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segunda-feira, 28 de julho de 2014

A EUROPA AQUI TÃO LONGE ....


 


 


 

Os radicalismos sempre me arrepiaram!!! E não importam as origens ou as causas. Tanto se me dá que sejam políticos ou religiosos. Os radicalismos têm sido o maior flagelo da humanidade e a História é espelho disso mesmo.

Foi o radicalismo religioso que esteve na génese do aparecimento da Inquisição que condenou à santa fogueira purificadora tantos homens e mulheres. Foi o radicalismo económico político e social que criou os Gulags de Estaline. É o radicalismo étnico que sustenta os cobardes de branco que dão pelo nome de Ku Klax Klan .São os radicais islâmicos que espalham o horror em atentados, que relegam para um estatuto sub-humano as mulheres e dão uma imagem errada do Al Corão. Os radicalismos estiveram e estarão sempre na base dos conflitos armados. Foi assim ao longo da História, é assim no presente. 
 
 Perante este panorama, a primeira ideia que me assalta é: seremos nós europeus? Mas se o não formos somos o quê? Portugueses- responder-me-ão até com alguma indignação. Sem dúvida sê-lo-emos sempre!!
Mas na cena internacional , na real politik ser português, espanhol, irlandês... Pouco conta. Há que olhar para o horizonte dessa união desunida mas que tem que permanecer sob pena da História se repetir. Por isso é que  A Europa tem definitivamente de ter uma política externa consistente e atrevo-me mesmo a dizer musculada.
 Dois exemplos do presente fundamentam este meu pensamento: um a questão ucraniana, O princípio de Estado de Direito implica que seja respeitada a vontade do povo, o que significa naturalmente o resultado dum sufrágio . Qual a posição da Europa? “Nim” e com este lavar de mãos repetimos o mesmo erro que levou ao genocídio de milhares de pessoas na guerra dos balcãs!
Mais longe na Nigéria um grupo de homens que se dizem portadores da vontade dum deus muito próprio, decidiu entrar num liceu e raptar as raparigas que ali se encontravam , culpadas de querem estudar, saber, ser independentes. Forte pecado!! Mas já não será pecado fazê-las escravas sexuais, os soldados à força. Posição europeia?? Silêncio!!

Receio que a eterna permissividade falsamente democrática nos conduza a radicalismos internos que esvaziem o pouco que resta da ideia dos pais fundadores da UE.

Enquanto não se definirem fronteiras claras, enquanto não existir uma política externa comum, enquanto não houver um sistema de segurança próprio a Europa será apenas um enorme mercado. E em todos os mercados pululam os arrivistas.

 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

DA GUERRA EM TEMPO DE PAZ




 




O Homem é o único ser que não aprende nem com os erros nem com as consequências dos mesmos.


Setenta e cinco anos nos separam do maior genocídio de que há memória ( pelo menos no Mundo Ocidental já que dos conflitos asiáticos e africanos não reza a nossa História por completa ignorância), duas décadas apenas da implosão da antiga Yoguslávia e das limpezas étnicas que se seguiram.


As imagens de campos de concentração , de valas comuns, os relatos de torturas e mortes macabras, entraram-nos quase em direto aterrando-nos nos pratos ao jantar e digerimo-las como se fossem imagens de arquivo, filmes antigos de épocas que nos eram estranhas.


E no entanto eram Aqui e eram Agora.


A Europa unida (?!) limitou-se a assistir , indignando-se debilmente, protestando em sussurros e assobiando literalmente para o ar.


O resultado acabou por se saldar no alargamento da União à custa e sobre milhares de cadáveres anónimos.


Mas estávamos em paz desde a II Grande Guerra!


Os acontecimentos na Ucrânia iniciaram-se com um pequeno rastilho, umas escaramuças entre um estado que surgira do desmembramento da União Soviética e a Rússia.


Razão tínhamos os que sempre afirmaram que a Rússia estava apenas adormecida tal como o seu totem que hiberna para despertar esfomeado.


A escalada de violência foi rápida e total : das ameaças , dos embargos aos conflitos fortemente armados , decorreram poucos meses.


A Europa manteve-se impavidamente neutra, muda, como se nem o facto da existência duma forte corrente pró europeia, interessasse por aí além. Alguns protestos, algumas condenações morais e o silêncio.


Honra seja feita à senhora Merkel que chamou a si o que deveria ter sido o papel da comissária para as relações Internacionais ( como é que se chama mesmo a anónima senhora ??) e encetou conversações , promoveu encontros , marcou a diplomacia europeia. A União limitou-se a deixá-la à vontade e continuou com a sua politicazinha económica que, aos seus olhos, nada tem a ver com pessoas.


Um avião malaio é abatido em resultado do conflito. Com ele perdem a vida centenas de Holandeses e outros europeus.


Pergunto-me. E agora? Já estamos em guerra?