais, pela escola, onde mora…
Diz-me que a mãe um dia foi-se embora e deixou-o sozinho em casa. O pai já tinha ido.
- Para onde?
Encolhe os ombros: não sabe. Era pequeno na altura. Aí uns cinco anos talvez. Nessa altura ainda não andava na escola.
_ Ficaste com os teus avós?
- Não com um vizinho. Agora vivo com uma tia e dois irmãos.
Ok alguém da família. Faz sentido.
_ Ela não é bem minha tia e eles também não são meus irmãos. São filhos dela percebes?  Toma conta de mim e pronto. Mas é muito chata.
- Chata?
- É. Não quer que eu saia e isso. E eu fujo.
Já tinha percebido que a rua era o seu mundo. Mas então e a escola?
- Ando na escola. Mas não gosto.- responde-me.
Evito ( a custo!) o velho cliché associado à educação e blá, blá.
Se calhar por isso apressa-se a dizer:
- Mas eu sei que tenho que estudar. Só que não gosto de estar ali fechado, sabes?
Ora se sei!! Quanto é melhor andar de bicicleta pelas ruas de Maputo.
É na rua que aprenderá a ser homem. Possivelmente na forma de Xico Esperto ou bem pior.
Mas para já limita-se a ser um puto giro que corre pelas ruas de Maputo montado num sonho que alguém lhe deu.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

NÃO HÁ AMORES PERFEITOS (PEDAÇO)





Bocelli enchia a casa do seu canto mágico. Maria deixou-se levar pelas palavras que pareciam nascer do ar, alheando-se de tudo o que a cercava. “Com té partiró” – repetia o cantor e ela perguntava-se se alguma vez tinha havido alguém com quem quisera fazer essa viagem de vida, assim tão desprotegida e tão confiante como adivinhava no poema que fazia vibrar todo o seu ser, a casa, os móveis, pondo em risco anos de boa vizinhança.
Artur habituara-se desde o ventre às melodias que a mãe cantava a par do cantor, muitas vezes sobrepondo-se a ele, outras limitando-se a ouvi-lo alto, sempre alto, como se quisesse calar outras vozes que teimavam em assaltá-la, assustando-a. Cantava para espantar os medos. Sempre assim fora, seguindo os conselhos de sua avó: “Quem canta não espanta só os seus males. Espanta os fantasmas, os medos!”
E ela tinha tanto medo, tanto!! Às vezes dava por si enroscada aos pés da cama do filho, olhando-o, embalando-se em melodias infantis, não para ele, mas para si mesma, receando o momento em que a magia se quebraria para sempre. Reaprendera a rezar quando Artur nascera. “Senhor que eu viva o tempo suficiente para ver os filhos do meu filho” era a oração que lhe saia quando o olhava assim, plácido, adormecido, indefeso e feliz por saber que ela estava ali.
Mas até quando? Até quando?
Um dia Lena tinha confessado, no meio das lágrimas pós divórcio, que tinha medo duma série de coisas, entre elas de morrer e as filhas encontrarem-na sem vida, desesperadas no seu abandono precoce. Maria rira de todos os receios: de que as garotas gostassem mais da mulher do pai do que dela, que deixassem de a respeitar, que tivessem pena da mãe.... mas daquela imagem não fora capaz de rir nem comentar! Limitara-se a recolhê-la dentro de si num silêncio que a amiga não notou mas que lhe abriu um vazio, um frio no peito!! “Que eu viva Senhor, por ele, apenas por ele. Deixa-me vê-lo fazer-se homem. Depois... bem depois é a Tua vontade que tem que ser feita!”
Há muito que sabia que a sua, não seria uma vida longa. Soubera-o nos primeiros meses de gravidez.
“É um risco enorme, minha senhora! Ainda vai a tempo. Nestas circunstâncias não há médico nenhum que lhe recuse a interrupção da gravidez” - afirmara o médico afagando-lhe a mão.
Sentira como se tivesse tocado alguma coisa uma viscosa, infecta e retirou-a bruscamente. Sabia que o médico não falara por mal. Pelo contrário: dissera-o com um certo peso e a amargura na voz, talvez estudada e não sentida. Mas nem essa piedade a tocara. Odiou-o, como se fosse ele o responsável por essa massa informe que lhe invadia o cérebro inexoravelmente e que em qualquer altura a poderia matar. A ela talvez, mas ao seu filho não!! Aquela coisa que a minava, que lhe comia os dias de vida a que tinha direito, não contava com a sua força de vontade, o seu desejo de ser mãe, de ver esse pequeno ser, que seria um duplo presente de Deus. Ela havia de sobreviver, de criar o Artur dos seus sonhos, o homem bom que, a seu jeito, mudaria o mundo, mesmo que fosse apenas o restrito mundo que era o seu.
E vencera!
Não estava ele ali belo e sereno a provar que há poderes mais fortes do que o mal, a doença, o ódio ou a repulsa? Fora o amor que a mantivera viva. O amor a esse filho que  era dela, só dela.
Do pai de Artur, não lhe restavam recordações. Apenas cheiros e sensações que a agoniavam, mais do que todos os enjoos matinais. A lembrança era suja, repelente, mas o resultado era tão puro, que havia vezes que quase lhe perdoava a humilhação, a dor, a raiva, o ódio. Tal como na história, este seu Artur era também, filho do engano, do estupro, da vergonha. Mas tal como a lenda, revelara-se puro, inocente, sua alegria, seu orgulho, sua razão de viver. Mas até quando? Até quando? “Com té Partiró!” não haveria ninguém para a acompanhar nessa viagem, tal como até ter o seu filho, não houvera ninguém para partilhar esta outra, que se dizia ser apenas passagem para uma melhor.
Ah avó, avó! Como tinhas razão nessas máximas que muitos achavam chavões, lapalissadas: “Nascemos sós e morremos sós. É a lei da vida”. Mas avó, quando se nasce têm-se dois braços abertos à espera. Quando se morre o vazio é o único que nos acompanha! O vazio e o medo!
Maria lamentava não ter a fé de sua sábia avó, tão serena, tão confiante!
Voltara a frequentar a igreja às escondidas. Não se atrevia a que comentassem essa sua súbita necessidade de conforto, de segurança, que apenas um Ser Superior lhe podia dar. Porque tudo se resumia a isso, não era? Ao medo da morte. Fora por isso que o Homem inventara um Deus. Ou não?
Levantou-se de mansinho com um cansaço que não vinha do corpo mas da alma, e desligou Bocelli, cansado decerto de cantar vez e outra a mesma melodia. Quase lhe pareceu ouvir um suspiro contido da vizinha de baixo. Sorriu! Tinha que se deixar destas aventuras. Afinal a pobre senhora, uma velhinha amorosa sempre pronta a ajudar, não tinha culpa dos seus medos, da sua solidão, da sua morte anunciada. Que horas eram, afinal? Quase meia-noite! Que desrespeito! Amanhã levar-lhe-ia uma dúzia de gerberas. Sabia que a vizinha adorava as cores fortes das flores. Amanhã! Se o amanhã ainda chegasse.
Espreitou o quarto do seu filho, onde a luz de presença lançava sombras que aquietavam os terrores nocturnos que de tempos a tempos surgiam e o levavam a entrar dum salto na sua cama, enroscando-se no seu corpo e escondendo a carita no seu pescoço. “Shiu, já passou! Foi apenas um sonho mau! Já passou” e afagava-lhe a cabeça ouvindo-lhe a respiração acalmar-se lentamente, até o sono o vencer de novo, apaziguador e sem sobressaltos.
Rodeou o seu próprio corpo que tremia, engoliu as lágrimas e tentou tranquilizar-se “Vai passar, vai passar. Um dia tudo não será senão um sonho mau. Vai passar!” Mas o sono chegou tardio e repleto de sonhos. A si mesma não conseguia embalar-se.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

MENINOS DE ÁFRICA - LAURA









Se há coisa que me arrebata, que me enche a alma , é esse tratamento de “Mãe” nas ruas.
É como se, de repente por qualquer milagre, todos os meus sonhos se se materializassem e eu pudesse abraçar toda a humanidade.
Gosto de gente! Gente que nos olha no fundo dos olhos e nos despe, vendo o que nem mesmo nós conseguimos enxergar.
Gosto e perco-me sobretudo no olhar límpido das crianças. Umas vezes sorridente, outras ocultando dores profundas, por vezes desafiador, mas sempre assim: límpido , verdadeiro, claro mesmo nos rostos mais escuros.

Ela chega até mim do outro lado do pequeno mureto que separa a esplanada da rua. Tem o cabelo preso por uma fita , que não é vermelha, antes rubra da cor das acácias e que faz contraste com o negro brilhante do cabelo.
Nas mãos o já habitual cestinho onde repousam meia dúzia de saquitos que contêm outros tantos amendoins torrados.
Não me pede nada. Apenas estende o cesto e diz:
- Mãe!
Abano  cabeça num não mudo e desvio o olhar. Mas continuo a olhá-la pelo canto do olho.
Não se mexeu apenas sorriu e o sorriso dela coincidiu com um enorme relâmpago. Fiquei na dúvida qual dos dois terá iluminado a noite.
Ela tinha-me derrotado e sabia-o. Estendeu-me de novo o cesto.
- Vá lá, está bem! Quanto?
- Cinco meticais, mãe.
Reparo agora que tem uma mochila às costas.
- De acordo se me deixares fotografar-te. Pode ser?
Faz um ar falsamente envergonhado onde adivinho uma coqueteria que vai fazer estragos daqui a anos. A ideia faz-me rir e acho que assustei os meus companheiros de esplanada com a gargalhada vinda do nada. Só ela entendeu a linguagem muda  de cumplicidade que se gerou  entre ambas,
Comecei a fotografá-la.
- O meu nome é Mané e o teu?
De novo as pálpebras baixando, as longAs pestanas tocando-se.
- Laura.- responde num fio de voz.
- Ok Laura. E diz-me cá que fazes aqui a estas horas, eihn?
Ela responde-me como se tivesse descoberto que esta mãe é um bocadinho retardada.
- Vendo.
- Mas andas na escola , não? –aponto a mochila.
Acena com a cabeça, agora bem mais à vontade enquanto disparo a câmara do iphone .
- Que idade tens?
- Oito anos.
Como qualquer rapariguinha africana  aparenta bem mais.
- Ouve cá e onde moras?
- Na Matola.
- É pá mas isso é longe!!! Como é que vais para lá a estas horas?
- De Xapa.
- Sózinha?!- e de repente as imagens de raptos , de perigos assaltam-me a imaginação e atraiçoam-me a voz.
- Com as minhas amigas!
Que devem todas ter mais ou menos a mesma idade!
Olhámo-nos de novo e podia jurar que me contou assim em segundos, tudo o que precisava de saber sobre esta África onde todas somos mães de meninos sorridentes.