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sexta-feira, 27 de novembro de 2009


Só começo a ser português quando estou longe. O fado é o meu choro e torna-se infinitamente belo . Comovo-me defronte dum bacalhau mal cozido com batatas, eu que odeio bacalhau! É então que a palavra " saudade" faz sentido e me sinto irmã de todos os que deixam a sua terra, como pedaço arrancado de si, lá longe

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

EM NOME DA FAMILIA

A Lei 23/2007 que regulamenta a entrada e permanência de imigrantes em Território Nacional, teve uma especial atenção para com o reagrupamento familiar, já que este é factor de integração no tecido social.

Qualquer cidadão de pais terceiro residente legalmente em Portugal pode requerer a vinda dos seus familiares directos para que com ele formem no nosso país uma estável célula familiar.
Tudo isto em letra de forma parece ser do mais consensual . O problema é o de sempre no nosso sistema jurídico : os casos particulares, as excepções. Por vezes estas são tão numerosas que ultrapassam a própria regra, o que não deixa de ser caricato e de dizer muito em relação ao nosso sistema legal.


Evidentemente que na altura tomava-se como "familia" o agregado composto por um casal e seu descendentes ou ascendentes directos , desde que a cargo e essa será, a breve trecho , mais uma das questões que o legislador não previu.

Mas adiante que já há pano para mangas sem entrar por camisas estreitas.

Existe uma coisa em Direito denominada " supremo interesse da criança" que, no fundo e em última análise, terá que ser observado com o chamado senso comum. Ora como bem sabemos este é o menos comum dos sensos e a questão começa logo aí.

O drama da Alexandra ( que está longe de acabar muito embora a memória mediatica seja curta ) é o exemplo mais acabado do que pode acontecer quando o senso não é comum e muito menos bom.

A criança possuia uma familia. Não consta que estivesse em risco no seio dela. Mas a mãe, laço de sangue, fora convidada a abandonar o nosso país e a regressar ao seu. Logo a filha tinha que ir junto.

Para além de denotar uma falta de conhecimento da lei ( o pai permanece em Território Nacional e poderia, mediante esse vínculo requerer para junto si a permanência da menor) a falta de tacto, de sentimento, de clara noção do " superior interesse da criança" culminou num erro que se está a tornar a cada dia mais grosseiro.

Duma familia que a protegia, acarinhava e amava, a Alexandra ver-se-á atirada agora para um orfanato num país que a pouco e pouco começa a reconhecer como seu mas que ainda lhe é estranho.

Conseguimos imaginar os sonhos desta menina que duma cama confortável passou adormir sobre um fogão? Que pensará ela de tudo o que aconteceu? Em que adulta se irá tornar?

E a familia portuguesa que a acolheu, que mágoas guarda agora que o Natal se aproxima?

Familia a gente não escolhe- dizem os brasileiros.

É bem verdade. Mas, talvez esteja na hora de redefinir o conceito de "familia" para que esta seja realmente a célula primeira, saudável, acolhedora da sociedade. Sob pena de nos tornarmos alcateias.

segunda-feira, 9 de março de 2009

CARA OU COROA ?

Precisamos de imigrantes para assegurar as pensões que, nas perspectivas mais desastrosas, não ultrapassarão os 45% do montante do último salário auferido no activo.
Daí que, quer a Europa no seu todo quer Portugal em concreto, se vejam a braços com uma dictomia terrivel: por um lado o envelhecimento da população que projecta um futuro negro para os activos do presente. Por outro, uma crise de emprego que, nalguns países começa já a ter uma contestação social com contornos de xenofobia.
Os recentes conflitos no Reino Unido perante a contratação de imigrantes em deterimento dos nacionais, fazem prever que, situações em tudo semelhantes se venham a verificar nos diferentes países de acolhimento.
Com níveis de desemprego assustadores, muitos começam já a questionar as quotas de imigração aprovadas e os procedimentos para a contratação de mão de obra estrangeira. Evidentemente que esta última é mais barata, menos reinvindicativa e não raras vezes bem melhor qualificada.
E nem os requisitos da colocação dos lugares a concurso em primeira mão para nacionais e em seguida para comunitários e só depois para extra comunitários, obsta a um certo dumping social enviesado que vai preterir os primeiros em favor dos últimos.
Com vantagens inegáveis para um certo progresso e rejuvenescimento da sociedade europeia,mas com riscos imensos de conflito socialmais grave a cada dia que passa .
Em termos de imigração importa definir os objectivos nacionais de acordo com interesses a médio e a longo prazo e actuar-se em conformidade.
Se o objectivo nacional imediato for um rejuvenescimento da população então há que abrir frionteiras, pois que os números não mentem e o aumento da natalidade verificada de 2007 para 2008 deveu-se em 87% a uma segunda geração de imigrantes.
Mas se de imediato há que fazer face ao problema do desemprego e desagregação social, então aí dever-se-á considerar a prudência como a melhor aliada e refrear a onda de imigração para a Europa.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O MEDITERRÂNEO DIVIDIDO EM DOIS



Entre o s países prósperos do Norte que procuram a estabilidade e a segurança e os países do Sul que aspiram a ultrapassar o fosso que os separa e que, por consequência se sentem atraidos em direcção ao Norte, o Processo de Barcelona continua em stand by.
Entretanto vão-se sucedendo os boat people em vagas de desolação.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009


O DESERTO É APENAS UM ESTADO DE ESPIRITO!

BATE BATE CORAÇÃO. (OU NÃO)

Caiu o Carmo e a Trindade quando o sr. Cardeal Patriarca alertou as jovens para os perigos deecasarem com Muçulmanos.
Insurgiu-se a comunidade Islâmica residente em Portugal e logo se levantaram vozes condenando a infelicidade das palavras que demonstravam uma pouco caridosA tolerância para com outras religiões, outras culturas e outras etnias.
Como se não fosse bem sabido que o alerta mais não é que o eco do pensamento generalizado!
Há excepções, naturalement, mas são isso mesmo: excepções.
Mas se de facto os casamentos inter raciais /religiosos trazem consigo naturais ( e muitas vezes sanáveis, de acordo ) problemas, estes agravam-se quando tais contratos são feitos tendo como objectivo tão somente a obtenção de vistos de residência em países europeus.
O número de casamentos entre mulheres portuguesas na faixa etária dos 35/50 anos com indivíduos bem mais jovens e que conhecem em viagens de férias, tem vindo a aumentar e não podem ser ignorados.
Mulheres sozinhas, em destinos de culturas muito diferentes da sua, a maior partte das vezes fragilizadas, são alvo fácil de homens sem escrúpulos ou num desespero tal que não hesitam em lançar mão de qualquer estratagema para alcançarem os seus objectivos.
Envolver uma mulher desenraizada do seu dia a dia, em férias, muitas vezes em processo de "luto sentimental ", conquistar-lhe aconfiança e o afecto é muito fácil!
E não se pense que isso só acontece com mulheres dum determinado padrão social ou cultural. Não! Para cada caso existe um estratagema de sedução, como se houvesse uma aprendizagem ancestral para o fazer.
Todos temos no nosso imaginário flashes de mulheres fatais e, fatalmente, exóticas, com cheiro a Oriente. Pois bem, a igualdade dos sexos também chegou às teias da sedução e hoje não são raros os homens que as usam por forma a terem a porta aberta ao oásis europeu.
São casamentos de conveniência mas duma parte apenas. Elas estão, em regra, de boa fé, de alma e coração rendidos aos encantos do exótico jovem que, tal como nos contos de infância, as amou ao primeiro olhar.
Só que infelizmente, a maioria das histórias não termina com o célebre " E viveram felizes para sempre"
Assim, talvez não fosse má ideia para além das vacinas, do cuidado com a água e outras precauções, as mulheres que viajam solitárias levarem para determinados destinos, um lembrete no telemóvel que lhes alertasse que " antes só que mal acompanhada"

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009


O Mundo é um lugar de contrastes. Por isso é tão belo!!!!!!!!!!

O POLÍTICO E O CORRECTO

As recentes declarações do Primeiro Ministro da Austrália causaram mal estar já que, muito embora espelhem o pensamento da maioria, postas em público tornam-se embaraçosas.
É que perante o que foi dito há que tomar uma posição e só existem duas : a política ou a correcta.
Á força de nos querermos tão tolerantes e permissivos, resquícios talvez de algum sentimento de culpa, recusamos a nossa individualidade em prol da dos outros.
A escolha dum país de acolhimento implica sempre uma certa aculturação ou pelo menos uma convivência saudável com a realidade social, política e religiosa do destino. Estas já existiam muito antes dos fluxos migratórios que agora e cada vez mais, assolam a Europa.
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Talvez o discurso não tenha sido politicamente correcto mas está na altura de colocar o que é certo antes do que fica bem.
A tolerância é uma via dupla e não pode ser entendida doutra forma sob pena de se tornar em paternalismo para os que acolhemos e em ostracismo e intolerância para os nacionais.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

ÀS PORTAS DO ÉDEN

A Europa é para muitos, a materialização do paraíso, um sonho de liberdade e de oportunidades num Mundo a cada dia mais desigual.
A dictomia Norte Sul, que parecia condensar as discrepâncias de desenvolvimento , tornou-se hoje uma linha muito mais difusa, uma vez que o fosso entre dessenvolvimento/subdesenvolviemnto, ricos e pobres, já não se faz ao longo dum Tratado de Tordesilhas mas é antes transnacional e transfronteiriço.
Não obstante, o fluxo migratório ainda se faz em grande parte, com base nesse pressuposto.
As vagas de imigrantes vindos do Norte de África e da América Latina são na sua maioria indivíduos com baixos niveis de literacia, muito à semelhança da vaga de exôdo português dos anos 50/60.
Exacatamente devido a esta remnisciência histórica , o nosso País tende a olhar duma forma genérica os que acolhe como os novos portadores das malas de cartão.
Acontece que essa visão não podia estar mais longe da realidade da nova migração.
O elevado padrão cultural e educacional de determinados imigrantes nomeadamente vindos do Leste ou mesmo da Índia, pressupõe um outro tipo de acolhimento e enquadramento.
O reconhecimento de habilitações e aptidões pode ser uma mais valia se for devidamente aproveitada . E pode, inclusive, facilitar uma maior aculturação , evitando a exclusão social e a subsquente e inevitável marginalidade.
A criação de quotas profissionais, muito à semelhança do que foi feito para os médicos, deveria ser uma das apostas nessa renovação da teia social que, quer queiramos ou não, se baseia hoje muito nestes novos europeus. Porque, não tenhamos dúvidas, estamos perante Novos Europeus já que a Europa em geral e Portugal duma forma muito particular, dentro duma década será o que fizer com a sua imigração.
Teremos que optar ou por uma Europa aberta, integradora, 0 ou por uma Europa de ghettos . E esta última deixaria de ser o Eden prometido.

Back in Business

Todos temos as nossas gavetas cheias de pedaços de textos, reflexões, escapes de alma.
E mentimos de cada vez que dizemos que escrevemos para nós mesmos. Quando pegamos na caneta ( agora cada vez mais quando teclamos) fazêmo-lo na esperança nem sempre confessada de que alguém nos leia, alguém partilhe das nossas angústias, dos nossos risos, alegrias , preocupações, divagaçãoes.
Sempre gostei de escrever. Foi por isso que me tornei por algum tempo, jornalista.
Mas a vida dá voltas revoltas e retortas e dos tempos de redacção ficaram lembranças marcantes mas já muito enevoadas pelo pó do tempo. Da escrita nunca me livrei. Enchi gavetas e gavetas de cadernos de capa preta ou com a bonecada dos filhos que entretanto surgiram, recheados de pequenos grandes nadas : esboços de livros, receitas de culinária ( nunca experimentadas diga-se em abono da verdade), rascunhos para os artigos de opinião que ia debitando em jornais regionais e num ou noutro jornal nacional que me fazia o favor de me deixar ocupar espaço.
Quando descobri a blogesfera achei-a nojenta, execrável. Local onde, a coberto do anonimato se escreviam as mais ignóbeis opiniões, as calúnias , as historietas os chistes.
Mas o tempo e os rumos da navegação mudaram-me a opinião.
Hoje penso que este é o meio mais democrático e sério de fazer e trocar opiniões.
Decidi criar este blog porque acredito na força das palavras para mudar mentalidades.
Hoje estando ligada ao fenómeno da imigração, tenho uma necessidade quase doentia de ponderar, escrever e partilhar temores e esperança deste fenómeno que nos transformou numa jangada, talvez de pedra, mas salvadora num mundo à deriva.
Por isso ... I'm Back to Business