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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O CÃO QUE MORDEU O HOMEM






Aqui há semanas uma das “grandes” notícias era que um jovem tinha devolvido uma carteira que encontrara, com uma avultada quantia em dinheiro .

Quando questionado, limitou-se  a responder que o anormal seria que o não o fizesse e que não entendia a estranheza que o seu acto provocara.

Nos anos 80 ( do século passado!!) ensinavam-nos , a nós aspirantes a jornalistas, que a noticia era o homem que mordia o cão.

Hoje ao que parece, o que admira e faz correr tinta é a dentada do cão no homem.

O ministro da Administração Interna demitiu-se, apanhado na enxurrada do escândalo em torno de altas figuras da administração pública e toda a gente admira, felicita e tece os maiores elogios àa essa atitude !

Ora o estranho, o inadmissível, é que esta não seja a regra para todas as figuras públicas que vejam o seu nome manchado em praça pública por eventuais actos altamente gravosos ou ligações que possam pôr em causa o interesse nacional! Essa é que deveria ser a notícia!!

Mas não!

Já tomámos o moralmente repreensível, por normal.  Inverteu-se o paradigma do certo e errado no que às figuras públicas diz respeito. Não é pois de admirar que aquelas se sintam acima da Lei, impunes e inatingíveis. Foi esse o direito que lhes concedemos. Não nos queixemos pois de tanto homem a morder cães! Afinal à mulher de César pouco lhe importa se parece ou não séria. Sobretudo quando não o é.

Como tal Miguel Macedo fez o que devia ser feito. Não é caso para condecoração.

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