Ocorreu um erro neste dispositivo

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ACABOU A REPÚBLICA!






Sempre me custou a crer que o trabalho sob pressão fosse mais eficaz e produtivo do que aquele que se faz por vontade, estímulo, brio e nalguns casos abençoados, por gozo.
Isto mesmo sabendo que eu só trabalho bem sob pressão. Mas é outro tipo de pressão! Pressão interna, de timings, não pressão de chicote e ameaça.
Aliás com dois jovens adultos em casa, há muito que aprendi que a educação musculada dá resultado zero ou mesmo negativo.

Este arrazoado todo para falar do corte dos feriados.
Isto já parece um governo de alta costura muito à semelhança da Fátima Lopes ( que eu adoro mas que aqui me dá um jeitão como exemplo) : é cortes e mais cortes. Um dia destes ficamos todos com as pudendas à mostra e vai ser lindo, vai!

Sobre os feriados religiosos não me vou pronunciar, porque, embora católica, atendendo a que o estado é supostamente laico ainda vai que não vai.
Agora tenham paciência, retirar o 1º de Dezembro e o 5 de Outubro?!!!

O primeiro, muito embora seja um marco na nossa História e como tal tivesse a sua importância, pois que representa não um mas dois momentos : a Restauração da Independência e o reconhecimento papal do reino, ainda… pronto, é como o outro , dou de barato não, mas fecho os olhos.
Mas o 5 de Outubro, desculpem lá não engulo!
A Proclamação da República é o marco histórico que significou a igualdade entre os homens, o direito de cada um poder tomar as rédeas do seu destino ou mesmo do destino do seu país, se para tal os seus pares o indicassem. Significou o poder de participação universal na política, passando esta a ser o que os Gregos designavam, e bem, “ a coisa pública”, possibilitando a escolha através do voto, dos governantes.
A República significa a conquista da liberdade e da igualdade. Foi a República que nos permitiu chegar, bem ou mal, até aqui. Foi a República, caro Dr. Pedro Passos Coelho, que lhe deu a hipótese de poder fazer tábua rasa dum marco histórico, que nem o sr. nem ninguém, pode apagar.
E a propósito: alguém me sabe dizer ( ignorância pura minha, sem dúvida!) porque é que o 10 de Junho é o Dia de Portugal? Que marco simboliza?

A tirar alguns feriados , para supostamente aumentar a produtividade, porque não acabou com a terça feira de Carnaval, por exemplo? Ah não é feriado? É apenas tolerância de ponto! Pois… mas que diferença existe entre os rios correrem para o mar ou a foz de cada rio ser no oceano? Chamemos-lhe tolerância ou feriado. O certo é que o País pára! Então acabe-se com a tolerância e pronto.
Ou será que o Carnaval, por ser o dia da palhaçada assumida, deve manter-se para que alguns se revejam e o tomem como o seu dia?
E já agora poupem-me! Fazer a comemoração do 1º de Dezembro ou do 5 de Outubro no Domingo seguinte é dum ridículo e dum maior desrespeito do que nada fazer . Porque as datas, os momentos , não se repetem! Têm um tempo e uma razão. Tempo e razão que estes senhores desconhecem porque a História pouco ou nada lhes importa na sua visão tecnocrata da sociedade e do Mundo. Mas um país que negue a sua História é um país que não tem futuro.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

PRÁ RUA!

Hoje tive um sonho! Não foi bem um sonho do tipo Martin Luther King . Pensando bem foi mais um pesadelo.
Sonhei que estava a viver na América Latina, muito embora o tempo frio, húmido e ventoso, fosse mais o nosso. Por alguma razão o país chamava-se Portugal. Mas juro que estava na América Latina!!
A sensação de opressão, de desilusão, de impotência, de desespero duns perante o fausto impressionante de meia dúzia amparados por um governo musculado, além de me ter dado calafrios não me deixou dúvidas: estava a viver numa ditadura da América Latina.

Foi quando acordei e saí á rua que me dei conta que, se calhar aquela teoria de que o nosso cérebro processa a informação do quotidiano enquanto dormimos, não é um mito urbano mas sim uma chocante realidade.
No trajecto de casa para o trabalho vi: seis pequenas lojas de comércio tradicional fechadas, duas delas já centenárias; uma bicha enorme que, sem nenhum exagero dava já a volta na esquina, a aguardar que se abrisse a porta duma instituição de caridade. Nem todos os que ali se encontravam se pareciam com os “ velhos pobres” que num número substancialmente mais reduzido, já me habituara desde há anos, a ver por ali. Rostos fechados em quase todos com quem me cruzei , passos arrastados de quase desistência.
O café, onde desde que me lembro sempre fora necessário lutar por um lugar ao balcão para a bica matinal, tinha praticamente todas as mesas vazias.
Em véspera de greve geral e pela primeira vez em muitos anos, senti um enorme apelo das ruas. Mesmo que um dia de salário seja retirado, mesmo que tal represente mais um furo no cinto que nos sufoca, nos tira o ar e a vontade de viver neste País que já foi jardim e hoje tem o aspecto dum campo de urtigas abandonado, mesmo assim, a mobilização parece-me enorme!
O manifesto encabeçado pelo Dr. Mário Soares ( mal eu sabia quando postei ontem que hoje de novo lhe fazia a devida vénia!) é duma acutilante chamada a esta mobilização. Pouco importa que tal seja negado pelos subscritores,. Entende-se a necessidade da negação, como se entende a obrigatoriedade de gritar por sobre os telhados que esta política ultra liberal não é saída para outro lado que não o despenhadeiro nacional.
Não se pode governar contra o povo ! Não se pode agrilhoá-lo, matá-lo á fome, desmotivá-lo , humilhá-lo, impunemente. É dos livros de História!!
Como diz o manifesto , não podemos aplaudir a democracia das ruas onde floresce a Primavera Árabe e depois recear as nossas próprias praças e ruas , deixando-as ao abandono para um imenso Inverno.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ASSUMIDAMENTE INDIGNADO?

Podemos ter dele imensas opiniões. Podemos gostar ou não da sua forma de ser e de estar. Numa coisa creio estarmos todos em consonância: Mário Soares, do alto dos seus 86 anos (!!) continua a ter o mesmo olhar límpido e o mesmo espírito crítico, que lhe deram o epíteto de “ animal político”.
Independentemente dos erros que lhe possam ser apontados ( e quem poderá com mão certeira , atirar a primeira pedra? No nosso espectro político , nacional e internacional, ninguém!), ficará para a História do País como a figura mais importante do Pós 25 de Abril, tendo estado como protagonista ou co-protagonista em todos os grandes momentos desta nossa história recente.
Com uma lucidez que só encontra par nos antípodas da política, na pessoa do Prof. Adriano Moreira, o Dr. Mário Soares prepara-se para lançar mais um livro que, faz questão de frisar, não é um livro de memórias mas sim uma autobiografia.
Da leitura da sinopse de “ Um Político Assume-se”, que será editado pela Temas&Debates, do Círculo de Leitores e apresentado no próximo dia 30, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, prevê-se que o livro venha a ser a pedrada no pantanal em que se tornou esta Europa em geral e o País em particular.
Mário Soares alerta para o facto da democracia se encontrar em perigo e com ela todas as conquistas do Pós 25 de Abril no que respeita ao trabalho, á Saúde, à Educação, à Justiça…
É o que acontece quando partidos de direita tomam o poder.
Não há volta a dar, uma vez que é um princípio básico e ideológico: o ultra liberalismo prevalece e os mercados tornam-se os protagonistas sociais em detrimento da pessoa.
Mais grave ainda é que esta vaga liberal assola e tem vindo a tomar conta de toda a Europa. Não são auspiciosos os próximos tempos.
E quando se decide fazer tábua rasa dum dos marcos mais importantes da nossa História , no seguimento da História Universal – a Implantação da República – que veio estabelecer os princípios da Liberdade , Igualdade e Fraternidade, então está tudo dito!
Um governo que não entende a importância simbólica duma tal data, achando que em prol da austeridade, da produtividade, pode retirar-lhe a importância de feriado, é um governo que, não valoriza o individuo comum, que viu mercê dessa conquista, assegurados os seus direitos como ser humano, que não entende que graças a esse acontecimento é possível a existência de partidos políticos e de eleições livres, não quer saber da História para nada. Um governo assim não tem nem dá futuro a este País.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

MORTE DE UMA CRISE. ANUNCIADA




Uf , estou muito mais aliviada.

Adivinham-se noites de sono tranquilo e reparador depois destes meses em que a crise me aparecia em sonhos, umas vezes como uma caricatura da morte de foice em punho qual velho comunista , com a cara da srª Merckel, outras com situações de bidons ville nas imediações da Place de La Concorde, com o Sarkozy empoleirado no Obelisco e de chicote na mão….
Mas agora não! A crise vai acabar e já para o ano!

Álvaro ( aquele que ao que parece é assim uma espécie de Ministro da Economia) dixit. Fantástico, pá!!!
Pena que se calhar só eu é que vou acreditar!

É que ninguém informou o suposto Ministro de que outros antes dele já fizeram o mesmo anúncio de morte da crise, com os resultados que se viram. Para uns o pior já tinha passado, para outros era o princípio do fim. Convenhamos que este último é assim como aquela máxima do futebol : prognósticos só no final do jogo. Sim, porque o princípio pode ser looooooooooongo!!!
Mas eu agora não tenho dúvidas! Aliás está completamente explicado o silêncio do suposto Ministro. É que o Álvaro, pá, estava a fazer cálculos! A gente esquece-se que ele é um académico e um académico faz cálculos, projecções, testa hipóteses e só depois EUREKA!!! Se sai com a solução.
E ei-la! A crise, decididamente acaba no próximo ano!
Só não disse como!
Esperemos que o nosso Álvaro não seja um adepto da religião Maia. É que nesse caso o fim está explicado, pá!!!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PRECISA-SE MAQUINISTA

… com forte identidade europeia.






Pretende-se:


Pessoa que tenha sentido de orientação apurado e claro, para que possa definir um rumo mesmo na ausência de GPS.
Terá que ser alguém com grande espírito de sacrifício e de dever, tenacidade e firmeza , aliada a um enorme sentido humanista e de solidariedade.
Uma vez que a máquina arrasta vinte sete carruagens de diversos portes e qualidades, são de prever anomalias diversas, pelo que a pessoa a seleccionar deverá ter vastos conhecimentos de mecânica social e económica de maneira a poder encetar e levar a cabo as reparações necessárias perante as avarias que ocorram.
Impõe-se um limite de velocidade constante e único, por forma a não perder qualquer das carruagens ao longo do percurso.

Dá-se:
- Título de estadista, com direito a ficar na História como “ Salvador da Europa”
- Dores de cabeça constantes recompensadas com a constante certeza de Serviço à Humanidade.
- Vinte e sete governos dos quais vinte e quatro poderão ser completamente destituídos e substituídos sendo que os restantes quatro poderão pura e simplesmente desaparecer.
- Casa em local alto , aprazível com vista para o mar , as montanhas e os lagos.
- Transporte próprio à prova de bala.
- E o nosso eterno reconhecimento.

Aceitam-se candidaturas de todos os sexos.
Não serão admitidos animais domésticos, ferozes ou outras alimárias.


O Povo Europeu.

domingo, 6 de novembro de 2011

O ELEITORADO PODE ESPERAR.








Se há um lado pedagógico e educativo desta crise é, por um lado levar a um reestruturação da vida da sociedade em geral e de cada um de nós em particular e por outro tomarmos contacto directo com realidades económicas e políticas até ao momento desconhecidas ou pelo menos relegadas para um plano muitíssimo secundário.
Dívidas soberanas, agências de ratting, vantagens e desvantagens do Euro, análise da Europa como ideal político e social, são temas que entraram na discussão quotidiana de cada um.
A semana ficou marcada pela discussão do Orçamento de Estado , talvez o mais polémico e o mais difícil de digerir dos últimos anos. A digestão é tão mais difícil porquanto todo ele se desenvolve em torno das palavras austeridade e cortes, essenciais sem dúvida para enfrentar o momento presente e o futuro próximo, mas sem uma única, real, plausível e “ que se veja” medida de crescimento económico sustentado.
A esta situação não é estranha a escolha infeliz do Ministro da Economia, um tal de Álvaro, que ao que se sabe nunca esteve ligado ao mundo empresarial sendo tão somente um académico numa universidade de segunda linha no Canadá.
Não tenho a presunção de entender as escolhas ministeriais e muito menos quando são feitas pelo Dr. Pedro Passos Coelho. Mas parece-me da mais elementar lógica que não basta reduzir a despesa, para fazer crescer o país. Aliás todas as medidas que se adivinham, qualquer miúdo com um 12º ano feito já com as novas tecnologias, sabe que ao fomentarem a descida do poder de compra individual mais não fazem que deprimir a economia interna. Era pois fundamental ter um Ministro da Economia que não fosse um “ porreiraço” que gosta que o tratem sem salamaleques, mas um homem conhecedor, não só do País e da Europa como do mundo empresarial na sua generalidade e do potencial concreto das empresas portuguesas, quer a nível do mercado interno, quer em relação às exportações .
Continuo a afirmar que o nosso mercado preferencial não é a Europa mas sim a África de língua Portuguesa. Esta é também o trunfo que deveríamos esgrimir perante o bloco Merkozy ( adorei e adoptei a palavra pelo que ela tem de gráfico!). Somos, por todas as razões históricas, culturais, linguísticas , os interlocutores por excelência da EU com a África que será, ou melhor já está a ser, o futuro , o continente das economias emergentes, das grandes oportunidades, das potências em embrião.
Mas a discussão em torno do Orçamento de Estado levantou uma outra polémica que se centrou em torno do sentido de voto do PS .
Depois de um dos membros do Secretariado ter dito , sem ainda não se conhecerem sequer os contornos do Orçamento, que o Partido Socialista deveria votar contra, por uma “ questão de coerência(?)” , surgem agora as críticas sobre a abstenção já definida pelo Secretário Geral, tentando ver nela um nim, pouco seguro e débil.
Para que não haja dúvidas: sou de facto apoiante do António José Seguro. Mas prezo-me por pensar pela minha cabeça e não me abasteço no “ pronto –a pensar” de alguns. Acho até que tem vindo a cometer erros que talvez lhe venham a ser cobrados caros demais. Mas não neste caso.Quando muito poderá ter perdido alguma capacidade de negociação ao ter anunciado a sua decisão em abster-se. Nada mais.
É que uma das coisas que os velhos barões dos diferentes partidos ainda não entenderam é que a política, o mundo e as pessoas, mudaram! Já não se faz oposição apenas através de “ forças de bloqueio” como alguém um dia intitulou a atitude dum certo PR. Mal esse alguém imaginava ( ou talvez o soubesse bem demais!) que anos mais tarde seria ele a força de bloqueio. Mas adiante.
O PS que se quer num novo ciclo e com uma nova forma de estar na política não poderia dar aos mercados um sinal de oposição e de apoio claro à contestação que irá, estou certa, para as ruas. Foi isto que AJS quis dizer quando afirmou que não seria o baluarte duma praça Sintagma portuguesa. Ele sabe, como homem honesto, sério e com sentido de Estado, que primeiro é preciso salvar o País e só depois se irá preocupar em conquistar o eleitorado. É uma jogada de alto risco que pode levá-lo a ser afastado da hipótese de ser Primeiro Ministro . Mas conhecendo o seu percurso, o seu programa e a tenacidade e sentido de dever que o norteiam creio que neste momento essa é a sua menor preocupação.
Agora trata-se de salvar Portugal. É esse o desidério de António José Seguro. Deveria ser esse também o do PS. Porque as pessoas têm memória e sabem reconhecer a diferença quando ela é evidente.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A EUROPA A VER-SE GREGA!!!!








Aceitam-se apostas: é ou não o princípio do fim da União Europeia?
Este braço de ferro entre a Grécia e todos os restantes parceiros à primeira vista parece um suicídio colectivo por parte dos Gregos. Mas será?
Apetece perguntar: que mais querem afinal? A resposta não é imediata , nem simplista e muito menos politicamente correcta.
Talvez esta seja a grande revolução, o grande tsunami de que a Europa em especial e o restante Mundo no geral, precisava para reequacionar que tipo de sociedade e de estruturas pretendemos .
A União Europeia começou pelo telhado - União Económica. E dentro desta pelo catavento - a moeda única. Única é como quem diz. A Grã Bretanha, senhora dum mercado muito especial, a comunidade das suas antigas colónias, não esteve para aí virada e agora , embora pertença à União esta-se em bom português , nas tintas para esta trapalhada de dívidas externas, bancos alemães e franceses, bancarrota e etc.
É caso para perguntar: que limites tem afinal a União Europeia? Está bem de ver que os mais europeistas vão dizer que há várias uniões europeias. Mas eu como europeísta convicta embora desiludida, creio que essa é a resposta fácil, aquela que se dá para sacudir a água do capote.
Não PODE haver várias Uniões!!! Não pode haver uma União Económica e uma União Europeia em simultâneo. Tem que existir uma fronteira fisica que delimite este território! Tem que haver uma política externa comum e uma política de defesa una. Só depois se deveria ter avançado para o mercado único!
Substituir-se os cidadãos por consumidores é reduzirem-se as pessoas a números, a coisas, a estatísticas. Esquecem-se que estas coisas, estes números têm alma, vontade e revoltam-se quando se sentem afrontados na sua dignidade.
O que tem isto a ver com o referendo na Grécia?
Tudo! É preciso que a Europa saiba que quem manda são as pessoas, a vontade das pessoas e não os mercados. Se é um suicídio? pode ser. Mas será que toda a UE não está já moribunda? Estou até em crer que já morreu e se esqueceram de a avisar!!