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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PÉS NO ÍNDICO - QUELIMANE OU O QUE RESTA DO BRILHO COLONIAL.

Pronto, agora sim! Chegámos ao que resta do Portugal colonial.
a cidade conserva ainda um encanto na decadência em que a deixaram a guerra e a falta de tudo o que consideramos essencial.
Ora aqui está uma palavra que ganha contornos novos em África ! O que é essencial? Nós os europeus, colocámos o essencial um patamar abaixo do superfluo e por isso é-me dificile de entender este despojamento.

A vida em Quelimane continua mansa, agradável, cheia de luz. Talvez se deva aos Bons Sinais do rio, quem sabe?
A decrepitude não lhe retirou completamente o charme de outrora.
Aqui e ali pequenos redutos que nos transportam a um outro tempo, que, mesmo para mim que não o posso recordar, se adivinha, se intiu, se cheira e me enche de nostalgia dum tempo que nao vivi.


Crianças no recreio da escola. Iguais em todo o lado independentemente de cores ou credos
A Piscina. Local de encontro de gerações

O sete de Setembro apanha-me nesta cidade. A alegria é contagiante.
Na praça do Municipio, depois do comício , grupos de mulheres dançam ao som dos batuques que os homens fazem falar com um ritmo próprio.
Os instrumentos são diversos: Xilofonesfeitos de madeira, castanholas de duas tábuas, uma corneta indescritivel...há até um artefacto, espécie de "one man band", no qual consigo distinguir uma enorme roda de ferro que, muito provavelmente, já esteve ao serviço de algum poço.
As capulanas enchem o recinto de cores .
São várias as Shakiras que se bamboleiam em movimentos de cobra, ritmados, naturais, inatos.
Única branca num mar negro não passo despercebida. E, como se não houvesse cor de pele e a história que hoje se comemora não tivese por detrás ódios e mortes, sou arrastada para a dança. Abraçada a uma velha negra, imito-lhe com dificuldade o meneio das ancas e deixo-me levar pelo calor africano, que, mais que externo, corre nas veias desta gente.

A  catedral nova
Vista do hotel Chuabo sobre o rio dos Bons Sinais
A velha catedral

terça-feira, 28 de setembro de 2010

PÉS NO ÍNDICO - MULHERES D'ÁFRICA

Mulher será sempre mulher! No que há de melhor e pior da condição.
Aqui, onde a maior parte nunca ouviu falar de igualdade ou feminismo, são  - também!-as mulheres quem mantem coeso o tecido social.
Sem perderem a feminilidade, foram elas que, de facto, ganharam a guerra e conquistaram a paz


A ELAS!!
Sábado é dia de barrela!!
Quilometros pela estrada fora transportam à cabeça, no ombro ou à cintura, todo o seu mundo
Mulheres que escolhem colocar-se ao serviço d'outras mulheres!

As compras! Sempre as compras! Só uma mulher para entender esta forma de socializar!

Mulher será sempre mulher. Dengosa, vaidosa amando-se. Mulher Macua com máscara de Mussiro. Um verdadeiro milagre para a pele!!




segunda-feira, 27 de setembro de 2010

PÉS NO ÍNDICO - MAS SEM GIN NA MÃO

À distância de dias  que me pareciam imensos, antes de férias, o sonho traduzia-se nisto mesmo: Pés no Índico e copo de gin na mão. Como "decor" uma praia a perder de vista Mas nem o sonho mais sonhado se assemelhou, de longe ou de perto, a este pedaço do paraíso.
Praia das Xocas. Aqui fica um pedaço de azul e mar para sonhar neste inicio de Outono.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

PÉS NO ÍNDICO - FOTOS DA ILHA DE MOÇAMBIQUE

Museu da Ilha. Os mais belos ( e grandes!!) tapetes de Arraiolos que vi!
Pedaços de vidas1
Pedaços de vidas 2


Recordações dum tempo longínquo


Pedaços de vida 3
O largo do Reliquias -  restaurante explorado por jovens  portugueses

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PÉS NO INDICO - OMIPITHI

A ilha já foi capital deste país que no inicio se chamou OMIPITHI.
Hoje este pedaço de terra separado do continente por uma ponte duma só via ( para poderem passar dois carros é preciso que o que estiver mais próximo da escapatória aguarde ), é uma pequena joia que alguém deitou nas cinzas. Mas por muito suja e maltratada que esteja mantém o seu fulgor.
Sinto  um enorme orgulho em ser portuguesa, em percorrer estas ruas plenas de imagens doutros tempos, reminescências decrépitas dum era que não podemos negar e da qual não devemos envergonharmo-nos.
O antigo hospital na Ilha de Moçambique

 Porque se há algo de que devemos ter orgulho é de tudo o que deixámos em África. Incluindo o coração.
Fechado e esquecido


Aqui Luis de Camões cantou os feitos Lusos

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

PÉS NO ÍNDICO - RASTILHO DE PÓLVORA

Os xapas são carrinhas de transporte privado que fazem  a maior parte dos trajectos no país

Com noventa e cinco por cento da população a viver abaixo do limiar da pobreza ( Alguém que me explique quer os números quer o significado da expressão. Para mim isto significa o desespero extremo de quem nada tem), lado a lado com os restantes cinco em faustoso luxo e sumptuosas mansões, Moçambique tenta um equilibrio dificil entre a tranquilidade necessária para atrair investidores e os vários rastilhos do descontentamento da população.


O aumento de 30% no custo dos bens essenciais, incluindo nestes os custos dos "xapas" fez Maputo explodir!


Na véspera já se comentava nas ruas que a greve ia ser dura. A convocatória que circulava por sms era clara: havia que aproveitar a FACIM para denunciar mais este ataque ao paupérrimo povo moçambicano. Os objectivos eram claros: Desacreditar o governo Guebuza internacionalmente dando aos investidores motivos para equacionarem prudentemente a sua participação na economia do país e ao nível interno tratando de impedir a revisão constitucional que lhe dará a possibilidade dum terceiro mandato.


Está bem de ver que estes são os objectivos políticos. Os outros, aqueles que levaram diversos manifestantes a pilharem armazéns e a envolverem-se em confrontos com a polícia, são bem mais pragmáticos: são a fome e a falta de perspectivas futuras.


O exército carregou fortemente. Confrontado com a critica internacional sobre o uso de fogo real para dispersar os manifestantes, a resposta foi à bispo: tinham-se acabado as de borracha.


O resultado foram os números oficiais que apontaram para 13 mortos na Matola , entre os quais se contava uma criança vítima de bala perdida e os outros que contabilizaram bem mais do dobro.


Dos confrontos no Chimoio praticamente ninguém falou.


A FACIM, que este ano estava considerada como a melhor de sempre, esteve fechada durante dois dias. A capital parou durante outro tanto.


Viveram-se momentos de ansiedade. É que as revoltas, quando têm na sua base o desespero, tornam-se muitas vezes impossiveis de conter. Pelo menos sem banhos de sangue.


Há um vazio no olhar  que é urgente preencher
Desta vez o governo recuou mas... até quando se manterá este equilibrio de duas realidades tão desiguais??

domingo, 19 de setembro de 2010

PÉS NO INDICO - A CIDADE CONHECIDA POR MAPUTO






















Faz frio em África! Ora aqui está uma novidade! Sai uma pessoa da Europa com quase quarenta graus a pensar que vem pro calor e é isto!Faz mesmo frio em África!







É um frio que se insinua quando a noite cai. Mas ao contrário desta, vem chegando de mansinho, deixando a recordação do calor do dia durante horas.







Ainda não sei o que é África. Tudo se mistura! O calor e o frio. O dia que começa cedo e a noite que cai mais cedo ainda.







Lourenço Marques que se fez Maputo e que já é Kamfumo é uma cidade que exibe todas estas mudanças no seu rosto. Os registos da bela cidade do tipo colonial que foi outrora, estão cá. Surgem em cada esquina altivos na sua decadência desafiando o tempo e as mudanças. Coexistem com novas estátuas e bairros recentes. Alguns duma ostensiva opulência. Outros duma pobreza extrema. As ruas tomaram novos nomes e novos habitantes, mas a princesa do Índico mantem esse ar de menina mulata que abraçou negros , brancos, indianos, chineses e a todos chamou seus.







PÉS NO ÍNDICO


Inicio hoje uma série de pequenos textos escritos durante a minha estadia em Moçambique, no livrinho de capa negra que sempre me acompanha.

Não têm a pretensão de ser crónicas ou textos literários. Tão somente impres^~oes duma europeia que, pela primeira vez pôes os pés em África.

Aqui ficarão fotos recentes de lugares que para muitos serão familiares.

Convido os que me lerem a partilharem também as suas histórias , as memórias e as imagens daquela terra que se insinua e se instala nos corações de quem a pisa.