Ocorreu um erro neste dispositivo

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O CARNAVAL JÁ NÃO SÃO DOIS DIAS!

Nunca fui uma boa aluna. Ou melhor : até era. Tirava notas acima da média e tinha uma lata que me fazia acertar ou discorrer sobre qualquer tema mesmo que não fosse bem,bem aquilo. O meu calcanhar de Aquiles era o comportamento: Até entrar na faculdade as minhas contendas eram, não raras vezes resolvidas à estalada . e não havia provocação que ficasse sem resposta, fosse de colegas ou de professores. Resultado: nunca fui considerada boa aluna. Os bons alunos eram pos que estavam quietinhos, calados, nunca partiam nada, nem pregavam partidas, marravam até deitarem fumo pelas orelhas, nunca fumaram antes dos dezoito, nem puseram o pé nas discotecas sem a aprovação relutante da paternidade. Jamais pensaram em sair pela janela para uma noitada e Deus os livrasse de não fazerem tudo by the book !
Deve ser daí que me vem esta aversão ao politicamente correcto e por consequência ao servilismo dos nossos políticos que, desde que o professor sr. Silva se saiu com a frase de Portugal ser o bom aluno da Europa, se esforçam por não ter nem um cabelinho fora do sítio nem que para tal tenham que pisar e repisar com impostos e restrições à laia de brilhantina, os pobres cidadãos.
O que é preciso é fazer boa figura na Europa. Mostrar como somos obedientes e que não nos podemos confundir com os calões dos Gregos que não há maneira de entrarem nos eixos! Nós não! A troika e a UE mandam apertar o cinto nós espartilhamo-nos! Mandam-nos fazer sacrifícios, nós erguemos altares sacrificiais! Mandam-nos trabalhar mais e receber menos e os nossos políticos decidem aumentar o dia de 24 para 36 horas se for possível só para demonstrar como somos labutadores!!
Vejam com que afã os nossos políticos trabalharam ontem Terça Feira de carnaval!! Era vê-los diligentes quais formiguinhas em carreirinhos bem comportadas para Troika ver! O que o produto bruto do país aumentou ontem, Santo Deus!!! Foi um sucesso! Aliás os senhores da massa estão tão impressionados que já se prevê acabar de vez com todos os feriados : religiosos e civis passa tudo para o Domingo. E a chamada semana inglesa ( ainda se lembram? Não? Então revejam o “ Conta-me como Foi” para verem como é!) acaba! Toca a trabalhar ao Sábado que isto não está para graças.
Afinal figura de palhaço fazemos nós todos os dias às mãos desta troika baldroika!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

OBRIGADA S. VALENTIM!!!












A melhor notícia que poderia ter chegado neste dia frio de S.Valentim! Irão decidiu banir as execuções por apedrejamento, bem como a aplicação da pena de morte a menores.



Resultado da Primavera Árabe? Das pressões internacionais? Pouco importa. O que é de saudar é mais este passo em direcção ao respeito pelos direitos humanos e pela equidade e liberdade feminina, uma vez que grande parte das lapidações tinham mulheres como vitimas.



Também a não aplicação de penas capitais a menores de dezoito anos é um significativo passo na autonomia da lei civil e penal da Sharia, a lei islâmica levadaao pé da letra por extremistas religiosos.



É um presente precioso para todos num dia em que se celebra o amor.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

LÍNGUA DE TRAPOS!!!












O Acordo Ortográfico deve ter sido, na história dos acordos, aquele que reuniu mais vozes em desacordo,!






Assinado e em vigor, agora já não há volta a dar-lhe, por muito que o Prof. Vasco Graça Moura vocifere e emita ordens internas em contrário: Dura Lex, Sede Lex e mais nada!






Talvez se na altura em que ainda era possível contestar, argumentar, as pessoas que o podiam e tinham responsabilidades de o fazer , tivessem apresentado provas de que um tal acordo não servia para mais nada do que construir uma enorme Babel Lusa que, francamente , não sei a quem aproveitará, se tivessem evitado toda esta polémica.






Isto porque o Acordo é apenas ortográfico e não lexical!! Ou seja : continuar-se-á a dizer fato ( já sem “c”) o que para nós, falantes de português de Portugal tanto poderá ser “ acontecimento real”; “prova” como fato de saia casaco ou calça e casaco! Terno para estes últimos e fato apenas para o primeiro caso, no que se refere aos que se exprimem em português do Brasil. O mesmo acontece com “ travão” e “freio”, “gelado” e “picolé”, “ camisa de dormir” e “camisola” e por aí adiante.






Conseguiu-se o quê, afinal? Tornar a língua mais fácil dizem uns, uma vez que a discrepância entre a forma falada e a forma escrita levava a sérias dificuldades aos aprendizes do Português tornando-a “ muito difícil”.






Perfeito!! Estou mesmo a ver os chineses a fazerem também um acordo e em vez que caracteres , que como sabemos são ideográficos, passarem a desenhos dos significantes!






A necessidade que temos de facilitar, tem tido como consequência a criação de gerações pouco letradas e pouco aplicadas. E depois “Aqui d’el-Rei” ( Sim, pois. É uma expressão idiomática completamente ultrapassada. Mas hoje sinto-me uma velha do Restelo e como tal…) que os níveis de fracasso em Língua Portuguesa são assustadores ! Vamos ver então os resultados agora com este Acordo, com o qual só o que o fizeram estão de acordo.






Mas os atentados à Língua não se ficam por aqui! Os nossos politólogos (??!!) e jornalistas são exímios em tornar os erros ( leia-se calinadas) em modismos que, pela repetição mediática, acabam por ser aceites e entrar no léxico normal.






Aqui há anos foi a moda do “ à séria”. Alguém, me consegue explicar donde veio esta aberração??? Eu sempre tinha ouvido a expressão “a sério” utilizada nas mesmíssimas circunstâncias. Que terá mudado ?






Esta semana foi a vez de ter ouvido na rádio a seguinte frase: “ Caso se mantenha a seca a situação será desesperada, uma vez que os nascentes se encontram já com pouco caudal”. Desculpe? ! Não se importa de repetir? Por quem é! Aqui vai disto : e toca a repetir até à exaustão. Todo programa se falou dos nascentes !






Assumo humildemente a minha ignorância hidrográfica, mas a menos que alguém me explique como é que as nascentes mudaram dum momento para o outro de género, vou dar por conta duma calinada não assumida e que, não tarda estará na boca de todos como mais um modismo completamente parvo.






Sim porque, atenção!, eu considero que a Língua tem que evoluir , ser dinâmica. Mas com um propósito definido e com lógica! Agora fazer da asneira a regra ortográfica ou lexical em pouco tempo teremos uma língua de trapos. Ou de trapas, quem sabe?!






quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

LIBERDADE É UMA PALAVRA DIFÍCIL






È dos livros: a criminalidade organizada alastra nos países democráticos, utilizando exactamente os mecanismos da liberdade e da democracia.
O mesmo se aplica a outras situações que, não sendo de criminalidade, não deixam de ser criminosas, aberrantes e desumanas.
Esta semana fiquei extremamente satisfeita por, finalmente, alguém ter tido a coragem de utilizar o seu estatuto e a sua projecção pública, para denunciar a excisão feminina que se pratica um pouco por todo o lado no mundo dito civilizado o que inclui Portugal.
Levada a cabo em guetos onde as tradições, os costumes dos países de origem, prevalecem sobre as leis, os costumes e as tradições dos países de acolhimento, tem sido ignorada com uma enorme displicência. À sombra da liberdade de culto e do direito às suas culturas ancestrais, temos vindo a permitir as maiores barbáries!
Lembro-me que uma das vezes que denunciei esta prática , a pessoa que nessa altura poderia ter intervindo ( uma mulher ainda por cima!) limitou-se a colocar um olhar pesaroso e a dizer que não havia dinheiro. Eu não pedia dinheiro!! Eu pedia exactamente o que foi feito: um discurso de denúncia, um safanão nas instituições, uma atitude concertada entre diferentes valências: professores, médicos, assistentes sociais, polícia junto dessas etnias por forma a acabar com este crime. Às vezes a falta de dinheiro é apenas um subterfúgio para o deixa andar.

Não sou daqueles que acham que não se deviam permitir mesquitas, uma vez que nos países muçulmanos não são permitidas as igrejas católicas. Creio sinceramente que um dos factores da evolução humana e social é a tolerância e que “ pagarmos da mesma moeda” só nos deixa mais pobres em termos civilizacionais.
Como tal aceito as diferenças culturais, étnicas e religiosas.
No entanto temos que deixarmo-nos de hipocrisias e aceitar que na escala civilizacional há culturas que se encontram em patamares inferiores, no que respeita aos direitos humanos. É nosso dever não só alertá-los para esse facto ajudando-os na sua evolução natural como rejeitarmos linearmente práticas que agridam anos de conquista humanista de que somos o resultado.
Não é sério aceitar que nos países Europeus se aceite que uma mulher conduza de burka completa. Trata-se não apenas duma questão de equidade entre homem e mulher, paradigma que nos é tão caro e que apregoamos alto e a bom som, como duma questão de segurança da próprias e dos outros. Já não me faz confusão deixar o uso do shador à liberdade de culto de cada uma. Afinal durante anos nenhuma mulher entrava num templo sem um véu e nenhum homem por mais jovem que fosse, se atreveria a entrar” debaixo de telha” de chapéu ou boné.
A liberdade tem que ter uma boa dose de bom senso, sob pena de se transformar em libertinagem e anarquia. Isto ensinava eu aos meus filhos. Isto foi-me ensinado!
A liberdade traz responsabilidade e não apenas individual. A maior responsabilidade da democracia é para com os outros. Como tal temos que pôr em prática rapidamente mecanismos ( não programas , não institutos !) de inserção das várias minorias que demandaram o nosso país e que aqui ficaram. Estes são os novos portugueses! Temos o dever de lhes dar o que aprendemos ao longo destes nove séculos! E já nem falo de noções de História , de Pátria , de Geografia , nem de lhes ensinarmos o Hino Nacional. Ui que perigo para a democracia!! Limito-me apenas a referir essa coisa básica que são os princípios do humanismo e da igualdade entre todos.
Só assim a liberdade faz sentido.