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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA


 


… dizia o poeta.

Para mim esta foi sempre uma verdade incontestável e ainda hoje quase me emociono quando, num canto longínquo do Mundo, ouço uma palavra, uma frase, uma conversa em português. É como se a Pátria ficasse ali, à distância duma mão .

Sempre gostei de palavras. As que se dizem, as que se escrevem e as que nos bailam apenas no pensamento. Gosto de brincar às escondidas com elas e deixar-me encontrar, assim, desprevenida, como se fossem elas as protagonistas da minha história e não o contrário.

Há poucas coisas que me revoltem tanto como ouvir uma “ calinada” ( sim , existe a palavra, vão lá ver, vá…) por vezes da boca de quem menos se espera.

O acordo ortográfico foi a Olivença da nossa língua: perdemos para sempre um pedaço de nós em prol duma suposta evolução ( semântica? Lexical?), criando uma Babel tal que damos por nós ( dou por mim!) a escrever com erros, alguns de palmatória.

Sejamos francos: todos nós em algum momento, damos erros ortográficos! Agora menos , valha –nos o Santo Corrector Automático. Mas até esse se baralha com trocas e baldrocas, com “c” que caem e “c” que ficam.

Isto sem falar de quem, com algumas responsabilidades públicas, camufla a coisa com uma dislexia . enfim…

Oralmente a situação torna-se muitas vezes constrangedora ( sobretudo para quem ouve porque a ignorância de quem fala amortece qualquer laivo de vergonha ). Ouvir vezes sem conta “ hades” ( e não , não é o Inferno!)” foi” em vez de “fui” ou “artesões”, da boca de gente que tem responsabilidades como figura de referência .É coisa para me fazer ter pesadelos e pensar que quem assim fala não pode ser competente no que quer que faça. Isto porque o erro não é casual: persiste e perpetua-se.

Levei tempo a recompor-me da entrada da Guiné Equatorial na CPLP. Mas feito o luto a mais esta venda de Portugal ao quilo ( em inglês Selling Portugal by the kilo. que música isto não teria dado …) não me contenho !

Expliquem –me cá o valor das siglas. Já nem vou tão longe como discorrer sobre o simbolismo e o espirito da coisa. Não, vou apenas limitar-me à sigla.

UE – União Europeia. Certo!

EUA – Estados Unidos da América .Certo!

BES – Banco Espirito Santo . ( ai… pois… ) . Certo.

CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa . Errado.

Ouvir o senhor Obiang a falar castelhano foi a gota de água (…rrás! É assim que se escreve não é?) que acabou com a dita comunidade.

Sejamos sérios. Que papel desempenhou a CPLP em prol da língua do pobre Camões que a esta hora já não anda às voltas no túmulo porque está em pó, mas de certeza que lamenta não ter escrito os Lusíadas em alemão?

Se calhar essa não era a prioridade. Se calhar o desiderato da Comunidade era promover a cultura, a história, a literatura, a cooperação com os países que, algures no tempo, estiveram ligados a este rectângulo periférico da Europa  chamado Portugal.

Ou se calhar foi criada só porque sim e ponto final. Cá por coisas inclino-me mais para esta última explicação!...

Mas admitir que o presidente Obiang falasse outra língua que não a nossa , numa manifesta  falta de consideração para com a comunidade que erradamente lhe tinha aberto as portas, é rebaixarmo-nos para lá do limite da decência!!!

Que raio, não havia ninguém que o ensinasse a dizer “ Obrigada”, “Estou feliz por…” , “ Bom dia”, aquelas coisas que os artistas estrangeiros dizem com um sotaque de morrer mas que levam à loucura uma multidão inteira perante tal milagre ?

A Língua Portuguesa afinal pode ser falada em francês, castelhano, inglês, mandarim…basta que venha escrita em notas de banco.

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