Ocorreu um erro neste dispositivo

quarta-feira, 28 de março de 2012

PORTO E TÓNICA





A primeira vez que atravessei a ponte da Arrábida vinda do Sul com intenção de me radicar no Porto, fartei-me de chorar!
A cidade era escura, pesada, deprimente, ainda para mais num dia cinzento com o qual me deu as boas vindas.
Não foi fácil adaptar-me! Há um bairrismo muito próprio nesta cidade ( não é por acaso que o FCP é o que é!) e entrar no circuito é tarefa árdua e nem sempre bem sucedida.

Passados que são dez anos, foi com um a enorme alegria que soube ontem ter sido a minha cidade adoptiva – este Porto – escolhida como o melhor destino de férias!
É que o Porto é como a Tónica Schwepps : aprende-se a gostar e depois torna-nos irremediavelmente dependentes.
O Porto não é apenas o centro histórico, a Foz, a Ribeira ou Serralves!
O Porto é, toda ela, uma cidade viva graças a um esforço de recuperação das velhas casas , que tem evitado o despovoamento da zona central.
O Porto são pequenos recantos, velhos estabelecimentos reconvertidos em bares, restaurantes, galerias. São jardins de bairro onde ainda brincam crianças. São lojas onde as pessoas são tratadas pelo nome. São ruas labirínticas, estreitinhas que nos convidam à aventura e à descoberta. São as igrejas magnificas, os cafés românticos e o velho Piolho, os cemitérios monumentais e a imponente Avenida dos Aliados com os seus edifícios plenos de patine que o tempo não deteriorou.
O Porto são as salas de espectáculo que têm vindo a ganhar vida a cada ano que passa, é o frenesim e a animação do S. João.
É a Rua Miguel Bombarda com as suas múltiplas galerias de arte que uma vez por mês fazem vernissagens colectivas e animam aquela zona, tornando cosmopolita, bela louca.
O Porto é a noite animada dos bares, da boa mesa, para todos os gostos para todas as bolsas.
O Porto , que me perdoe o Rui Veloso, não é um “ milhafre ferido na asa”! É antes uma ave rara, mitológica mesmo, quem sabe um enorme dragão, que sobrevoa o Douro!
E se é um facto que a minha cidade será sempre a que me viu nascer, a que me enche de Luz , a minha Lisboa, o Porto é a minha cidade do coração onde aprendi a ser feliz

É bom viver aqui!! É bom que outros partilhem , nem que seja por umas breves férias, esta cidade que “ primeiro se estranha e de pois se entranha! Para sempre!

quarta-feira, 21 de março de 2012

CHOCADOS???!!!







Chocados? Chocados com o massacre na escola judaica em Toulouse??
Bem chocados, sem dúvida!! Toda a violência gratuita ( e toda ela o é quando perpetrada por homens contra homens!) nos deve chocar e indignar, ainda mais quando nela se vêm envolvidas crianças.
Agora o que não podemos é ter a hipocrisia de nos afirmarmos surpreendidos.
Esta é uma reprise dum filme que já vimos outras vezes e que tínhamos jurado não mais querer assistir. Por isso foi criada a Europa Unida como espaço de tolerância, paz e liberdade.
Só que o Homem, ao contrário de outros animais bem menos inteligentes ( ao que se diz) tem uma memória curta e pouco aprende com os erros. Daí que a História seja elíptica e uma e outra vez se voltem a percorrer os mesmos caminhos. Talvez nos iludamos com as decorações e as roupagens com que os tentamos adornar, mas não tenhamos dúvidas: os caminhos são os mesmos e vão dar ao mesmíssimo local!!
Estes ataques não são apenas a expressão do reaparecimento dum anti semitismo primário! São a expressão da crescente intolerância que se vive numa Europa que perdeu os seus princípios e valores. Uma Europa que se escancarou ao Mundo, sem regras ou restrições, pensando ingenuamente que assim daria o exemplo de liberdade e igualdade que apregoava e pretendia. Esqueceu-se que este era um espaço que conseguira, a duras penas e muitas concessões entre as diversas Nações, alcançar uma plataforma cultural mais ou menos uniforme, ultrapassando barreiras históricas e linguísticas.
A abertura incontrolada das fronteiras trouxe numa primeira fase benefícios a esta velha Europa. Mas falhou completamente no que respeita à integração dessas novas culturas, religiões e etnias. Mais: durante algum tempo fê-las prevalecer em termos de direitos , sobre a cultura europeia, sob o pretexto da tolerância. Resultado fomos tolerantes para os que acolhemos e intolerantes para com os europeus. Tudo autorizámos, com tudo pactuámos, a tudo fechámos os olhos, como pais liberais que nenhumas regras impõem aos seus filhos.
Que impressão me fazia ver ( e cheirar, Deus meu!) gente que urinava contra as paredes de monumentos em Paris! Ver mulheres de burka passarem nas passadeiras em Londres sem quase conseguirem ver os carros que acabavam por buzinar para se fazerem notar! Isto sem falar de outras questões tão ou mais graves mas que certamente me dariam o epíteto de xenófoba. Não sou! Pelo menos não me tenho nessa conta! Se em minha casa não se fuma, não tiro o cigarro aos meus convidados! Antes lhes peço que o façam no jardim.
Quando as ondas de algumas insatisfação, mercê da crise, do desemprego, acompanhados com a violência crescente dos ghettos que entretanto se foram alargando, começaram a agitar as águas europeias, houve logo meia dúzia de políticos ( sim sr. Sarkozy é mesmo consigo!! Mas deixe lá que não está sozinho!) que vieram com discursos inflamados com uma clara mensagem de intolerância, contra os imigrantes, sobretudo árabes, magrebinos e africanos.
Esqueceram este lidereszecos( e não sr. Sarkozy, não estou a referir-me à sua altura física! Essa resolve-se com saltos altos. Já a outra…) com que nos temos que haver nesta Europa moribunda, que estávamos já perante uma segunda ou mesma terceira geração de imigrantes, que tinham de completo direito, o estatuto de europeus.
O que não fizemos, o que a Europa não fez, foi torná-los e fazê-los sentirem-se, de facto europeus.
Agora falamos de fechar as portas ao fluxo migratório, transformando a Europa de oportunidades num a Europa fortaleza. É tarde e é contraproducente.
A intolerância já está a sangrar nas ruas. Não tarda reinará a Lei de Talião e todos sabemos onde ela nos levará.
Não tenhamos ilusões: a Europa caminha a passos largos para mais uma guerra. Diferente, está bem de ver. Mas que importa? Como canta o nosso Fausto” por mais que seja santa a guerra é a guerra!”. Que Deus, Alá, Yavé, e todos os deuses do Olimpo tenham compaixão de nós.

sexta-feira, 9 de março de 2012

INSISTE, INSISTE ATÉ AO DISPARATE FINAL!!






Este homem não desiste!!! São umas atrás das outras! Alguém que lhe dê chá! Nem que seja às colheres! Parece que a homeopatia funciona bem nestes casos de falta de memória, mania das grandezas associada ao temor da perseguição.



Não me lembro de nenhum Presidente que tenha conseguido assinaturas para ser destituido! Chave de ouro para um mandato hirribilis. Culminando com esta pérola:















Prefácio do “Presidente da República no livro de intervenções ‘Roteiros VI’” divulgado do site do Presidente da República (escrito de acordo com o novo acordo ortográfico)


A magistratura ativa

Em 9 de março de 2011, iniciei o meu segundo mandato como Presidente da República, na sequência da vitória nas eleições presidenciais de 23 de Janeiro, depois de uma campanha eleitoral bastante dura, sobre a qual este não é ainda o momento de escrever.

Pela quarta vez, numa disputa eleitoral em que pessoalmente me submetia ao julgamento dos meus concidadãos, obtive mais de 50% dos votos. Tratou-se de um gesto de confiança dos Portugueses que muito me honra. Senti, naturalmente, o peso desta responsabilidade histórica. A vitória nas eleições de 2011 teve um sabor especial, que reforçou em mim a admiração profunda e o sentimento de gratidão para com o povo português.

Durante a campanha, o calor humano que senti nas ruas fazia-me esperar a vitória, ciente do sentido de responsabilidade cívica que, nas alturas decisivas, os Portugueses sempre revelaram. Nos momentos de pausa, numa campanha em que percorri oitenta e um concelhos, esboçava aquilo que, caso ganhasse, iria ser o meu discurso de tomada de posse para um segundo mandato como Presidente da República. O discurso deveria corresponder aos compromissos assumidos perante os Portugueses: falar verdade, exercer uma magistratura ativa e apontar com clareza linhas de rumo e caminhos de futuro. Não poderia ser um discurso de ocasião. Teria de ser uma intervenção de fundo que levasse o Governo a reorientar o sentido da sua ação, adotando as políticas adequadas para ultrapassar a crise cujos efeitos dramáticos se tornavam visíveis de dia para dia.

Haveria que mostrar a todos, de uma forma objetiva, que o País se encontrava numa situação de emergência económica, financeira e social para deixar claro que era urgente mudar de rumo. Para chegar a essa conclusão, bastava recorrer aos indicadores oficiais, insuscetíveis de serem desmentidos, e que evidenciavam já, de forma inequívoca, a gravidade da situação que Portugal atravessava: o agravamento do desemprego, a estagnação económica, a insustentabilidade do défice das contas externas e do endividamento para com o estrangeiro, o nível preocupante da dívida do setor público administrativo e empresarial, a escassez de crédito disponível para as empresas, os riscos de pobreza e exclusão social em vastas camadas da população. Eram indicadores oficiais, objetivos, mas que muitos persistiam em ignorar ou dissimular.

Não tinha sido por falta de alertas, feitos em público e em privado, que o Governo não tinha ajustado as suas políticas, de modo a conter o agravamento da situação económica e social do País.

Eu próprio, tendo em vista a preparação da campanha eleitoral, fizera um levantamento dos muitos avisos que havia lançado em diversas intervenções públicas para os riscos que o País estava a correr, além das múltiplas chamadas de atenção que, em privado, transmitira ao Primeiro-Ministro nas audiências de quinta-feira.

Iniciei a campanha tendo feito esse trabalho e reunindo a máxima informação publicamente disponível sobre o estado do País, pois sempre foi meu propósito que a disputa eleitoral me desse a oportunidade de, num debate elevado e informado com os outros concorrentes, alertar os Portugueses para os perigos que corríamos.

No passado, fizera avisos particularmente fortes, chegando mesmo ao limite da terminologia que um Presidente da República pode utilizar no uso da palavra pública. Tal aconteceu, em especial, na Mensagem de Ano Novo de 1 de janeiro de 2010, em que afirmei que “com este aumento da dívida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva”. A expressão “situação explosiva”, que na altura usei, seria mais tarde recordada por muitos; mas, em janeiro de 2010, foi ignorada pelos decisores políticos.

BASTA! DIA INTERNACIONAL ...





Passou mais um Dia Internacional da Mulher e desta vez após a leitura dum blog algures, não tive coragem par me insurgir ( como faço ano após ano!) contra esta coisa discriminatória que nos coloca no mesmo plano dos “ desgraçadinhos”, dos “ marginalizados” dos esquecidos nos restantes 364/365 dias do ano.
Sim porque isto de haver um dia das mulheres a par dum dia Internacional do Não Fumador, Dia Mundial das Zonas Húmidas(!)Dia Europeu da Vítima, Dia Mundial de Oração pelas Vocações, Dia do Pescador etc etc sempre me causara uma enorme revolta.
Este ano porém foi-me dada outra versão da efeméride : Neste dia comemora-se e presta-se homenagem a todas as mulheres que lutaram pela igualdade (gosto mais da palavra equidade, pois que acho que não somos, de todo, iguais aos homens e nisso reside a beleza da humanidade ), pelo direito ao voto, pela emancipação profissional e pessoal, pela liberdade sexual.
Assim de facto entende-se a comemoração e a todas essas grandes mulheres devemos prestar a nossa homenagem e gratidão.
O que nos deverá colocar outra questão: O que temos feito para seguir essa senda que nos legaram? Onde estão as vozes e os movimentos contra as atrocidades ainda hoje cometidas contra as mulheres que nalgumas sociedades são tratadas abaixo de qualquer animal?
Desenganem-se os que pensam que isso é “ lá fora” ( como se dizia nos anos 60 a propósito da guerra no ultramar que nos matava os nossos jovens às centenas). Aqui no nosso país continuamos a ter uma escandalosa percentagem de mulheres abusadas, batidas, maltratadas, mortas. E sobretudo caladas, remetidas ao silêncio.
Não basta haver leis que servem na sua maioria para tranquilizar consciências! É preciso chegar a essas mulheres, mostrar-lhes a sua dignidade esquecida, fazê-las entender que o círculo de violência pode e deve ser quebrado. Que há que dizer Basta! Primeiro para si mesmas e depois agir.
O fluxo migratório trouxe para Portugal outras culturas, outras religiões e com elas outros estatutos do feminino.
Estas mulheres encontram-se perdidas numa cultura que não é a sua, abandonadas e ignoradas pela nossa sociedade que não se preocupa com práticas tão horrendas e medievais como a excisão, o cativeiro, a violência.
Uma grande maioria não fala uma palavra da nossa língua nem de outra qualquer além da sua. Não conseguem pois fazer-se ouvir. Temem as autoridades e não têm nem família nem amigas. Estão sós e dessa forma ainda mais vulneráveis do que se estivessem nos seus países de origem.
São estas mulheres que clamam por um dia seu! Essa é a tarefa que nos cabe em legado a nós, mulheres libertadas pelo esforço e sacrifícios de outras. Mulheres que têm orgulho em serem diferentes mas iguais na dignidade de seres humanos.
Que o próximo Dia Internacional da Mulher seja realmente um Dia de Equidade de Género e que abranja TODAS as mulheres.