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segunda-feira, 27 de abril de 2015

E A EUROPA AQUI TÃO PERTO!!






Os recentes acontecimentos ocorridos ao largo de Itália vieram reacender a questão da imigração ilegal e das suas consequências económicas mas sobretudo humanitárias, junto da opinião pública.
Os países do Sul da Europa têm-se visto a braços com este flagelo desde sempre mas com um a maior gravidade na última década, mercê do aumento dos conflitos em África e sobretudo no médio Oriente.
Portugal até ao momento tem estado numa situação protegida, já que a sua orla costeira é banhada pelo Atlântico e não pelo Mediterrâneo, para mal dos pecados  do turismo mas para descanso das autoridades.
Mas esta é uma situação que não vai durar muito mais tempo!!!
A serem tomadas as medidas repressivas decididas pela EU na passada semana no mar Mediterrâneo, não tardarão a dar à costa Algarvia barcos de gente ávida de vida e cadáveres anónimos!
É apenas uma questão de oportunidade face ao desespero: cortada a rota , supostamente menos perigosa, do mediterrâneo, outras irão surgir e a travessia  até agora pouco tentada , pois que o Atlântico é oceano nada pacifico, entre África e o continente Europeu, vai ser rota alternativa.
A Europa continua a exercer a sua já habitual política low profile e de recurso. A acção é determinada pelos efeitos duma causa que não querem ( ou não sabem!) atacar. Continua-se a agir pela solução imediata, mais simples, camuflada em roupagens de consenso.
Que diferença existe entre as medidas agora aprovadas e as sugeridas pelo primeiro ministro Australiano que tanta polémica e indignação provocaram? Uma única: a forma de comunicar, a linguagem usada, numa palavra a hipocrisia .
E Portugal, onde fica Portugal nesta questão? Que medidas  propôs, como pretende agir? Ou à boa maneira portuguesa, iremos lançar mão das três frases mais assassinas da nossa língua : “ Isto não há-de ser nada “; “ Depois logo se vê” e finalmente a célebre “ A malta desenrasca-se!”?


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A JUSTIÇA ESPECTÁCULO




 

Desde tempos remotos que a justiça e a sua aplicação tem uma componente de espectáculo .

Recordemos as execuções públicas  e os autos de fé, com todo o envolvimento amoral e lúdico que os acompanhava.

 Esta justiça/espectáculo tem duas razões de ser: A primeira a de demonstrar que a lei se aplica a todos sem excepção  e a segunda como medida de prevenção e de desincentivação  por forma  a prevenir outros delitos.

Mas o lado perverso desta justiça em praça pública, que nos nossos dias é feita nos media e nas redes sociais, é o julgamento sem direito a defesa ou contraditório e a inevitável condenação, que perdura indelével, para todo o sempre.

Naturalmente que a função dum jornalista é informar . Mas informar objectivamente sem juízos de valor , nem pretensões jurídico-penais. O seu papel deve acabar nos Quem, Como, Onde, Porquê e Com que Efeito, sendo este último o que é imediatamente visível.

Mas a culpa desta justiça/espectáculo não pertence apenas aos profissionais dos media!
Os quinze segundos de fama atraem juízes, advogados , investigadores, comentadores, cidadãos anónimos todos eles com algo a dizer, a acrescentar ou apenas ( o que é pior!) a deixar “ no ar” com uma aura de suspeição que agrava ainda mais todo o processo.

Dois arguidos nos dois casos mediáticos da semana passada, foram detidos no aeroporto. É caso para dizer que os aeroportos se tornaram lugares de alto nível de perigosidade!!

Como não creio que estejam estipulados piquetes das televisões nas chegadas e partidas dos aeroportos, as detenções em locais tão públicos só pode ter uma razão : a ânsia de mediatização e protagonismo que estão na base das fugas de informação!

Sócrates é uma figura pública e como tal é normal que a sua prisão seja efectuada debaixo dos holofotes?  Desculpem lá mas não. E, repare-se, não tenho qualquer simpatia particular pela pessoa, que não conheço pessoalmente e caso se venha a provar que é de facto culpado deverá arcar com as consequências dos seus actos como qualquer cidadão.

Agora custava muito segui-lo até casa e ali, fora dos holofotes ( que estavam por uma coincidência total naquele momento naquele lugar!!!) fazerem a detenção?  Se a investigação tinha já algum tempo faria diferença meia hora a mais ou a menos ?

No caso do Director Nacional do SEF o circo foi exactamente o mesmo! Estava a ser investigado. Sabiam que ia embarcar para uma reunião fora do país. Não podiam tê-lo detido à porta de casa? Foi preciso o enxovalho pessoal defronte dos seus subordinados? Foi necessário lançar a suspeita de fuga?

Ninguém está acima da lei. Mas  também ninguém está abaixo dela e há direitos que temos que respeitar .Os arguidos têm direitos que não estão a ser respeitados nem protegidos.

Mal está a justiça se os investigadores, o MP e todos os intervenientes, decidirem fazer  a sua própria série de Lei e Ordem.  É que a vida não é um filme!!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O CÃO QUE MORDEU O HOMEM






Aqui há semanas uma das “grandes” notícias era que um jovem tinha devolvido uma carteira que encontrara, com uma avultada quantia em dinheiro .

Quando questionado, limitou-se  a responder que o anormal seria que o não o fizesse e que não entendia a estranheza que o seu acto provocara.

Nos anos 80 ( do século passado!!) ensinavam-nos , a nós aspirantes a jornalistas, que a noticia era o homem que mordia o cão.

Hoje ao que parece, o que admira e faz correr tinta é a dentada do cão no homem.

O ministro da Administração Interna demitiu-se, apanhado na enxurrada do escândalo em torno de altas figuras da administração pública e toda a gente admira, felicita e tece os maiores elogios àa essa atitude !

Ora o estranho, o inadmissível, é que esta não seja a regra para todas as figuras públicas que vejam o seu nome manchado em praça pública por eventuais actos altamente gravosos ou ligações que possam pôr em causa o interesse nacional! Essa é que deveria ser a notícia!!

Mas não!

Já tomámos o moralmente repreensível, por normal.  Inverteu-se o paradigma do certo e errado no que às figuras públicas diz respeito. Não é pois de admirar que aquelas se sintam acima da Lei, impunes e inatingíveis. Foi esse o direito que lhes concedemos. Não nos queixemos pois de tanto homem a morder cães! Afinal à mulher de César pouco lhe importa se parece ou não séria. Sobretudo quando não o é.

Como tal Miguel Macedo fez o que devia ser feito. Não é caso para condecoração.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA


 


… dizia o poeta.

Para mim esta foi sempre uma verdade incontestável e ainda hoje quase me emociono quando, num canto longínquo do Mundo, ouço uma palavra, uma frase, uma conversa em português. É como se a Pátria ficasse ali, à distância duma mão .

Sempre gostei de palavras. As que se dizem, as que se escrevem e as que nos bailam apenas no pensamento. Gosto de brincar às escondidas com elas e deixar-me encontrar, assim, desprevenida, como se fossem elas as protagonistas da minha história e não o contrário.

Há poucas coisas que me revoltem tanto como ouvir uma “ calinada” ( sim , existe a palavra, vão lá ver, vá…) por vezes da boca de quem menos se espera.

O acordo ortográfico foi a Olivença da nossa língua: perdemos para sempre um pedaço de nós em prol duma suposta evolução ( semântica? Lexical?), criando uma Babel tal que damos por nós ( dou por mim!) a escrever com erros, alguns de palmatória.

Sejamos francos: todos nós em algum momento, damos erros ortográficos! Agora menos , valha –nos o Santo Corrector Automático. Mas até esse se baralha com trocas e baldrocas, com “c” que caem e “c” que ficam.

Isto sem falar de quem, com algumas responsabilidades públicas, camufla a coisa com uma dislexia . enfim…

Oralmente a situação torna-se muitas vezes constrangedora ( sobretudo para quem ouve porque a ignorância de quem fala amortece qualquer laivo de vergonha ). Ouvir vezes sem conta “ hades” ( e não , não é o Inferno!)” foi” em vez de “fui” ou “artesões”, da boca de gente que tem responsabilidades como figura de referência .É coisa para me fazer ter pesadelos e pensar que quem assim fala não pode ser competente no que quer que faça. Isto porque o erro não é casual: persiste e perpetua-se.

Levei tempo a recompor-me da entrada da Guiné Equatorial na CPLP. Mas feito o luto a mais esta venda de Portugal ao quilo ( em inglês Selling Portugal by the kilo. que música isto não teria dado …) não me contenho !

Expliquem –me cá o valor das siglas. Já nem vou tão longe como discorrer sobre o simbolismo e o espirito da coisa. Não, vou apenas limitar-me à sigla.

UE – União Europeia. Certo!

EUA – Estados Unidos da América .Certo!

BES – Banco Espirito Santo . ( ai… pois… ) . Certo.

CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa . Errado.

Ouvir o senhor Obiang a falar castelhano foi a gota de água (…rrás! É assim que se escreve não é?) que acabou com a dita comunidade.

Sejamos sérios. Que papel desempenhou a CPLP em prol da língua do pobre Camões que a esta hora já não anda às voltas no túmulo porque está em pó, mas de certeza que lamenta não ter escrito os Lusíadas em alemão?

Se calhar essa não era a prioridade. Se calhar o desiderato da Comunidade era promover a cultura, a história, a literatura, a cooperação com os países que, algures no tempo, estiveram ligados a este rectângulo periférico da Europa  chamado Portugal.

Ou se calhar foi criada só porque sim e ponto final. Cá por coisas inclino-me mais para esta última explicação!...

Mas admitir que o presidente Obiang falasse outra língua que não a nossa , numa manifesta  falta de consideração para com a comunidade que erradamente lhe tinha aberto as portas, é rebaixarmo-nos para lá do limite da decência!!!

Que raio, não havia ninguém que o ensinasse a dizer “ Obrigada”, “Estou feliz por…” , “ Bom dia”, aquelas coisas que os artistas estrangeiros dizem com um sotaque de morrer mas que levam à loucura uma multidão inteira perante tal milagre ?

A Língua Portuguesa afinal pode ser falada em francês, castelhano, inglês, mandarim…basta que venha escrita em notas de banco.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

MELHOR QUE ISTO SÓ JESUS CRISTO...






E pumba! mais um tiro num banco sólido com consequente naufrágio titanicânico ( de Titanic ok ? Não tenho dislexia mas gosto de inventar palavras. E sim por vezes dou erros como qualquer mortal mas não é o caso.).

Este Mundo neo liberal desenfreado faz-me imensa confusão e deve ser por isso que, não sabendo navegar neste jogo de Batalha Naval, tento manter a cabeça à tona o que é cada vez mais difícil porque está na minha natureza fazer ondas.
Não entendo! Juro que não entendo! Sei que money makes the world go round - não sou ingénua a esse ponto - mas é preciso ser apenas o dinheiro a ditar as normas??
Não se faz jornalismo isento porque quem quer preservar o seu ganha pão tem que alinhar pela masters voice. E quem é , eihn, quem é? Pois está claro. o accionista que entretanto comprou meio empório de media e está de olho no restante para deppois fazer o que bem quiser com os jornais, rádios , televisões ... Pouco importa que seja analfabeto. Tem dinheiro, compra e decide.
Independência informativa à vida. Checked!
As decisões políticas são tomadas pelo poder económico que primeiro nos sorriu com oásis fáceis e ao nosso alcance para depois nos apresentar a conta do usufruto. está bem de ver que como não tínhamos com que pagar, magnânimos emprestaram-nos o dinheiro com que lhes pagamos a dívida a juros chorudos. Poder político com estratégia e interesse nacional pro galheiro- Cheked!

Que a História é um enorme parabólica é uma realidade. Que este países sempre pertenceu a meia dúzia de famílias intocáveis, também é do conhecimento generalizado. Agora que sejamos um povo que continua a manifestar-se por picuinhices, que se insurge contra a selecção nacional de futebol ( que lhes dá um lucro!!!!.....), se mantenha calado perante estes escândalos constantes isso a mim continua a fazer-me confusão e azia.
Caramba!! Mas será que não está bem de ver que esta questão do BES rebenta em pleno Verão porque está tudo a banhos e a onda que devia ser um tsunami, fica reduzida ao tamanho, vá lá..., da Nazaré em dia de surf??
Então de repente uma série de pequenos accionistas com meia dúzia de tostões suados vêm as suas poupanças irem por água abaixo e o nosso PM mantem-se a banhos e o gestor danoso vai para a Comporta com uma caução de 3 milhões de euros?? 3 Milhões????? "Ai e tal é a maior caução alguma vez aplicada em Portugal..." nem nisto deixamos de ser pequeninos , pobrezinhos tacanhinhos!! 3 milhões são uma ninharia para quem embolsou cem vezes mais!! Mas não há ninguém que recorde o caso Madoff??? Ninguém que tenha ... taramenhos ... para dar um murro na mesa e dizer " Basta " e fazer justiça? Ou de facto a minha avó sábia como só ela na inocência do seu analfabetismo, tinha razão quando dizia que quando todos comem da mesma barrela não se distinguem os varrões dos marranos.
Mais eruditamente posto: Melhor do que isto só  Jesus Cristo que não sabia nada de finanças, nem consta que tivesse biblioteca. Caro Pessoa, cada vez estamos mais longe de cumprirmos Portugal!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A EUROPA AQUI TÃO LONGE ....


 


 


 

Os radicalismos sempre me arrepiaram!!! E não importam as origens ou as causas. Tanto se me dá que sejam políticos ou religiosos. Os radicalismos têm sido o maior flagelo da humanidade e a História é espelho disso mesmo.

Foi o radicalismo religioso que esteve na génese do aparecimento da Inquisição que condenou à santa fogueira purificadora tantos homens e mulheres. Foi o radicalismo económico político e social que criou os Gulags de Estaline. É o radicalismo étnico que sustenta os cobardes de branco que dão pelo nome de Ku Klax Klan .São os radicais islâmicos que espalham o horror em atentados, que relegam para um estatuto sub-humano as mulheres e dão uma imagem errada do Al Corão. Os radicalismos estiveram e estarão sempre na base dos conflitos armados. Foi assim ao longo da História, é assim no presente. 
 
 Perante este panorama, a primeira ideia que me assalta é: seremos nós europeus? Mas se o não formos somos o quê? Portugueses- responder-me-ão até com alguma indignação. Sem dúvida sê-lo-emos sempre!!
Mas na cena internacional , na real politik ser português, espanhol, irlandês... Pouco conta. Há que olhar para o horizonte dessa união desunida mas que tem que permanecer sob pena da História se repetir. Por isso é que  A Europa tem definitivamente de ter uma política externa consistente e atrevo-me mesmo a dizer musculada.
 Dois exemplos do presente fundamentam este meu pensamento: um a questão ucraniana, O princípio de Estado de Direito implica que seja respeitada a vontade do povo, o que significa naturalmente o resultado dum sufrágio . Qual a posição da Europa? “Nim” e com este lavar de mãos repetimos o mesmo erro que levou ao genocídio de milhares de pessoas na guerra dos balcãs!
Mais longe na Nigéria um grupo de homens que se dizem portadores da vontade dum deus muito próprio, decidiu entrar num liceu e raptar as raparigas que ali se encontravam , culpadas de querem estudar, saber, ser independentes. Forte pecado!! Mas já não será pecado fazê-las escravas sexuais, os soldados à força. Posição europeia?? Silêncio!!

Receio que a eterna permissividade falsamente democrática nos conduza a radicalismos internos que esvaziem o pouco que resta da ideia dos pais fundadores da UE.

Enquanto não se definirem fronteiras claras, enquanto não existir uma política externa comum, enquanto não houver um sistema de segurança próprio a Europa será apenas um enorme mercado. E em todos os mercados pululam os arrivistas.

 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

DA GUERRA EM TEMPO DE PAZ




 




O Homem é o único ser que não aprende nem com os erros nem com as consequências dos mesmos.


Setenta e cinco anos nos separam do maior genocídio de que há memória ( pelo menos no Mundo Ocidental já que dos conflitos asiáticos e africanos não reza a nossa História por completa ignorância), duas décadas apenas da implosão da antiga Yoguslávia e das limpezas étnicas que se seguiram.


As imagens de campos de concentração , de valas comuns, os relatos de torturas e mortes macabras, entraram-nos quase em direto aterrando-nos nos pratos ao jantar e digerimo-las como se fossem imagens de arquivo, filmes antigos de épocas que nos eram estranhas.


E no entanto eram Aqui e eram Agora.


A Europa unida (?!) limitou-se a assistir , indignando-se debilmente, protestando em sussurros e assobiando literalmente para o ar.


O resultado acabou por se saldar no alargamento da União à custa e sobre milhares de cadáveres anónimos.


Mas estávamos em paz desde a II Grande Guerra!


Os acontecimentos na Ucrânia iniciaram-se com um pequeno rastilho, umas escaramuças entre um estado que surgira do desmembramento da União Soviética e a Rússia.


Razão tínhamos os que sempre afirmaram que a Rússia estava apenas adormecida tal como o seu totem que hiberna para despertar esfomeado.


A escalada de violência foi rápida e total : das ameaças , dos embargos aos conflitos fortemente armados , decorreram poucos meses.


A Europa manteve-se impavidamente neutra, muda, como se nem o facto da existência duma forte corrente pró europeia, interessasse por aí além. Alguns protestos, algumas condenações morais e o silêncio.


Honra seja feita à senhora Merkel que chamou a si o que deveria ter sido o papel da comissária para as relações Internacionais ( como é que se chama mesmo a anónima senhora ??) e encetou conversações , promoveu encontros , marcou a diplomacia europeia. A União limitou-se a deixá-la à vontade e continuou com a sua politicazinha económica que, aos seus olhos, nada tem a ver com pessoas.


Um avião malaio é abatido em resultado do conflito. Com ele perdem a vida centenas de Holandeses e outros europeus.


Pergunto-me. E agora? Já estamos em guerra?